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    Amanda Beloti Amanda Beloti 27/05/2015

    Medula Óssea – "Não é só pelo Paulinho"

    Não é só pelo Paulinho. Frase parecida com um bordão ("Não é só pelos 20 centavos") que ouvimos dos brasileiros exaustivamente nos últimos meses. E, realmente, não é só por ele. Paulinho e Marina são apenas os gatilhos que precisávamos pra iniciar esta campanha, que já devia ser muito maior, há muito tempo. Não devíamos perder nossos parentes de Leucemia aqui no Brasil. Juntos, somos tantos! Mas sozinhos não somos ninguém, esta é a verdade.

    Na coluna passada expliquei COMO SER UM DOADOR, e nesta quero conscientizar: qual o papel de um doador? Mas antes, vamos frisar mais uma vez as etapas de cadastramento no REDOME (Registro de Doadores de Medula). Nunca é demais... Porque afinal... Você já se cadastrou? Quantos já levou para se cadastrarem?

    O nosso Banco de cadastrados é Internacional, importa e exporta medula óssea. Esta semana mesmo soubemos de dois doadores encontrados para duas crianças no Brasil: um daqui mesmo e o outro dos Estados Unidos. Esperança para todos nós! Dois em uma semana!

    O Ministério da Saúde nos pede, como profissionais de saúde, para esclarecer um ponto importantíssimo: como nosso país é muito grande, temos uma variabilidade genética enorme! Por isto é muito importante que as campanhas atinjam não apenas uma cidade ou arredores e que vocês DOADORES ou parente/amigo de pacientes que aguardam transplante, nos ajude a disseminar por outros estados brasileiros, outras cidades, outras regiões a campanha e como é simples se cadastrar!

    Os hemocentros do norte, centro-oeste e nordeste ainda recebem menos cadastros do que os do sul e sudeste, como me foi informado por um funcionário do INCA (Instituto Nacional do Câncer). E é buscando esta variabilidade que nós necessitamos que as campanhas atinjam cada vez lugares mais longes, com pessoas cada vez mais diferentes geneticamente. Minas Gerais é o estado que mais possui doadores cadastrados, o que pra nós é motivo de orgulho!!! Exatamente por isto, contamos MUITO com vocês! Entre em contato com um parente, um amigo, um conhecido que more em outro estado, outra região brasileira, principalmente norte, nordeste e centro-oeste. Peça para que ele procure um hemocentro da região e cadastre-se como doador! Agora você já sabe como faz e já pode recrutar novos soldados para esta luta!

    E, neste momento, gostaria de expor algumas questões cruciais, sobre quando nos tornamos doadores. Eu sou doadora cadastrada já há alguns anos... Doida pra ser chamada! Quando um paciente necessita fazer transplante e não possui doador na família, o REDOME (Registro de Doadores de Medula) é consultado. Se for encontrado um doador compatível, ele será convidado a fazer a doação. Para o doador, a doação será apenas um incômodo passageiro. Para o doente, será a diferença entre a vida e a morte.

    Mas é aí que alguns problemas muito graves começam a ocorrer e, é sobre eles que eu queria conscientizar os leitores desta coluna.

    Muitos se cadastram num momento de campanha em prol de uma pessoa ESPECÍFICA, na esperança de ser compatível com AQUELA pessoa e salvar a sua vida. Mas no momento que nos tornamos DOADORES DE MEDULA ÓSSEA, temos que ter consciência que estamos num Banco que é INTERNACIONAL, que importa e exporta a nossa medula óssea! Podemos ter nos cadastrado por causa de um ente familiar, ou um amigo querido em especial, mas podemos ser compatíveis anos depois com qualquer pessoa do mundo! E, infelizmente, MUITOS DOADORES desistem de fazer a doação. Porque dizem: "eu me cadastrei pra salvar o "fulano". Não pra outra pessoa.". Podemos pensar "nossa, que crueldade!", mas acontece com mais frequência do que imaginamos. Andei conversando com diversas amigas que trabalham na área, que me contaram que isso acontece, E MUITO!

    Outro problema fácil de ocorrer na "hora H" de um transplante: aparece um "tio avô" desinformado, que vem de uma época em que estes procedimentos nem existiam, época de procedimentos cheios de riscos, sem tecnologias, sem anestesias e medicações potentes, e enche a cabeça do doador de medos, mitos, lendas e etc. E aí o doador desiste, na boca do gol. Imagine a decepção de uma família que aguardou por tanto tempo esta compatibilidade RARA: 1 em 100 mil. Você achou seu "par perfeito", e ele desistiu porque fizeram medo nele. E também não é raro de acontecer não!

    Estou relatando aqui problemas que foram declarados como frequentes por estas amigas médicas hematologistas e pediatras. E isto não pode ocorrer. Nós, DOADORES POR OPÇÃO, temos que ter uma consciência MUITO certa do que estamos nos comprometendo: "Não é só pelo "fulano".". Não é só pelo seu ente querido, não é só pelo seu amigo, que na verdade foram incentivos pra que você se colocasse à disposição de salvar uma vida. É por todos os brasileiros e estrangeiros que necessitam achar seu "par perfeito", seu 1 em 100 mil, para continuar vivendo. Para as estatísticas, você é 1 em 100 mil. Para quem precisa, você é ÚNICO!

    Então amigos doadores, entrem nessa onda comigo: "Não é só por uma pessoa". É pra que a gente possa aumentar a chance de vida de milhares de pessoas no mundo inteiro. Salvar a vida de um conhecido que a gente ama é muito fácil. Mas quer coisa mais linda e altruísta que salvar a vida de um desconhecido?


    Amanda Beloti é fisioterapeuta graduada em 2009 pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Cursa Especialização em Fisioterapia Traumato-Ortopédica pela mesma instituição. Instrutora Internacional de Pilates pela Pilates Plus (autorizada pela Associação Norte-Americana de Pilates). Sócia-proprietária do Consultório de Fisioterapia e Pilates STUDIO A. Saiba mais.

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