A especialista em oceanos do WWF-Brasil, Marina Corrêa, disse que a proteção dos montes submarinos fortalece a resiliência do oceano brasileiro diante de mudanças ambientais.
A saúde dos ecossistemas marinhos está diretamente relacionada à manutenção dos estoques pesqueiros, à segurança alimentar e à sobrevivência das comunidades que dependem da pesca e do turismo. Proteger essa região é proteger a pesca, o alimento e a própria resiliência do oceano, disse Marina.
Meta 30x30
A criação de unidades de conservação marinha também faz parte de um compromisso global estabelecido formalmente em dezembro de 2022 durante a COP15 da Biodiversidade, no Canadá. Um conjunto de países, dos quais o Brasil faz parte, concordaram em proteger, pelo menos, 30% das áreas marinhas e terrestres até 2030.
O ICMBio contabiliza cerca de 28% de cobertura marinha protegida, ao considerar o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) de forma integrada (federais, estaduais e municipais), descontando sobreposições com terras indígenas e quilombos.
A unidade criada mais recentemente foi o Parque Nacional do Albardão, no Rio Grande do Sul, em março de 2026. Há outras quatro propostas de UCs marinhas em estágio mais avançado no Ministério do Meio Ambiente (MMA) e na Casa Civil: a Reserva Biológica de Colinas Coralinas (ES), Reserva Extrativista Rio Formoso (PE), Reserva Extrativista Itacaré (BA) e a Reserva Extrativista Tauá Mirim (MA).
A coordenadora do ICMBio, Kelen Leite, reforça, no entanto, que o objetivo não é construir apenas números. Atingir as metas internacionais exige representatividade ecossistêmica ao longo dos 8.000 km de costa e eficiência na gestão, para evitar a existência dos chamados parques de papel, que só funcionam na teoria.
É preciso tomar um pouco de cuidado, porque a meta 30x30 não é só contar área. Precisam ser 30% de áreas representativas e efetivamente geridas. Criar é um grande passo, mas precisamos plano de manejo e conselho consultivo. Se você mobiliza os atores e não dá respostas de gestão, vai criando condições para conflitos, diz Kelen.
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