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    Artigo
    Atenção: Contém Glúten
    ::: 28/04/2006

    Freqüentemente nos deparamos com esta frase estampada nos rótulos de diversos alimentos. A maioria das pessoas não sabem o que é o glúten e porque a legislação brasileira exige a presença deste alerta nas embalagens.

    O glúten é uma proteína encontrada nos cereais: trigo, centeio, aveia e cevada. Esta proteína possui uma capacidade elástica que quando desenvolvida no ato de esticar e amassar a massa confere a característica típica dos pães. Por isso não conseguimos fazer pães característicos com outros carboidratos (maisena, mandioca, fubá arroz, etc.)

    O alerta dos rótulos exigidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) deve-se a uma doença chamada Doença Celíaca, uma alergia intestinal ao glúten caracterizada por diarréia persistente seguida de perda de peso, anemia, dor de cabeça, descamações da pele, atrofia das vilosidades intestinais, seguida de desnutrição generalizada grave.

    É uma doença de difícil diagnóstico sendo confundida com várias outras.O diagnóstico é feito por biópsia intestinal onde decta-se o achamento da mucosa. É rara em negros, chineses e japoneses e atinge especialmente mulheres em idade reprodutiva. É forte as evidências da predisposição herdada. No Brasil estima-se que a cada 300 brasileiros, um é portador da doença celíaca só que a maioria não sabe.

    Uma nova onda de dieta atinge o Brasil. Trata-se da dieta sem glúten. Com argumentos pouco consistentes, cientificamente falando, ela promete combater a obesidade, melhorar o sistema imune e combater doenças como a artrite e artrose, reduzir as enxaquecas, combater depressão e carência de cálcio. Usando o argumento de que o glúten forma uma cola na parede intestinal bloqueando o seu funcionamento, o que é preciso biópsicos e necrópsias de animais para comprovar e ser creditado por exemplo por uma entidade científica de renome internacional.

    O glúten é uma das melhores fontes do aminoácidos glutamina um nutriente importante para a mucosa intestinal, para sistema imune e para o metabolismo muscular. O trigo é a base da alimentação de várias populações e os relatos do seu consumo vem de muito antes da idade antiga, sem transtorno alimentares, exceto a doença celíaca.

    A redução do consumo do pão implica em redução do consumo de calorias, uma vez que dentro dos pães normalmente vem gordura na forma de manteiga/margarina, requeijão, maionese, queijos, mortadelas o que torna explosiva a mistura caloricamente falando e daí esta redução de consumo levará a menor ingesta calórica e conseqüente redução da gordura abdominal.

    Sou a favor da redução do consumo do trigo por ser importado e acho que temos que valorizar nossos costumes, nossa cultura: nossos avós e bisavós comiam nos lanches preparações saudáveis a base de fubá, batata doce, inhame, e da nacionalíssima mandioca.

    Estamos diante de uma proposta radical de dieta com pouco embasamento científico.Acho cedo para concluir alguma coisa precisamos de mais argumentos científicos, trabalhos randomizados, amostragens seguras que tragam resultados conclusivos. O mercado oferece macarrão e arroz, já pães são poucos restando o pão de queijo (leia o rótulo) e biscoito de povilho.


    Arnaldo Pinheiro
    é nutricionista formado pela UFV em abril de 1992
    trabalhando na área de nutrição clínica, nutrição enteral
    e nutrição esportiva.

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