Juiz de Fora - MG

Bolsonaro discursa ao voltar à JF pela primeira vez como presidente

O chefe do Poder Executivo agradeceu aos médicos pelo tratamento recebido, quando foi ferido pela facada, em 2018

por Renan Ribeiro - 15/07/2022

O presidente Jair Messias Bolsonaro cumpriu agenda em Juiz de Fora ao longo da manhã desta sexta-feira (15), permanecendo na cidade até o início da tarde. Cumprimentando os apoiadores desde a chegada no Aeroporto Francisco Álvares de Assis, conhecido como Aeroporto da Serrinha, Bolsonaro saiu em motociata pelas ruas do município e encerrou a visita com discurso em evento fechado com a equipe de médicos da Santa Casa de Misericórdia, onde foi homenageado.

Antes, ao final da motociata, o presidente foi para o Centro Educacional e Social Betel e, só então, seguiu para o hospital filantrópico. Bolsonaro foi submetido a procedimentos médicos na Santa Casa, após ser ferido com uma facada em meio à campanha eleitoral, em 2018. É a primeira vez que ele retorna à cidade, desde que tomou posse como chefe do Poder Executivo.

O administrador presidente da Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora, Renato Loures, durante o evento, destacou a continuidade dos trabalhos filantrópicos da entidade e agradeceu o apoio de Bolsonaro aos hospitais. Ressaltou o atendimento ao Sistema Único de Saúde (SUS) prestado com excelência,  mesmo diante das dificuldades. “ A Santa Casa de Juiz de Fora é um hospital católico, regido pelas leis canônicas da igreja católica e que segue os princípios cristãos, em profunda comunhão com o pensamento e ideia da atual presidência. Dentro da nossa modéstia, nos colocamos ao dispor do presidente para levar a cabo o projeto de vida plena e saúde para todos”, afirmou Loures, que também frisou os valores de R$ 2 milhões encaminhados para a Santa Casa, via emenda parlamentar por Bolsonaro, durante o mandato como deputado e mais R$1,5 milhão encaminhados à instituição por apoiadores.

No discurso, Bolsonaro afirmou que estava emocionado por voltar a Juiz de Fora. Em função da facada e pelo estado que chegou à unidade, 'quase desfalecido', segundo ele, não tinha recordações claras sobre o ocorrido. “Me lembro que acordei entrando no avião aqui do Aeroporto. Passei por aqui, meus filhos relataram para mim, alguns amigos também. É uma coisa que a gente nunca espera que aconteça conosco. Estava no meio do povo e aconteceu aquela quase tragédia.”

Sobre as pessoas que ordenaram o crime, Bolsonaro comentou que ainda não tem respostas a respeito. “As coisas são muito complicadas no Brasil. Não tenho ascendência sobre a Polícia Federal. Não acham nada naquela sessão secreta, acharam que era uma pessoa que trabalhava com espontaneidade.”

Bolsonaro agradeceu aos médicos pelo trabalho. “ Acredito em deus, primeiro nele e, depois, em vocês. Pelas mãos de vocês a minha vida foi salva. Pelos relatos de vocês, com alguns eu já conversei, dificilmente a gente sobrevive a uma facada daquelas. Não é mais a minha vida apenas, é a história do Brasil. Eu acabei sendo presidente da república. Não é fácil a gente ser presidente do país e tentar mudar o país.”

Durante a fala, o chefe do Poder Executivo apontou que cometeu erros nas escolhas para os ministérios. Sem citar nomes, Bolsonaro relembrou um dos episódios, em que um ex-ministro insistiu na  discordância sobre o exame Revalida. “Vetei um artigo que mudava o Revalida e abria as portas para todo mundo ser médico no Brasil. Fizemos a nossa parte no tocante a isso, vocês são testemunhas.” Bolsonaro também pontuou que apesar de seus esforços foi preciso alterar um terço da equipe ministerial.

O presidente se emocionou e foi aplaudido pelos médicos, quando falou da filha Laura, que hoje tem 11 anos. “O que eu mais pedia no período em que acordei é que a minha filha de sete anos ( na época)  não ficasse órfã. Mas mesmo assim continuei arriscando a minha vida para ficar no meio do povo. Muitos falam: ’tome cuidado’. Mas eu sou presidente de forma voluntária. Eu tenho que estar no meio do povo. Mesmo durante a pandemia.”

Jair Messias Bolsonaro também falou sobre o uso de medicamentos para o tratamento de Covid-19, comparando com o período em que a houve a adoção do coquetel de medicamentos para o tratamento da Aids. “O que era o HIV? Ninguém sabia. Mas aceitou o coquetel, no tocante ao vírus. Como a pressão em cima dos senhores de não ter a liberdade de receitar alguma coisa, mesmo sem comprovação científica, afinal de contas o vírus ninguém sabia o que ia acontecer.”

O presidente também comentou a derrubada do veto dele às leis Aldir Blanc e Paulo Gustavo. “Derrubaram os R$7 bilhões para a Cultura, enquanto a gente estava precisando dos R$ 2 bilhões para as Santas Casas. Nem tudo passa por mim, a decisão não é minha, passa pelo parlamento.” Ele ainda acrescentou:  “Buscamos da melhor maneira possível fazer a Justiça pelos senhores”, dirigindo-se aos médicos. Bolsonaro comentou que a PEC do piso dos enfermeiros foi promulgada na quinta-feira (15) e sinalizou que ela deve ser sancionada. Por fim, ele se despediu, reiterando os agradecimentos à equipe de profissionais: “Peço a Deus que consiga retribuir ao Brasil o atendimento que os senhores me deram na Santa Casa de Juiz de Fora”. O discurso foi encerrado por volta das 13h10, momento em que o presidente retornou ao Aeroporto da Serrinha.

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