Terça-feira, 19 de janeiro de 2010, atualizada às 17h02

Revitalização do Largo de São Francisco, em São João del Rei, vai seguir projeto paisagístico de 1986

Clecius Campos
Repórter

Após protagonizar os episódios da queda e da derrubada de 14 palmeiras imperiais, o Largo de São Francisco, famosa praça em frente à Igreja de São Francisco de Assis, em São João del Rei, finalmente poderá ser revitalizado, seguindo projeto paisagístico de 1986, assinado pelo paisagista Roberto Burle Marx.

"Burle Marx era um pesquisador curioso e fez várias viagens pelo interior do Brasil, descobrindo novas espécies de bromélias e uma boa parte da flora nacional. Em visita a São João del Rei, em 1986, ele doou um projeto paisagístico à Venerável Ordem Terceira de São Francisco de Assis. Não há documentação específica, informando o motivo de o projeto não ter sido executado naquela época. O que sabemos é que parte do planejamento foi feito", informa o chefe do escritório do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em São João del Rei, Mário Antônio Ferrari.

Ferrari refere-se à paginação de pisos e canteiros que atualmente formam o largo e está contida no projeto de Burle Marx. A disposição da grama, até pouco antes do início da revitalização, também seguia o plano do paisagista. "O projeto só não foi finalizado no plantio dos arbustos e árvores brasileiras, conforme pretendia Burle Marx. Com esse plantio, que será iniciado logo após a instalação do sistema de irrigação automática, o jardim vai ganhar um ar mais brasileiro, com manacás, quaresmeiras, ipês, jacarandás e filodendros."

Segundo Ferrari, a principal mudança a ser observada, quando os tapumes que cercam o largo forem baixados, é que o jardim finalmente ganhará um desenho paisagístico. "O que tínhamos até a reforma era um paisagismo de modismo, com a presença de pingos de ouro, plantados sem projeto. O visitante poderá ver a grande marca de Burle Marx, que valorizava a vegetação de arbustos em seus planejamentos."

Foto do plantio das palmeiras Foto do plantio das palmeiras

As 21 palmeiras imperiais, cujas sombras formarão as cordas da lira, instrumento musical que inspirou o formato do largo, estão plantadas e têm hoje, aproximadamente dez metros de altura. Segundo Ferrari, a expectativa é de que o desenho, formado pelas sombras, possa ser visto novamente quando as árvores tiverem aproximadamente 20 metros de altura. "A estimativa é de que sejam necessários de 20 a 30 anos, para que as árvores alcancem os 45 metros das plantas antigas."

A intenção é inaugurar o novo projeto no dia 4 de março, data do centenário de nascimento do ex-governador de Minas Gerais e ex-presidente da República, Tancredo Neves. A obra é financiada em parceria entre a Venerável Ordem Terceira de São Francisco de Assis, a Prefeitura de São João del Rei, o Instituto Estadual de Florestas (IEF), a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e a Companhia Industrial Fluminense.

Ao longo dos dois últimos anos, o Largo de São Francisco perdeu 14 de suas 21 palmeiras. Treze foram derrubadas, devido ao risco de queda causado por uma doença que secou as folhas e o palmito das plantas, e uma caiu pela força de um temporal.

Os textos são revisados por Madalena Fernandes

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