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    Preconceito ainda é um dos principais problemas enfrentados no tratamento da hanseníase

    Somente em Minas Gerais, foram notificados 1.349 novos casos da doença no ano passado. O tratamento é oferecido pelo SUS

    Nathália Carvalho
    Repórter
    29/1/2013
    Tratamento hanseníase

    A hanseníase é uma doença que tem tratamento e tem cura. Contudo, a falta de informação precisa sobre o assunto faz com que muitas pessoas deixem de se prevenir e de se cuidar. No Dia Mundial de Luta contra a Hanseníase, celebrado nesta quarta-feira, 30 de janeiro, os dermatologistas chamam a atenção para um dos principais problemas relacionados à doença, o preconceito.

    De acordo com a Secretaria de Saúde de Minas Gerais, somente no Estado, foram notificados 1.349 novos casos de hanseníase no ano passado, sendo que, deste total, 12,3% apresentavam deformidade decorrente do avanço da doença. Os casos de hanseníase estão distribuídos por toda Minas, mas a situação merece maior atenção na divisa com a Bahia, Espírito Santo, Goiás e Distrito Federal. O Brasil ainda é o segundo país do mundo com mais casos da doença, ficando atrás apenas da Índia.

    "Temos vários focos de endemia aqui na região Sudeste do país, mas é baixo quando comparamos a outros estados, como os do Nordeste. Ainda assim, com a alta migração, é importante ressaltar os cuidados necessários para evitá-la", explica a dermatologista coordenadora do ambulatório de hanseníase do Hospital Universitário (HU) da UFJF, Vânia Piccinini. Segundo ela, a taxa de novos casos em Minas varia em 7 a cada 100 mil habitantes. "O ideal de controle seria 1,5 para cada 100 mil", diz.

    Preconceito

    Para a dermatologista, o problema do preconceito ligado à doença é proveniente de tradições históricas. "Desde a antiguidade, os leprosos eram vistos de maneira negativa, como pessoas doentes, eram excluídas e banidas da sociedade. O nome lepra mudou aqui no Brasil para hanseníase exatamente por causa desse estigma criado, mas, infelizmente, ainda existe bastante preconceito", diz. Além disso, segundo ela, um dos maiores causadores dos altos índices de infestação em determinadas partes do Brasil está relacionado à falta de informação sobre a doença.

    Contágio e sintomas

    Conforme explica Vânia, a hanseníase é uma doença infecciosa e atinge a pele e os nervos dos braços, mãos, pernas, pés, rosto, orelhas, olhos e nariz. Ela é causada por uma bactéria é transmitida pela inalação de bacilos eliminados nas secreções das vias respiratórias de doentes sem tratamento. O tempo entre o contágio e o aparecimento dos sintomas é longo e varia de dois a cinco anos. "É importante lembrar que quando detectamos o caso em alguém da família, é necessário examinar os outros membros, principalmente aqueles que possuem contato íntimo com o doente. É uma doença de fácil contágio, realizado pela saliva, mas o paciente tem que ter predisposição para pegá-la", explica.

    Entre os sintomas, os principais são as feridas indolores no corpo, perda de sensibilidade no local, manchas de aparecimento lento e progressivo, avermelhadas, esbranquiçadas ou acastanhadas. São manchas que não causam coceira, mas que produzem a sensação de formigamento, ficando dormentes, com diminuição ou ausência de dor, da sensibilidade ao calor, frio e toque. "É uma doença crônica infecciosa, que atinge principalmente a pele e os nervos e, se não for tratada adequadamente, pode causar sérias lesões."

    Tratamento

    Apesar de altamente contagiosa, a hanseníase é uma doença de fácil tratamento, que costuma durar de seis a 12 meses, dependendo do caso. "Não temos exames ambulatoriais para detectá-la e isto é feito por meio clínico, com base em análise de alteração de sensibilidade e histórico do paciente. É importante procurar um médico ao sentirem os sintomas porque, caso contrário, o doente poderá ficar passando a doença sem saber", explica. Após o diagnóstico, é necessário realizar o tratamento, oferecido gratuitamente pelo Sistema de Saúde Pública (SUS).

    "Quando realizadas as doses certas, o tratamento poderá ser bem rápido. Com a chamada poliquimioterapia, conseguimos que, após uma semana consumindo os remédios, o paciente já não seja mais capaz de transmitir a doença. Com isso, os números de novos casos da hanseníase estão diminuindo pelo país", garante. Os medicamentos devem ser tomados todos os dias em casa e uma vez por mês no serviço de saúde. Também fazem parte do tratamento exercícios para prevenir as incapacidades físicas, além de orientações da equipe de saúde da família. Em Juiz de Fora, o tratamento está disponível na cidade pelo HU. O funcionamento do ambulatório de hanseníase ocorre às quartas e sextas-feiras, a partir de 7h30.

    Campanha

    Em comemoração à data, o HU irá realizar uma campanha de conscientização na quarta, de 9h às 16h, no Calçadão da rua Halfeld, Centro. Segundo a assessoria da instituição, a ação tem caráter informativo sobre formas de prevenção e identificação da doença, com a distribuição de materiais educativos. No local, não serão realizados consultas e exames médicos. "É uma data para chamarmos a atenção das pessoas, para lembrá-las de como é fácil diagnosticar e tratar a hanseníase", explica Vânia.

    Os textos são revisados por Juliana França

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