Que tal um acampamento para sair da rotina? Mochileiros dão as dicas de ótimos lugares para acampar
e contam as histórias de suas viagens


Guilherme Arêas
*Colaboração
04/07/2007

Pegar um trânsito intenso diariamente, encarar um chefe que não larga do seu pé... A sua vida pode estar um tanto quanto complicada. Que tal juntar a mochila, a barraca e a disposição e partir para um acampamento nas férias? Opções não faltam. Só em Minas Gerais existem cerca de cinco parques e reservas florestais estaduais e nacionais.

A primeira dica de um belo lugar para um acampamento é dada pelo estudante universitário Rodrigo Tristão (foto). No município de Santa Bárbara do Monte Verde se encontra a fazenda Areia Branca.

O juizforano já foi cinco vezes com os amigos, mas afirma que o lugar não tem área específica para camping.

"Na verdade a gente nunca pediu autorização para acampar. Temos, inclusive, que pular uma cerca para chegarmos até lá", orienta.

Mas, para Rodrigo, o esforço vale a pena. "Lá é um lugar muito bonito. As cachoeiras são o grande destaque. Gosto de ficar andando e descobrindo novas cachoeiras", afirma.

A dica para que quer se aventurar no roteiro recomendado pelo estudante é repelente e muita roupa de frio.

"A Areia Branca é um lugar para quem não quer regalias; não tem infra-estrutura. É bom levar uma caixa de isopor para proteger os alimentos. Tudo lá você faz com areia: dorme, come...", brinca.

foto de Rodrigo Outra orientação é procurar o local nas épocas mais frias. Apesar das temperaturas mais amenas, no verão o rio leva parte da areia onde o estudante costuma acampar.

"Um dia chegamos lá e só tinha um pequeno pedaço de areia para abrigar cerca de dez pessoas. Foi preciso capinar o mato e distribuir a areia com as panelas que levamos para cozinhar. Gastamos cerca de três horas para fazer isso", lembra Rodrigo.

A cidade de Santa Bárbara do Monte Verde fica a cerca de 50km de Juiz de Fora.

Se há um lugar em crescimento na cotação dos praticantes de esporte de aventura no Brasil, ele é Funil. Distrito da cidade de Rio Preto, é a dica da estudante universitária Juliana Miranda (foto abaixo).

Apesar de não dispor de área de camping, Rio Preto oferece várias cachoeiras, entre elas a da Água Vermelha. "Essa cachoeira é muito bonita e realmente a água tem um tom avermelhado. É um lugar que eu destaco em Rio Preto", afirma Juliana.

foto de Juliana Quando fez essa aventura à Serra do Funil, Juliana e um grupo de amigas acamparam em um campo de futebol. A recomendação é que não falte uma lanterna dentro da mochila.

"Uma das meninas que foram acampar conhecia moradores de Rio Preto. Então, nós conseguimos tomar banho durante o tempo em que ficamos lá. Mas essa seria uma grande dificuldade para quem vai acampar", salienta. Saindo de Juiz de Fora, pegando a BR-040, depois a MG-353, a viagem não dura nem uma hora.

"Nada é fundamental quando o intuito é acampar. Só fogo é fundamental. Então, levar uma caixa de fósforos é importante. Essa história de fazer fogo esfregando um pedaço de madeira é lenda", brinca Rodrigo. Mas se você ficou animado com esses roteiros e já quer preparar a sua mochila para colocar o pé na estrada, tenha calma. Confira algumas dicas importantes para que a sua viagem de acampamento não seja frustrada.

Outros roteiros

O portal ACESSA.com preparou algumas sugestões para você que está acostumado a encarar os acampamentos, além de dicas para quem nunca se aventurou.

Aiuruoca

Se você procura um local tranqüilo, com paisagem bucólica e diversas opções de trilhas e cachoeiras, esse lugar se chama Aiuruoca, que em tupi quer dizer "Casa do Papagaio". A região é cercada pela Estação Ecológica da Serra do Papagaio e, no inverno, as temperaturas são bem baixas. Se você pretende uma aventura nessa região agora, no meio do ano, prepare-se para o frio. Existem diversas pousadas, algumas delas ficam dentro da Reserva Ambiental do Matutu.

Para quem quer acampar, o camping selvagem é permitido. A Reserva do Matutu é uma área particular de preservação, que fica dentro da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica. Outra boa opção é a Cachoeira dos Garcia, com queda d'água de 22 metros e piscina natural onde se pode nadar. Para chegar até Aiuruoca, basta pegar a BR-040 e depois a BR-267, sentido Caxambu. A cidade fica a cerca de 190 km de Juiz de Fora.


Ibitipoca

Roteiro tradicional dos mochileiros de Juiz de Fora, Ibitipoca reúne, em uma caminhada, cerca de 18 km de variedade impressionante de grutas, canyons, cachoeiras e lagoas. Extensão da Serra da Mantiqueira, o Parque Estadual de Ibitipoca protege mais de 20 cavernas, além de espécies vegetais e animais raras.

Em três dias de trilhas, é possível conhecer tudo isso. Quem vai, comenta que o pôr-do-sol tem a maior variedade de tons vermelhos e azuis de toda a região, especialmente em dias mais frios, quando quase não se forma névoa no céu.

A infra-estrutura da Vila de Conceição de Ibitipoca é simples, com pequenas pousadas e campings localizados no caminho para o parque. De Juiz de Fora até Ibitipoca, pela BR-040, posteriormente, BR-267, dá uma viagem de cerca de duas horas.


Monte Verde

Localizada no sul de Minas, Monte Verde lembra muito as cidades européias, sendo conhecida como "A suíça mineira". Além disso, Monte Verde mantém boa parte da Serra da Mantiqueira, onde se localiza, conservada, oferecendo para o turista diversas opções de caminhadas em meio à natureza. Está a 1600 metros de altitude, e apresenta clima seco e ameno com temperaturas negativas durante o inverno. Monte Verde fica a cerca de 400km de Juiz de Fora e para ter acesso à cidade você precisa pegar a BR-040, MG-267 e BR-381 (Fernão Dias).


Pico da Bandeira

Minas Gerais abriga apenas 30% do Parque Nacional do Caparaó (a outra porção pertence ao Espírito Santo), mas as belezas do Pico da Bandeira fazem dele um lugar que deve ser visitado. O parque é composto de Mata Atlântica e Campos de Altitude, oferece um visual grandioso e muitos rios e cachoeiras para banho. O Pico é o terceiro ponto mais alto do Brasil, com 2.897 metros de altitude.

A fauna é muito rica, com alguns exemplares de pequeno porte como gambá, cachorro-do-mato, guaxinim, quati e gato-do-mato. Ainda existem exemplares de onça-parda, jaguatirica e onça pintada. O Parque possui, ainda, outros dois picos bastante altos: o do Cristal (2.798 metros de altitude) e o do Calçado (2.766 metros de altitude).


Serra do Cipó

Localizado a cerca de 100 km de Belo Horizonte, o Parque Nacional da Serra do Cipó é destino obrigatório para quem vai à capital, com inúmeras cachoeiras, rios e cavernas. Água é o que não falta neste recanto, que é um dos preferidos dos mineiros. Há opções para todos os gostos. Cachoeiras para a calmaria e, para os mais agitados e aventureiros, a alternativa são as trilhas e canyons.

Outra modalidade muito vista na Serra é o back pack, ou o turista mochileiro, que anda em caravana ou sozinho. O parque não possui área de camping, mas existem várias opções nas redondezas. A maneira mais fácil de chegar ao parque é partindo de Belo Horizonte pela MG-010, passando por Lagoa Santa. Após o km 94, segue-se mais 3 km pela estrada de terra que leva até a entrada do parque.

*Guilherme Arêas é estudante de Jornalismo da UFJF

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