A Polícia Federal intimou o senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo Lula, para prestar depoimento no início de agosto sobre as suspeitas de recebimento de propina do Banco Master.

A PF quer ouvir as explicações do senador sobre o pedido feito por ele ao ex-sócio do Master Augusto Lima para a compra de um apartamento de R$ 2,5 milhões em Salvador, destinado à sua filha. Os investigadores também devem questioná-lo sobre a tentativa de venda de um terreno em Camaçari por R$ 15,8 milhões um dia depois do cumprimento de busca e apreensão contra o senador. A transação foi revelada no sábado, 18, pelo Estadão.

A data inicialmente prevista para o depoimento é o dia 7 de agosto, mas a defesa do senador ainda pode pedir sua dispensa. Procurada, a defesa não respondeu se ele vai comparecer.

Em entrevista concedida após a operação, Wagner admitiu ter pedido a Augusto Lima a compra do apartamento, mas disse que pretendia pagá-lo posteriormente e negou ter favorecido o Master em sua atuação no Senado.

Na mesma semana, a PF também deve interrogar outros investigados do inquérito envolvendo Jaques Wagner.

O Estadão revelou que o senador registrou em cartório no dia 19 de junho, um dia depois da busca e apreensão, uma operação de venda de um terreno em Camaçari, na região metropolitana de Salvador, por R$ 15,8 milhões. A operação foi barrada pelo 1.º Ofício de Registro de Imóveis de Camaçari após bloqueio de bens determinado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso.

"Em cumprimento ao protocolo nº (...), expedido pelo ministro André Luiz de Almeida Mendonça, fica averbada nesta data a indisponibilidade sobre o imóvel objeto da matrícula supra, de propriedade de Jaques Wagner", registrou o cartório.

Sua defesa negou irregularidades e afirmou que "a venda do imóvel é resultado de uma negociação iniciada em 2024 e formalizada em 2025 pelo City Football Group, conforme demonstram os documentos".

"O acordo previa a permuta do imóvel por lotes do empreendimento e o pagamento antecipado de R$ 2 milhões, valor devidamente declarado, com o recolhimento do imposto sobre o ganho de capital (DARF pago em 30/06/2025). A escritura publica foi lavrada em maio de 2026, preservando a natureza da operação como uma permuta", diz a defesa.

Terreno vendido para empreendimento imobiliário

A área pertencente ao senador está localizada na Região Metropolitana de Salvador e foi vendida a uma empresa que tem como sócio o Grupo City, dono da SAF que comanda atualmente o Esporte Clube Bahia, em conjunto com empresas do ramo imobiliário. A previsão é que o terreno faça parte de um empreendimento imobiliário que vai funcionar em anexo a um novo centro de treinamento do clube.

Questionada sobre a transação, a diretoria de comunicação do Bahia afirmou que foram comprados terrenos de quatro proprietários diferentes na região, com critérios de mercado, e que o de Jaques Wagner correspondia a 9,6% do total. Disse ainda que o bloqueio não vai prejudicar a construção do empreendimento.

Já a Lagoons Empreendimentos, a empresa compradora do terreno, afirmou que "o processo de aquisição de imóveis foi iniciado em 2024, dando inicio à compra de terrenos de diferentes proprietários, seguindo critérios técnicos relacionados à implantação do empreendimento". Segundo a Lagoons, "o terreno mencionado foi adquirido em maio de 2025 e integra 9,6% do espaço onde será implantado o empreendimento anexo ao Centro de Treinamento do Esporte Clube Bahia SAF".

"Todas as aquisições realizadas seguiram critérios de mercado e foram validadas por consultorias independentes, além de passar por uma due diligence, incluindo a obtenção das certidões emitidas pelo Cartório de Registro de Imóveis, que não apontavam qualquer restrição que impedisse a realização da escritura pública de compra e venda", destaca a nota a empresa.

"Assim, o comprador apenas deu prosseguimento aos trâmites registrais necessários à formalização da transferência do imóvel, iniciada em Maio de 2025", completa.