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    Prédio das Repartições Municipais e Câmara dos Vereadores O poder público de Juiz de Fora é abrigado por prédios que valorizam a cultura


     

    *Marinella Souza
    Colaboração
    23/04/2008

     

    Era 1944 quando as obras do prédio das Repartições Municipais enfim ficaram prontas. Depois de 30 anos entre a primeira e a última fase, o prédio onde o poder público municipal permaneceria por mais de cinco décadas ficou do jeito que o seu idealizador, o arquiteto Rafael Arcuri, imaginava. Seguindo o parâmetro arquitetônico da época, a obra foi construída em estilo eclético, buscando harmonizar elementos clássicos.

    Especialistas garantem que nas colunas e sacadas do prédio equilibram-se guirlandas, animais e seres mitológicos, o que valoriza a simetria dos painéis diferenciados. O eixo central da edificação se localiza em uma esquina, destacada por uma sacada, uma cúpula e um relógio. Por ser destinado à Prefeitura, sua estrutura se assemelha a de um palanque.

    Hoje, o prédio continua a abrigar repartições públicas, ligadas ao poder municipal. Lá estão a Fundação Alfredo Ferreira Lage (Funalfa) e o posto de atenção ao cidadão, JF Informação e é um ponto de referência para os habitantes da cidade. Nascido e criado em Juiz de Fora, José Garcia, mais conhecido como Zezé Garcia, figura ilustre no cenário carnavalesco da cidade, relembra saudoso do prédio que abrigara a Prefeitura, mas se rende aos encantos da valorização da cultura nos tempos modernos.

    "Conheço o prédio há 70 anos e tenho saudades do tempo em que era a Prefeitura porque ficava numa região central, de fácil localização. Mas a preservação dele através da Funalfa é muito importante para a cidade, porque é um incentivo à cultura local", diz. Impregnado de cultura e história política da cidade, a construção faz contraponto com outro prédio, localizado na outra esquina, o Clube Juiz de Fora - marcas de épocas diferentes de grande importância para a cidade.

    Foto da lateral do prédio Foto da fachada do prédio Foto da lateral do prédio

    Para a diretora de cultura da Funalfa, Berenice Simões Trogo, o prédio é mais do que uma simples obra, é um signo da cultura local. "A importância desse prédio passa pela história e pela arquitetura e tem a cara da cultura, visto que a edificação tem um valor histórico e artístico muito grande, que sensibiliza e promove uma grande identificação com os artistas e as pessoas ligadas à cultura", acredita.

    Foto da abóboda da sacada do
prédio Foto da esquina do prédio Foto do detalhe da janela

    Como todo imóvel tombado, trata-se de uma referência de permanência local, mantendo relações cíclicas com os ambientes públicos. Há quem diga que as Repartições Municipais são um ponto de referência, localizado em um local de referência, o entorno do Parque Halfeld, primeiro logradouro público da cidade.

    Câmara Municipal

    Compondo o cenário das repartições públicas do centro da cidade, está o prédio da Câmara Municipal. Inaugurado em 1878, o edifício quadrangular, recuado do alinhamento do passeio, possui escadaria frontal e pequenos jardins. Sua arquitetura segue o estilo clássico, organizado de forma tripartite, ou seja, um corpo central ligeiramente avançado e duas alas laterais simétricas, com três vãos. Enquadramentos ressaltados de portas e janelas, sobrevergas e o brasão com armas da República, são as características ornamentais do local.

    Foto da fachada da Melquita Foto de igreja invadindo a rua Foto da fachada da Melquita

    Antes da construção da Câmara, o terreno abrigava a Casa do Mercado e foi erguido para servir de sede para a Agência dos Correios. Somente depois de protestos tanto da Câmara quanto do juiz Barbosa Lima é que idéia foi deixada de lado. Construído em apenas dois anos, as reformas logo foram necessárias apenas cinco anos depois de sua inauguração. Em 1918, a Câmara dos Vereadores foi transferida para o prédio das Repartições Municipais, onde permaneceu até 1960. No final dos anos 70, a sede volta ao seu local de origem.

    **Fonte: Guia dos bens tombados de Juiz de Fora e revista Especial 151 anos da Câmara Municipal de Juiz de Fora

    *Marinella Souza é estudante de Comunicação Social da UFJF


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