Nesse sentido, as profissionais da área, segundo acredita, devem se fortalecer. Trabalhar em rede é algo que nós, mulheres, sabemos fazer há séculos. Atuar em rede, para quem é mulher, é estratégia de sobrevivência, apontou.
Atuar em redes de apoio, por exemplo, são antídotos para conter a desinformação, que se apresenta no Brasil e no mundo em estratégias articuladas por grupos radicais. A comunicação pública tem sido alvo frequente de governos extremistas, ressaltou.
A princesa que se salva
Também no evento, a advogada e influenciadora Sara Gabriela, que mantém a página Seja a princesa que salva a si mesma, entende que é necessário reconhecer o machismo como elemento cultural a ser enfrentado.
Ela defende que o ordenamento jurídico brasileiro é avançado e fundamental, mas que se torna fundamental atuar com objetividade e com informações concretas para atacar a misoginia. Eu entendo que a informação não deve ser suavizada, pontua.
O projeto que ela coordena nasceu em 2019 a partir da experiência dela no atendimento de clientes vítimas de violência em comunidades no Estado de Goiás. Eu precisava me comunicar e tinha plena consciência que essa mudança só pode vir através de uma mudança cultural.
Direitos
A advogada e influenciadora Miriane Ferreira também participou do debate. Em sua página no Instagram, com mais de dois milhões de seguidores, ela faz vídeos para descomplicar temas jurídicos em um canal voltado para que mulheres reconheçam seus direitos.
Ela chama a atenção para o fato de que muitas mulheres deixam de reivindicar direitos sobre o patrimônio construído durante o casamento por não terem exercido atividade profissional fora de casa, embora tenham se dedicado ao trabalho doméstico e aos cuidados da família. Ela ensina questões, por exemplo, fundamentais de direitos para o caso de divórcio.
Recomendo também saber o direito fundamental e saber também da sua força do seu trabalho. As mulheres precisam dessa solidariedade uma das outras para mostrar o poder que têm. Nós mulheres somos muito desacreditadas
Massacre do Judiciário
Outra participante na mesa de discussão foi a advogada Mayra Cotta, que foi produtora e criadora da série Afiadas, exibida na TV Brasil. A produção conta a história de uma manicures em Brasília que registram em vídeo a rotina do local de trabalho. As conversas tratam sobre temas do cotidiano das mulheres, como política e cuidados dos filhos.
Mayra Cotta vê o momento importante para que as mulheres atuem em rede para ocupar espaços de poder. As mulheres estão denunciando mais (as violações que são vítimas), mas estão sendo massacradas pelo Judiciário.
Ela avalia que não basta também ter mais representantes mulheres se não houver conscientização de mais respeito com a forma que denúncias, por exemplo, são recebidas. Tem juízes passando pano para assediadores e abusadores todos os dias, lamenta.
Voto
A fundadora da plataforma Elas trabalham, a jornalista Thayse Xavier, ressaltou que a página busca estimular que as mulheres se envolvam para ocupar espaços de poder. Ela exemplificou que, no mês passado, atuou com mensagens permanentes para que as mulheres fossem votar. Mulheres fora do espaço de poder devem apoiar mulheres que estão nesses lugares.
Na mesa, a cineasta carioca Fernanda Amim acrescentou que considera primordial abrir espaços por intermédio de histórias. Ela foi diretora do documentário "Reconhecidos", que aborda o racismo estrutural e institucional com as graves falhas do sistema de justiça criminal a partir do uso do reconhecimento fotográfico de suspeitos.
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