Segunda-feira, 30 de novembro de 2020, atualizada às 9h20

Margarida Salomão é eleita prefeita em Juiz de Fora

Da redação

A candidata Margarida Salomão (PT), 70 anos, venceu a disputa pela Prefeitura de Juiz de Fora neste domingo, 29 de novembro, por 54,98% dos votos válidos – 144.529.

Margarida deixará o mandato como deputada federal na Câmara dos Deputados para ser a primeira mulher a chefiar o Executivo na cidade. A petista vai suceder o prefeito Antônio Almas (PSDB).

O adversário Wilson Rezato (PSB) recebeu 118.349 dos votos válidos (45,02%). Brancos e nulos, somaram, respectivamente, 7.992 votos (2,74%) e 19.972 votos (6,87%).

Margarida Salomão é professora emérita da Universidade Federal de Juiz de Fora, com Doutorado e Pós-Doutorado pela Universidade da California, em Berkeley. É deputada federal desde 2013. Foi reitora, reeleita da UFJF entre 1998 e 2006. Durante este período, foi também dirigente nacional da Associação Nacional de Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior. Em 2008, 2012 e 2016 foi candidata pelo PT à Prefeitura de Juiz de Fora, chegando todas as ocasiões no segundo turno.

Eleita para a primeira suplência da legenda em 2010, ela alcançou a maior votação já obtida por um candidato à Câmara dos Deputados em Juiz de Fora. Margarida tomou posse efetivamente do mandato em janeiro de 2013. Foi reeleita em 2014, se tornando a deputada majoritária de Juiz de Fora e em algumas cidades da Zona da Mata. Reeleita em 2018 com 89.378 votos. É autora da Emenda Constitucional 85, que estimula o desenvolvimento científico, tecnológico e a inovação, com o objetivo de impulsionar a pesquisa nacional e a criação de soluções tecnológicas para o setor produtivo. Participou ativamente da elaboração e aprovação do Plano Nacional de Educação, como Membro Titular da Comissão Especial criada para tratar deste tema.

Em sua carreira política, foi secretária municipal de Administração e de Governo da Prefeitura de Juiz de Fora entre os anos de 1983 e 1988. "Valorizou os servidores com a criação de um plano de carreira e a realização de concursos públicos para o quadro municipal. Dinamizou o processo de atendimento com a  sistematização dos procedimentos administrativos, permitindo que as demandas da população fossem solicitadas pelo telefone, evitando filas e o trânsito de muitas pessoas dentro das repartições públicas".

Entre 1994 e 1998 foi Pró-Reitora de Pesquisa iniciando o processo de expansão da pós-graduação na UFJF. "Como reitora da UFJF, incentivou a participação popular e a inovação como pilares de sua administração. Liderou a criação do Centro Regional de Inovação e Transferência de Tecnologia (CRITT), com o objetivo de aproximar Universidade e Sociedade no campo do desenvolvimento, finalidade para a qual também militou na criação da Agência do Desenvolvimento de Juiz de Fora e Região".

"Sempre com o objetivo de fomentar alternativas na área de expansão do trabalho e da renda, implantou em 1998 na UFJF a INTECOOP, Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares, iniciativa que inaugura em Juiz de Fora o campo da Economia Solidária, importante inovação na área do desenvolvimento econômico e social. Em 1999, num período de grande restrição de recursos para as universidades federais, Margarida liderou o esforço para a criação dos novos cursos de Engenharia da Produção e Turismo, além de ter multiplicado multiplicar por quatro as vagas de curso noturnos, para garantir o acesso à UFJF da população trabalhadora".

Inaugurou em dezembro de 2001 a terceira Casa de Parto do Brasil, em convênio com o Ministério da Saúde, dedicada exclusivamente à prática do parto normal.

"Em 2004, Margarida presidiu a decisão do Conselho Superior da UFJF de adotar o  sistema de cotas sociais e raciais para o ingresso nos cursos da Universidade, com vistas à inclusão dos grupos historicamente excluídos do acesso às instituições públicas de ensino superior. A  aprovação desta medida de justiça social pela UFJF antecede em oito anos a lei federal que estendeu esta decisão para todo o Brasil.

Ainda na área da saúde, Margarida construiu e inaugurou , em setembro de 2006, com a presença do Presidente Lula, o CAS, Centro de Atenção à Saúde do Hospital Universitário da UFJF. Na ocasião, o Presidente Luia declarou “Nenhuma cidade do Brasil tem um hospital desta qualidade”. Infelizmente, a gestão sucessora descontinuou a implantação do projeto e deu início a uma expansão  inacabada do HU".

Carreira acadêmica

Na área acadêmica, tem Graduação em Letras (1968-1971) pela UFJF; Mestrado em Linguística (1974-1976) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Mestrado em Linguística pela University of California System, UC System, Estados Unidos (1978-1980); Doutorado em Linguística (1986-1990) pela University of California System; Pós-Doutorado (2006-2007) pela University of California.

Na Câmara dos Deputados

"Margarida tem como pauta principal a representação de Juiz de Fora e dos municípios da região da Zona da Mata e Campo das Vertentes no Congresso Nacional. Ela sustenta ainda uma aliança histórica com os movimentos populares e sindicais de Juiz de Fora. Durante a década de 1980, foi dirigente da CUT na cidade. Como reitora, foi grande apoiadora de diversas entidades, instituindo a Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da UFJF, que foi determinante para a melhoria da organização de muitas iniciativas populares juiz-foranas. Sua atuação parlamentar também tem estabelecido uma aliança com as lideranças de bairro e sindicais do município.

É coordenadora da Frente Parlamentar em Defesa das Universidades Federais e da Comissão de Desenvolvimento Urbano. Foi autora da Emenda Constitucional da Inovação, que assegura a pesquisa e a inovação tecnológicas como assuntos prioritários de Estado. A deputada luta para reverter a política de cortes nos orçamentos das Universidades, Institutos Federais de ensino e pela implementação do Plano Nacional de Educação.

Votou contra o impeachment da presidenta Dilma, pela abertura das investigações contra o Temer, contra a terceirização irrestrita, a Reforma Trabalhista e da Reforma da Previdência. Foi presidente da Comissão Desenvolvimento Urbano em 2018. É coordenadora da Frente Parlamentar em Defesa das Universidades Federais. Atua contra as privatizações da Eletrobras, dos Correios, da Caixa Econômica e de todo o patrimônio brasileiro. Votou contra a privatização da Petrobras e a entrega do pré-sal às empresas estrangeiras.

Defende um plebiscito revogatório para anular a Reforma Trabalhista e a lei da terceirização e a Emenda Constitucional da morte (a do Teto dos Gastos), a anulação da entrega da Petrobras e de todo o patrimônio brasileiro às potências estrangeiras".

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