Ana Stuart Ana Stuart 7/2/2011

O desafio do atleta

Imagem de corredoresOs atletas são movidos a desafio, dor, estímulos e etc. Como são pessoas que aprendem a lidar com a dor, adquirem um ego elevado. Boa autoestima pela vitória sobre si mesmos. A busca pela perfeição é constante, com isto a busca pelo sucesso também.

O perigo é quando se tornam egocêntricos e passam a viver em torno desta eterna busca... Levando isto para o campo da afetividade, passam a se relacionar com pessoas "saradas", belas. Muitas vezes, esquecendo-se dos verdadeiros sentimentos. E, com isto, acabam caindo no vazio da incompatibilidade, gerando depressão, inconstância, através de relacionamentos "ioiôs", no eterno vai e vem.

Os bodyholic's, os overtraining's, os overuse's, ou addiction to body worship's, como são chamados, tornam-se verdadeiros robôs, escravos do próprio corpo. Adoecidos pela vaidade. Quando atletas profissionais, são privados do prazer da comida e algumas vezes do prazer do sexo, do convívio e outros...

O único prazer que podem ter é o prazer da dor. Com a única finalidade de vencer as competições. São privados de gostar dos lugares por onde passam, seu único objetivo é vencer e vencer, tanto a competição quanto a si mesmo, constantemente. E, na maioria das vezes, são cobrados pelos patrocinadores de forma implacável e consequentemente pelos treinadores.

Quando se veem fora disto, tudo ficam meio ou inteiramente pedido dentro de seus egos, suas emoções, afinal são programados para o "desafio". O maior desafio dos atletas com este perfil está dentro deles mesmos e não no poder da conquista.

Imaginar que, quando o tempo os alcançar, deverão estar em equilíbrio consigo mesmos, cultivando amizades fora deste meio, valorizando as belezas do espírito. Deixando o ego de lado, desenvolvendo a sensibilidade emocional.

Neste processo de desenvolver a sensibilidade emocional, passam pela fase de adolescentes inseguros, é normal, pois nessa fase, considerada rito de passagem, estavam mais preocupados com os músculos e a força física do que com o processo de maturidade.

E como passaram a maior parte do tempo em treinamentos maciços e intermináveis, só conviveram com pessoas que passavam pelo mesmo processo e que possuíam os mesmos objetivos. Os familiares sempre juntos e participativos.

Por isso, ao se verem fora das competições, sentem-se crianças emocionais, com dificuldade de sair de perto da família, para assumir a própria vida, com suas companheiras ou com seus companheiros, inseguros para assumir relacionamentos que não envolvam desafios.

E isso vem ocorrendo não só com os atletas profissionais, mas com a maioria dos atletas que cultuam apenas o corpo.


Ana Stuart
é psicóloga e terapeuta familiar

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