Artigo
Concursos Públicos: aspectos importantes e dicas fundamentais

::: 21/02/2005

Não é desconhecido que, atualmente, milhões de pessoas investem grande parte de seu tempo dedicando-se ao estudo para concursos públicos. Diante de um panorama econômico instável, a opção por tornar-se um servidor público e os benefícios oferecidos despertam o interesse de muitos. Entretanto, a trajetória de estudo, habitualmente, não é fácil. Os organizadores das provas testam os conhecimentos dos candidatos de forma rígida para que possam empregar funcionários bem preparados.

Foto:
ACESSA.com Neste contexto, alguns aspectos, como aqueles que englobam as emoções e o comportamento, tornam-se fundamentais para a conquista da aprovação. Desta maneira, com intuito de demonstrar as implicações que fazem parte do processo de estudo para concursos públicos e os fatores emocionais e comportamentais que o envolve, o caderno Psiquê, excepcionalmente, traz uma entrevista com Rodrigo de Castro Giotti (foto ao lado), recém aprovado no concurso para a Fiscalização da Receita Estadual do Estado de Minas Gerais.

Denise Melo - Conte-nos um pouco sobre sua trajetória profissional antes de iniciar seus estudos para concursos públicos.

Rodrigo Giotti - Formei em Administração de Empresas pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e fiz pós-graduação em Logística Industrial pela mesma Universidade. Enquanto estudava nesses cursos tinha como primeiro objetivo profissional trabalhar em uma empresa multinacional. Foi exatamente o que aconteceu. Comecei como estagiário e, por último, trabalhei como Assessor da Gerência. Já nessa fase, enxerguei que quando alguém tem, efetivamente, um objetivo a pessoa o atinge e em alguns casos, como aconteceu comigo, é possível superar esse objetivo. Eu não pensava que chegaria a ser assessor de um gerente de uma multinacional.

Foto:
ACESSA.com Denise Melo - Por que optou pelos concursos públicos?

Rodrigo Giotti - Acima comentei sobre um dos meus objetivos profissionais, ou seja, um dos planos que tinha para quando terminasse minha graduação em Administração de Empresas. Além desse plano profissional, existia outra possibilidade. Acredito que o sucesso na carreira depende, primeiramente, de ter objetivo firmado, um propósito. Somando a isso, creio que é recomendável ter dois planos em mente, pois caso um deles não transcorra exatamente como se idealizou, evita-se surpresas exageradas e desespero. Para tudo que faço costumo ter o que chamo de 'Plano A' e 'Plano B'. Então, como dizia, o meu 'Plano A' era trabalhar em uma grande empresa, e isso, verdadeiramente, aconteceu. Entretanto, no meio do processo o plano falhou. Devido às condições macroeconômicas desfavováveis que o país enfrentava na época, tive meu contrato rescindido. Então, diante desse novo panorama, percebi que seria interessante investir no meu 'Plano B', uma vez que este já estava delineado. Este corresponderia a estudar para os concursos públicos da Receita Federal e Estadual.

Além disso, optei por concurso público por causa da remuneração e da estabilidade no serviço. Vale dizer também que o profissional que trabalha na área pública tem mais tempo para a família. Ele consegue ver seus filhos crescerem, acompanhando seu desenvolvimento. Na minha opinião, este profissional tem mais qualidade de vida em todos os aspectos.

Denise Melo - Na sua opinião, quais são os principais aspectos comportamentais e emocionais que englobam o processo de estudo para concursos públicos?

Rodrigo Giotti - Essa pergunta é muito importante. Sempre que oriento meus colegas para esse processo de estudo para concursos públicos comento sobre aspectos comportamentais e emocionais. Desta maneira, acredito que antes da pessoa iniciar o estudo para concurso ela tem que trabalhar esses aspectos, pois caso não o faça, provavelmente desistirá no meio do caminho.

Foto:
ACESSA.com Vale a pena investir tempo no preparo para o estudo, pois não adianta estudar compulsivamente sem método e sem embasamento tanto operacional quanto emocional. William Douglas, no livro 'Como passar em provas e concursos', pontua, metaforicamente, que quando o lenhador golpeia incessantemente a madeira com um machado sem corte, faz força desnecessária sem sucesso, ao passo que quando amola sua ferramenta, previamente, obtém resultado melhor. Assim, quando o concursando prepara-se, também emocionalmente, para enfrentar o período de estudo, independente do tempo que ele durar, a possibilidade de sucesso aumenta.

Nesse sentido, a pessoa tem que ter muita persistência e dedicação, pois concurso não se faz PARA passar, mas sim ATÉ passar. Então, é importante que a pessoa mantenha sua auto-estima elevada e sempre pense positivo. O livro do Nuno Cobra, 'A Semente da Vitória' me ajudou bastante nesse ponto.

Além disso, é fundamental conciliar lazer e estudo. Não adianta ficar 100% do tempo estudando e não relaxar, pois nessa circunstância não há assimilação suficiente de conhecimento. Isso acarreta a perda de tempo, desmotivação e cansaço exagerado.

Foto:
ACESSA.com Assim, é importante a prática de exercício físico para oxigenação do cérebro, o que melhora a memória. É importante, também, cercar-se de pessoas positivas. Elas serão fortes aliadas, principalmente em momentos de tristeza e desânimo, pois nesses momentos elas sempre têm uma palavra de otimismo e estímulo. No meu caso, particularmente, considero a crença em Deus como fonte inesgotável de apoio, juntamente, é claro, da família e de amigos.

Outro aspecto emocional importante é não se sentir derrotado com a reprovação nas provas. À medida que se estuda corretamente o candidato vai se aperfeiçoando gradativamente. Assim, a cada prova os resultados tendem a ser melhores e, então, uma possível reprovação por um número pequeno de pontos é motivo de alegria, pois significa que a aprovação está próxima. Sempre se deve vislumbrar o erro como um potencial de melhoria. Uma questão errada hoje pode ser a questão que irá garantir sua aprovação amanhã.

Denise Melo - Qual o principal fator que influenciou na sua aprovação para o último concurso que você fez?

Rodrigo Giotti - Não posso dizer que houve um fator principal, na verdade foi um conjunto de fatores que influenciou. Primeiramente, considero que o fato de eu gostar de estudar e ter tido uma boa base nos ensinos fundamental, médio e superior me ajudou bastante.

Além disso, o planejamento de três meses anteriores aos estudos foi fundamental. Trabalhei tanto os aspectos comportamentais e emocionais, conforme já mencionei, quanto à parte operacional, como escolha de bons livros, dos cursos preparatórios e professores, o preparo do ambiente de estudo, a conscientização de adotar hábitos saudáveis de alimentação, a importância do sono e de técnicas de memorização.

Tudo que já comentei até agora, nesta entrevista, estava comigo no dia da prova: Deus, dedicação, persistência, auto-estima elevada, lazer, etc. No dia da prova, em função de toda essa preparação, estava tranqüilo, seguro, determinado e, além de tudo, confiante na minha aprovação.

Denise Melo - Que mensagem você deixaria para quem ainda está percorrendo o caminho de estudo para concursos?

Foto:
ACESSA.com Rodrigo Giotti - Faça de seu estudo para concurso público um projeto de vida. Obtêm bom resultado, mais rapidamente, aqueles que são mais decididos na vida, que abrem mão de outras oportunidades, que investem tempo e dinheiro na sua preparação. Em média, são dois anos de árduo estudo, de muitas privações, de muito esforço, mas que serão compensados pela tranqüilidade que a pessoa terá para o resto de sua vida.

Finalizando, deixo a mensagem da psicóloga Maria Tereza Maldonado, que em artigo para a Revista Vida, do Jornal do Brasil, de 05 de fevereiro de 2005, revelou: "Reclamar compulsivamente paralisa as iniciativas de mudança e reduz nosso poder de modificar situações insatisfatórias. Esperar que a vida seja mais generosa em ofertas de oportunidades, em muitos casos, significa a recusa de exercer o próprio poder de escolher outro rumo e abrir novos caminhos de vida. É frustrante ficar esperando acontecer, acumulando amargura e ressentimento, em vez de fazer acontecer."

Deixo registrada, também, a frase de um dos ícones da indústria automobilística mundial, Henry Ford: "Se você acredita que pode, ou se acredita que não pode, você está certo."


Denise Mendonça de Melo
é psicóloga, formada pelo
Centro de Ensino Superior
de Juiz de Fora.
Saiba mais clicando aqui.



Conteúdo Recomendado

Comentários

Ao postar comentários o internauta concorda com os termos de uso e responsabilidade do site.