Sábado, 18 de julho de 2020, atualizada às 11h40

Pandemia estaria sob controle em JF se isolamento não tivesse sido flexibilizado, aponta UFJF

Da redação

Nota técnica publicada pelo Programa de Pós-Graduação em Modelagem Computacional (PGMC) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) prevê mais de 5 mil casos acumulados de Covid-19 na cidade até o final de julho, caso as medidas de flexibilização continuem no nível atual.

Segundo um dos pesquisadores do grupo, Rodrigo Weber, "se o isolamento social não tivesse sido flexibilizado, teríamos um número total de confirmados abaixo de 2000 casos até o final de julho, a pandemia já estaria sob controle”. O documento mostra que se as medidas de isolamento social voltarem ao nível observado antes do dia 3 de junho, o cenário muda e seriam previstos 4000 casos até o final de julho. “Assim, as projeções indicam que um isolamento social mais eficaz beneficiaria a cidade, reduzindo a velocidade de transmissão e antecipando a fase de estabilização, ou mesmo a fase de decaimento do número de infectados. Dessa forma, o isolamento é bom também para a economia, pois trazendo o pico e a estabilidade para mais cedo, podemos começar a reabertura mais rapidamente”, enfatiza Weber. Esta é a terceira nota técnica publicada pelo grupo. A primeira, publicada no dia 30 de março, já alertava para o risco da flexibilização do isolamento social.

Mudança da dinâmica pandêmica na cidade

De acordo com Weber, pela primeira vez os pesquisadores tiveram que separar a dinâmica da pandemia no município em dois momentos diferentes: o cenário anterior ao dia 3 de junho e o cenário atual, após 3 de junho. Isso foi preciso porque neste dia, o registro de casos de Covid-19 detectou um aumento exponencial acelerado dos números de infectados e óbitos. “Percebemos que esse alto crescimento aconteceu exatamente 15 dias depois de termos flexibilizado as medidas de isolamento social na cidade”, esclarece Weber. Segundo o pesquisador, diferente da tendência nacional, em Juiz de Fora a notificação – o número de testes feitos – aumentou pouco e não justifica esse aumento exponencial.

Projeções para 28 de julho

Foram apresentados três cenários distintos com relação às medidas de isolamento social para os próximos 15 dias de projeção: a continuação do cenário atual, um cenário otimista e um cenário pessimista. No cenário otimista considerou-se o aumento do distanciamento social, e no pessimista a flexibilização do distanciamento.

A comparação entre as simulações usando o cenário pessimista e o otimista revelam diferenças quantitativas significantes. A diferença entre as duas projeções é de mais de 800 mil casos confirmados de Covid-19 no Brasil, 104 mil em Minas Gerais, 4.014 em Juiz de Fora e 105 em São João Del Rei para o dia 28 de julho. O mesmo ocorre para o número de óbitos. O estudo sugere que uma política de isolamento mais restritiva e eficaz pode salvar dez mil pessoas no Brasil nas próximas duas semanas. De acordo com o grupo, estes resultados corroboram com outros estudos nacionais e internacionais que sugerem que políticas de distanciamento social são essenciais para o controle da pandemia de Covid-19.

Credibilidade do método

Comparando as previsões feitas anteriormente e publicadas nas notas técnicas anteriores, os pesquisadores notaram que os valores notificados para infectados, óbitos, internações hospitalares em leitos simples e em leitos de UTI estavam dentro das faixas das previsões ou muito próximos destas, o que dá credibilidade ao método adotado.

O grupo observou uma diminuição no fator de redução de contato via políticas de distanciamento social em Minas Gerais. A estimativa de 18 de abril sugeria que 60% da população se encontrava isolamento social. A nova aponta para cerca de 48% da população em distanciamento social voluntário. De acordo com os pesquisadores, este cenário afasta o Brasil ainda mais dos números encontrados em países que conseguiram controlar a pandemia, que fica entre 75% e 90%.

A nota foi feita em parceira com o departamento de Ciência da Computação da Universidade Federal de São João Del Rei (UFSJ), pelos pesquisadores Ruy Freitas e Rodrigo Weber (UFJF) e Rafael Sachetto Oliveira e Carolina Ribeiro Xavier (UFSJ).

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