SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Um tenente do 1º Batalhão de Polícia de Choque de São Paulo foi baleado na manhã de hoje, na avenida Goiás, em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo.
A vítima foi identificada como o tenente da Rota Ronickson Pimentel dos Santos. Segundo a Polícia Militar, equipes de resgate prestaram os primeiros atendimentos, e o policial foi socorrido pelo helicóptero Águia.
Uma câmera de segurança registrou o momento em que Pimentel foi baleado. Nas imagens, obtidas pelo UOL, é possível ver que ele estava à paisana em uma moto. Ele para em um semáforo, quando dois homens se aproximam em uma moto e efetuam os disparos.
Tenente é irmão de Eloá Cristina Pimentel, que morreu aos 15 anos, em 2008. Ela foi assassinada após ser mantida em cárcere privado pelo ex-namorado Lindemberg Alves no apartamento em que morava num conjunto habitacional em Santo André.
O estado de saúde ainda não foi divulgado. Em 2019, Pimentel ingressou no 1º Batalhão de Polícia de Choque, a Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar).
RELEMBRE O CASO ELOÁ
Lindemberg Fernandes Alves, então com 22 anos, invadiu o apartamento de sua ex-namorada Eloá Cristina Pimentel, 15. Ela morava no segundo andar de um conjunto habitacional na periferia de Santo André, na Grande São Paulo. Caso ocorreu no dia 13 de outubro de 2008.
Armado, ele fez reféns a ex-namorada e outros três amigos dela, que estavam reunidos para fazer um trabalho da escola. Em mais de 100 horas de tensão, Lindemberg chegou a libertar todos os amigos, mas Nayara Rodrigues acabou voltando ao cativeiro -a polícia, que trabalhava nas negociações, foi bastante criticada por ter permitido o retorno.
Policiais militares do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) invadiram o apartamento, afirmando que ouviram um disparo no local. Em seguida, foram ouvidos mais tiros. Dois deles atingiram Eloá, um na cabeça e outro na virilha, e outro atingiu o nariz de Nayara. Eloá morreu horas depois. Lindemberg foi preso.
O julgamento de Lindemberg aconteceu em fevereiro de 2012. Após quatro dias de duração, ele foi acusado e condenado por cometer 12 crimes. O atirador foi condenado a uma pena de 98 anos e 10 meses de prisão. No entanto, em julho de 2013, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo reduziu a pena para 39 anos e 3 meses em regime fechado.
Durante o julgamento, Lindemberg confessou que atirou em Eloá. Apesar disso, negou que tenha planejado a morte da vítima. Também negou que tenha disparado contra um policial que participava das negociações e que tenha feito os amigos de Eloá reféns -eles teriam ficado por opção, segundo Lindemberg. No começo do depoimento, o réu pediu perdão à mãe de Eloá.
Em junho de 2021, no entanto, a Justiça autorizou Lindemberg a cumprir o restante de sua pena em regime semiaberto. Nesse modelo, presos têm direito a saídas temporárias. A juíza Sueli de Oliveira Armani disse em sua decisão que Lindemberg mantém bom comportamento na prisão, sem nunca ter registrado infração disciplinar grave. Afirmou também que ele obteve resultados favoráveis nos testes psicológicos e de periculosidade.