Juiz de Fora - MG

Quarta-feira, 30 de outubro de 2013, atualizada às 09h30

PT realiza debate entre candidatos a presidente do partido em Juiz de Fora

Eduardo Maia
Repórter
Debate PT

Fortalecer a oposição à administração do prefeito de Juiz de Fora, Bruno Siqueira (PMDB), reaproximar dos movimentos sociais e a ação penal 470, foram os temas tratados no debate das eleições internas do Partido dos Trabalhadores (PT) na cidade, na noite da última terça-feira, 29 de outubro. Os três candidatos são o sindicalista Oleg Abramov, a psicóloga Márcia Catarina e o assessor legislativo Giliard Tenório. Eles apresentaram as propostas para a direção da legenda e responderam aos questionamentos da militância presente.  O evento é uma das etapas do Processo de Eleições Diretas (PED), que deve eleger presidentes municipais, estaduais e nacional do partido no dia 10 de novembro.

Oposição à administração municipal

Um dos pontos mais fervorosos do debate foi a forma como o partido propõe a oposição ao prefeito local. Os candidatos apontaram a necessidade de compor a oposição, mas destacaram algumas falhas.

"O Flávio Cheker é a cara do PT e está na Secretaria de Desenvolvimento Social. Ele atua direto com um povo que é nosso, e leva a sua demanda para a gestão municipal. Se a gente, enquanto petista, não vai até a base informar o que está acontecendo, o PT passa a fazer parte da administração municipal. O Tarcísio Delgado subiu no nosso palanque em 2012. O que existe de diferente? Que oposição é esta que estamos fazendo? Precisamos ir até a base, estabelecer o diálogo", afirma a candidata Márcia Catarina.

Oleg Abramov também pontuou a necessidade de impor a opinião contrária à atual administração. "Temos uma resolução que trata sobre saúde, segurança e transporte. Vamos aplicá-la e integrar a militância. A sociedade pergunta: o que o PT pensa? Nós temos o que dizer. Para cada ação da administração, uma posição do partido", propôs.

O candidato Giliard reconheceu as posturas contrárias dos vereadores Wanderson Castelar e Roberto Cupolillo (Betão), ambos do partido, nas ações do legislativo. "Eu fico um pouco constrangido de dizer que não há oposição em Juiz de Fora. Temos que reconhecer o trabalho dos nossos vereadores e construir um partido que avance, que continue sendo protagonista e ofereça uma alternativa viável, que não seja essa que aí está", diz.

Alianças

Os candidatos criticaram as alianças formadas pelo partido nas eleições municipais de 2012 e cobraram a formação de alianças que respeitem ao programa da legenda. O candidato Giliard recorreu à postura da ala Mensagem ao Partido para tratar sobre o tema. "Temos que qualificar as nossas alianças. Não sei se vocês tiveram esse relato, mas nosso programa de governo foi extremamente elogiado Brasil a fora. Se a aliança for estabelecida em cima desse projeto de governo não há problema nenhum nisso. A discussão tem que ser política", diz.

Já Abramov destacou as dificuldades enfrentas pelos petistas nos palanques propostos para eleger a candidata Margarida Salomão em 2012. "Qual a paridade da aliança com o pastor Carlos, que foi líder do governo? Qual a qualidade da aliança com o deputado Júlio Delgado (PSB)? Quando foi lá na vila Olavo Costa, gastou muito tempo para explicar e pedir desculpas à comunidade porque, da última vez que tinha ido lá, foi pra pedir voto para o Custódio e nada foi feito. Isso não é exemplo de aliança de qualidade", relata.

A candidata Márcia também expressou a sua insatisfação com as alianças anteriores e chamou a militância para o diálogo. "Temos seis meses para resgatar o PT pela base e criar uma aliança com a militância. É o que o nosso grupo pretende fazer. Está na hora vivermos uma democracia real dentro do partido. Ela não está acontecendo, está sendo imposta de cima pra baixo e nós precisamos mudar isso."

Unidade interna

Os três candidatos se referiram à unidade interna do partido como a principal bandeira para as eleições de 2014. "Eu estou convencido que a militância do PT foi o eixo da derrota eleitoral dos tucanos em Juiz de Fora, no ano passado. O movimento sindical e o movimento popular, dia após dia, fazendo manifestação no calçadão, na prática", diz Oleg, em referência ao papel do retorno do partido às bases sindicais. O candidato ainda cobrou do partido a defesa da militância aos réus condenados pela ação penal 470, o mensalão. "O PT, que já demorou muito, tem que comprar esse debate. Não queremos ver o José Dirceu e o Genoíno algemados", destaca.

Márcia falou sobre a necessidade de integrar novos quadros ao PT. "A gente está muito ocupado falando mal dos companheiros condenados, está com vergonha de colocar a nossa estrela. Temos que criar os grupos de negros e negras organizados, de jovens organizados. As pessoas vivem o que mudou no país e o partido em Juiz de Fora tem que tomar posse dessa realidade."

Giliard criticou o atual modelo de eleições internas e convocou a militância a se unir pelas eleições de 2014. "Infelizmente o PED nos prejudicou, quando a gente começou a votar pra presidente. Prefiro o formato de encontro, ali a gente vai discutir tese. Acho horroroso designar a apenas uma pessoa a função que é de todo o partido. Esse momento nos chama para a unidade estadual. Precisamos dessa unidade para que a gente tenha força para a candidatura do Pimentel no ano que vem", conclui.

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