SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Nasa realizou nesta terça-feira (30) mais uma coletiva para fornecer atualizações sobre os planos de desenvolver uma base lunar, e a principal novidade é que não há grandes novidades. De concreto, Jared Isaacman, administrador da Nasa, e Carlos García-Galán, gerente do programa da base lunar, anunciaram a contratação de mais quatro missões robóticas privadas à superfície da Lua. De forma curiosa, os dois também apresentaram a ideia de enviar um modelo de engenharia de um rover marciano para explorar o polo sul lunar, mas destacando ainda que não se trata de uma decisão tomada.
A falta de grandes novidades não chega a ser inesperada, considerando que o plano atualmente é realizar anúncios mensais como este num esforço de mostrar serviço e progresso para um objetivo que é extremamente desafiador e vai se desdobrar, na verdade, muito lentamente nos próximos anos.
A nova roupagem para os anúncios é a da base, mas é basicamente uma continuação do programa de carretos estabelecido pela agência antes de direcionar o programa para a construção de uma instalação capaz de manter astronautas por longo períodos no solo lunar. As quatro novas missões contratadas devem ocorrer no fim de 2028 e custarão cerca de US$ 150 milhões cada uma.
Duas delas serão da empresa Astrobotic (US$ 297,9 milhões) e usarão o menor módulo de pouso da companhia, chamado Peregrin. A Astrobotic já chegou a lançar um desses módulos em 2024, mas uma falha ainda no espaço impediu uma tentativa de alunissagem. A empresa também trabalha atualmente no seu módulo de pouso maior, Griffin, que já está contratado pela Nasa e faz parte de uma das missões robóticas que a agência quer ver ir à Lua antes do fim do ano --mas não necessariamente.
As outras duas recém-contratadas serão uma da Firefly (US$ 144,2 milhões), tentando repetir o sucesso que tiveram com seu módulo Blue Ghost no ano passado, e outra da Intuitive Machines (US$ 148,3 milhões), que pela terceira vez voará um módulo Nova-C ainda no final deste ano (de novo, se não atrasar) e agora terá uma quarta missão já contratada, após dois pousos semi-bem-sucedidos (os pousadores sobreviram à descida e operaram no solo, mas tombaram ao descer à superfície).
UM ROVER MARCIANO NA LUA
Parece nome de filme da Sessão da Tarde, mas é na verdade uma das coisas mais interessantes apresentadas na coletiva. Isaacman anunciou que a Nasa está estudando a possibilidade de enviar um modelo de engenharia dos rovers Curiosity e Perseverance para explorar a Lua.
Esse rover de teste é uma réplica dos que foram a Marte, e é mantido aqui na Terra no JPL (Laboratório de Propulsão a Jato) para a realização de testes que ajudam a manter as missões no planeta vermelho. Em suma, é um veículo projetado para operar em Marte que nunca deixou a Terra, sendo usado como referência para ajudar na operação de seus irmãos que voaram.
Ele precisaria de poucas adaptações para ser usado na Lua e ofereceria um recurso valioso para a exploração polar lunar, uma vez que ele tem, como seus gêmeos já lançados, uma bateria de plutônio que fornece eletricidade e calor sem depender de paineis solares. Isso daria a ele o potencial de explorar, por exemplo, o fundo de crateras lunares onde a luz do Sol está indisponível --um dos alvos mais cobiçados da superfície da Lua, pelo potencial de abrigar gelo de água.
A nova missão seria chamada Promise (acrônimo em inglês para Rover Polar para Observação, Mapeamento e Exploração In-Situ), mas Isaacman destacou que é uma proposta ainda em estudo. Se acontecer, um dos fornecedores de carretos lunares será contratado para levá-lo intacto à superfície da Lua.
Prazos
Durante a coletiva, Isaacman e García-Galán fugiram de cronogramas específicos. O administrador destacou que estão trabalhando na montagem do foguete para a missão tripulada Artemis 3 e têm expectativa de fazer um ensaio molhado na plataforma 39B ainda neste ano, mirando um lançamento no ano que vem. Já o gerente do programa lunar especificou que esperam ver uma das três missões robóticas originalmente programadas para este ano acontecer mesmo até dezembro, mas não se descarta atrasos.
A situação mais crítica é a da Blue Origin, com seu módulo Blue Moon Mark 1. O pousador em si está quase pronto para voo, mas a empresa teve um revés sério com a explosão de um foguete New Glenn na plataforma durante um teste, o que causou sérios danos aos sistemas de solo. A companhia ainda mantém a expectativa de voltar aos voos até o fim do ano, mas a própria Nasa admite que isso pode escapar para 2027, e haveria uma tolerância até mais ou menos meados do ano que vem para o lançamento.
Muito além disso, segundo Isaacman, atribularia os planos com a missão tripulada Artemis 3, que também depende de entregas da Blue Origin. A agência estuda a possibilidade de demandar o lançamento do Blue Moon Mark 1 em um outro lançador, que não o New Glenn, mas no momento o administrador destaca que a prioridade é ajudar a Blue Origin a superar as dificuldades, e um voo com o New Glenn segue sendo descrito como o "plano A".