Atuação de futuro governo peemedebista segue como uma incógnita, diz cientista político

Para Paulo Roberto Figueira Leal, o final do primeiro turno já ditava o resultado obtido em Juiz de Fora

Nathália Carvalho
Repórter
29/10/2012
Bruno Siqueira

Juiz de Fora elegeu seu novo prefeito no último domingo, 28 de outubro, após uma longa jornada de campanha eleitoral e discussões político-partidárias sobre renovação que já se arrastavam há trinta anos na cidade. Bruno Siqueira (PMDB) acaba de quebrar o ciclo iniciado em 1983 de sucessão da chefia do Executivo, vivido por Tarcísio Delgado (sem partido), Carlos Alberto Bejani (PSL) e Custódio Mattos (PSDB) e, ao lado de Margarida Salomão (PT), liderou a corrida de aposta na mudança. Em avaliação do balanço das eleições municipais deste ano, o cientista político Paulo Roberto Figueira Leal afirma que o final do primeiro turno já ditava o resultado obtido, e a atuação do futuro governo peemedebista ainda segue com uma incógnita.

Para Leal, o eleitorado conseguiu enxergar uma maior chance de mudança na figura de Bruno do que na de Margarida, um dos fatores essenciais na escolha do voto. "Foram várias questões que estiveram envolvidas nessas eleições, e o Bruno encarnou na figura de oposição a Custódio, na tentativa de levar esperança para os eleitores da mudança que ele inaugura", explica. Contudo, apesar da diferenciação defendida, Leal acredita que foi exatamente a saída do tucano na disputa do segundo turno que fortaleceu Siqueira. "É altamente provável que os votos se repitam nos dois turnos, mas a transferência da parcela que opta por Custódio para o Bruno aconteceu naturalmente, deixando-o como favorito."

Tal afirmação explica-se historicamente. Apesar de bater na tecla da renovação, Leal alega que, historicamente, Bruno demonstra uma trajetória política mais próxima do PSDB, por exemplo, do que Margarida Salomão. "No ponto de vista comparativo que fazemos, fica evidente a familiaridade do peemedebista com os grupos que estavam anteriormente no poder, até mesmo pela forte ligação com políticos importantes, como é o caso de Itamar Franco", lembra. O cientista explica que tendo em vista os fatores citados, é possível pensar que Bruno irá encarar uma gestão ainda duvidosa, mas na qual haverá cobrança por parte do eleitorado para que a renovação, em todos os sentidos, se faça presente.

A atuação municipal petista

Após a apuração completa dos dois turnos das eleições municipais em todo o Brasil, o PMDB foi o partido que mais conquistou o topo do Executivo, com 1.031 candidaturas vitoriosas. Atrás dele, seguem PSDB com 702, PT com 636 e PSD com 497 prefeitos eleitos. "Os números mostram que o PMDB é o partido que mais consegue eleger prefeitos, porém, devemos lembrar que ele não assume o cargo majoritário da presidência há muitos anos, situação contrária vivida pelo PT. Alguns partidos entendem a dificuldade de vencer no município em nome de um projeto e alianças nacionais, fazendo escolhas que se distanciam da prefeitura", explica.

Porém, analisando a situação histórica da cidade desde os anos de 1980, ele acredita que o PT nunca esteve tão perto de se eleger na cidade, contradizendo aqueles que acreditam na falta de força do partido. "A chegada de Margarida no segundo turno duas vezes consecutivas, a votação expressiva para deputada federal e o aumento nas cadeiras de vereadores [três em 2008 e dois em 2012] demonstram um sinal da tendência dos eleitores em votar no partido. O PT é hoje um dos jogadores mais relevantes na política de Juiz de Fora, peça indispensável", expõe.

Abstenções

Dos 309.972 votos apurados, brancos e nulos somaram 7,61% do segundo turno das eleições em Juiz de Fora. Levando em conta a abstenção de 76.690 pessoas, foram mais de 100 mil eleitores que não participaram da escolha do novo prefeito. "Esses números são parecidos com os do primeiro turno e com os de grandes cidades brasileiras, mas o que não nos deixa deduzir que demonstram rejeição à política", argumenta. O voto que manifesta descontentamento, como é defendido por alguns, existe sim, mas Leal destaca outras variáveis que contribuem com a alta abstenção, como a grande migração interna entre cidades; pessoas cujo voto é facultativo e que compõem o corpo eleitoreiro, e ainda circunstâncias rotineiras.

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