Educação de Jovens e Adultos A possibilidade de retomar estudos abandonados ou nem iniciados
é aproveitada por mais de 10 mil pessoas em Juiz de Fora

Guilherme Oliveira
*Colaboração
01/03/2007

Uma escola de vida. O ensino de jovens e adultos em Juiz de Fora tem sido uma experiência marcante para professores, funcionários e alunos. A dedicação e empenho de quem está afastado das salas de aula há vários anos mostra como é possível descobrir novos mundos depois de tanto tempo.

André Miranda havia abandonado os estudos há 23 anos, estudando somente até a 2ª série do Ensino Médio. Depois de todo esse tempo viu na Educação de Jovens e Adultos (EJA) uma possibilidade de cursar o 3º ano. "Como estava há muito tempo sem estudar, decidi começar o Ensino Médio outra vez. Quando estava terminando, recebi o incentivo da minha família para fazer o vestibular". O resultado: André hoje está no 5º ano do curso de Administração.

A proposta de ensino na EJA é diferenciada do Ensino Regular. "A maioria dos alunos trabalha, cuida da família e tem outras responsabilidades. O ensino nesses casos tem que ser muito bem pensado", afirma a chefe do Departamento de Educação de Jovens e Adultos da Secretaria de Educação da prefeitura de Juiz de Fora, Suely Cardoso.

As escolas públicas municipais possuem cerca de 10 mil jovens e adultos matriculados, além de cerca de cinco mil que freqüentam os cursos semi-presenciais. "Os cursos semi-presenciais são importantes, principalmente, para quem trabalha em sistema de escala, e não tem como ir diariamente à escola", explica Suely.

Os alunos vão desde empregados buscando uma ascensão na empresa onde trabalham ou disputando uma vaga em concurso público até idosos aprendendo a ler e escrever. Suely afirma que "a grande demanda na EJA é no ensino médio, mas existem vários projetos para a educação e a alfabetização de idosos. Essa descoberta por parte deles é incrível".

Mais do que o ensino em si

A possibilidade de encontrar trabalhadores, donas-de-casa e pais de família em uma mesma sala de aula é enriquecedora. Para Messias de Oliveira Dias, coordenador de um curso de Educação de Jovens e Adultos, o ambiente se torna uma escola de vida.

"O carinho com os colegas de classe e o crescimento interno de cada um é uma conquista dos alunos. A experiência de vida de cada um deles enriquece e contribui em sala de aula. A gente acaba aprendendo muito mais do que fórmulas ou regras gramaticais", conta.

Seja para crescer profissionalmente, entrar para a faculdade ou aprender a ler. Quem trabalha com Educação de Jovens e Adultos tem certeza: nunca é tarde para recomeçar.

*Renato Costa é estudante de Comunicação Social da Universidade Federal de Juiz de Fora

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