Um sargento da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), de 37 anos, foi denunciado pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) pelo feminicídio de uma capitã da própria corporação, ocorrido em julho deste ano. Segundo a denúncia, a vítima sofreu múltiplas agressões e asfixia e morreu horas antes de ser levada pelo acusado a um hospital. O militar também foi denunciado por fraude processual, três crimes de lesão corporal e tráfico de drogas.

A denúncia foi apresentada no sábado (29) pelo promotor de Justiça Igor Bandeira e Silva. O MPMG sustenta que o feminicídio ocorreu em contexto de violência doméstica e com as qualificadoras de motivo fútil, meio cruel, asfixia, recurso que dificultou a defesa da vítima e contra mulher que era mãe.

De acordo com a Promotoria, a capitã já havia sido agredida pelo sargento em pelo menos três ocasiões anteriores, todas no mesmo mês do crime. Nas agressões, o acusado teria utilizado objetos contundentes. As lesões foram registradas em exames de corpo de delito, e a vítima chegou a procurar atendimento médico.

Agressões aconteceram após confraternização

Segundo a denúncia, na noite de 19 de julho, o casal participava de uma confraternização no apartamento onde morava. Durante a festa, o sargento teria questionado a vítima de maneira agressiva e intimidatória sobre mensagens em seu celular. Convidados precisaram intervir para conter a situação.

Após o término da confraternização, já na madrugada do dia seguinte, o acusado teria utilizado um bastão de madeira para agredir a capitã com diversos golpes no quarto do casal. Conforme o MPMG, ele também empregou asfixia durante as agressões.

O laudo de necropsia apontou múltiplas lesões traumáticas e diversas fraturas no corpo da vítima.

Cena do crime teria sido alterada

Após as agressões, ainda segundo a denúncia, o sargento teria alterado a cena do crime. Ele retirou os lençóis da cama e os colocou para lavar, retirou do imóvel os pedaços de madeira utilizados nas agressões e apagou mensagens do celular da vítima.

Posteriormente, o militar teria colocado a capitã nos ombros, levado-a até o próprio veículo e a transportado para o Hospital Odilon Behrens.

A vítima chegou à emergência com múltiplas lesões traumáticas e grave traumatismo craniano. Após avaliação médica, foi constatado que ela já estava morta havia algumas horas.

A médica plantonista acionou a Polícia Militar para apurar o caso. O sargento foi preso em flagrante ainda no hospital.

Ecstasy foi apreendido no hospital

Enquanto estava acompanhado por policiais militares, o acusado pediu autorização para ir ao banheiro. Segundo a denúncia, nesse momento ele descartou em uma lixeira uma caixa metálica que continha 18 comprimidos de ecstasy. O material foi apreendido pelos policiais.

O MPMG pediu que o acusado seja levado a julgamento pelo Tribunal do Júri e condenado ao pagamento mínimo de R$ 50 mil para reparação dos danos causados pelo crime.

A Promotoria também solicitou a manutenção do sigilo sobre as partes sensíveis do processo, com o objetivo de evitar a exposição indevida da vítima.

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MPMG - Reprodução

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