SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A equipe médica responsável pelos cuidados de Ronickson Pimentel dos Santos, 39, 1º tenente da Polícia Militar, avalia a possibilidade de reduzir a sedação dele.
Pimentel está internado no Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André, desde sábado (27), quando passou por uma complexa cirurgia neurológica de emergência. O quadro de saúde dele ainda é gravíssimo, segundo a PM.
Ele foi alvo de disparos na manhã de sábado na avenida Goiás, em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo. O policial estava à paisana, em uma motocicleta, parado em um semáforo, quando dois homens em outra moto se aproximaram e atiraram. Pimentel foi atingido na cabeça.
O tenente é irmão de Eloá Pimentel, morta pelo ex-namorado em 2008, em caso que chocou o país. Ele pertence ao 1º Batalhão de Polícia de Choque, a Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), considerada uma tropa de elite da corporação paulista.
"O boletim médico mais recente trouxe uma sinalização positiva quanto a possibilidade da redução do nível de sedação. A equipe médica segue acompanhando o caso de forma contínua, com reavaliação diária das condutas em conjunto com a neurocirurgia", afirmou a corporação, em nota, na tarde desta terça-feira (30).
No domingo (28), a Justiça de São Paulo decretou a prisão temporária de dois homens, de 40 e 52 anos, sob suspeita de envolvimento na tentativa de homicídio contra o policial.
Segundo a apuração policial, os homens presos teriam prestado apoio à ação, atuando de forma coordenada com os executores por meio de veículos que acompanharam a motocicleta utilizada no atentado antes e após os disparos.
Ataque planejado
O ataque ao tenente da Rota foi planejado, com estudo prévio de horários e locais, conforme policiais ouvidos pela reportagem.
O passo a passo também é corroborado por um documento obtido pela Folha, no qual a Justiça aponta não se tratar de delito praticado por agente isolado, mas de empreitada criminosa complexa que envolveu, ao menos em juízo inicial, múltiplos envolvidos com funções distintas.
"A dinâmica dos fatos indica, ainda, que não se trata de ação delitiva comum, mas de investida coordenada direcionada contra agente policial, com sinais evidentes de planejamento prévio, divisão de tarefas, utilização de veículos de apoio e estratégias de evasão e ocultação de vestígios, o que evidencia elevado grau de organização e periculosidade", diz trecho do documento.
Além das duas prisões, o juiz Gabriel D'Andrea expediu mandados de busca e apreensão domiciliar nos endereços indicados pela Polícia Civil.
INVESTIGAÇÕES
Como mostrou a Folha de S.Paulo, Ronickson Pimentel é investigado em dois inquéritos por mortes em intervenções policiais da Rota. Não há informações, até aqui, que conectem esses casos investigados com o ataque sofrido no último fim de semana.
O caso mais recente é de janeiro deste ano, em uma ocorrência que começou com uma apreensão de armas e drogas em Itaquaquecetuba e terminou com um suspeito morto em Suzano, na região metropolitana de São Paulo.
Pimentel também se envolveu em outra morte por intervenção policial há um ano em Santo André na região do ABC.
Desde 2020, o tenente já foi investigado em ao menos nove casos de morte em ações policiais, apontam registros da Justiça comum e militar em São Paulo. Sete desses casos foram arquivados sem oferecimento de denúncia, após o Ministério Público entender que não havia prova de crime cometido por ele e outros PMs.
A reportagem não encontrou processos por suspeita de homicídio anteriores a 2020. Pimentel é policial militar desde 2009 e ingressou na Rota, batalhão que mais mata na PM paulista, em 2019.