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    Juliana Machado Juliana Machado 1º/10/2014

    A água, o otimista, o pessimista e o realista

    aguaHá uma frase usada em palestras motivacionais que diz mais ou menos o seguinte: Ao olhar para um copo com água até a metade, o otimista vê o copo quase cheio. O pessimista vê o copo quase vazio. Já o realista vê o copo com metade de água. Eu começo a coluna de hoje sendo a ecochata alarmista: Para nós o copo está vazio. E isso não é mais uma metáfora meus caros. Estamos de fato vivendo uma situação caótica no que diz respeito aos nossos recursos hídricos. Quero ver pensar em otimismo ou pessimismo sem ter água para beber entre uma reflexão e outra. Estamos nesse ponto.

    "Avanço da seca em Minas vira estopim de batalha pela água"; "Seca nascente do Rio São Francisco, em Minas Gerais"; "Um dos principais afluentes do São Francisco também está seco"; "Moradores de três bairros reclamam de falta d'água"; "Represa quase seca em São Pedro"... Estas são algumas das manchetes coletadas na última semana nos jornais do nosso país (e da nossa cidade), que nos mostram que, sim, a situação está complicada. E sabe, mesmo assim, o que eu continuo vendo é um verdadeiro desinteresse de muita gente. Vamos continuar com nossos longos banhos, enchendo as piscinas de plástico, lavando nossos possantes e deixando a pouca, rara e indispensável água limpa ir embora. Já contei para vocês do desespero que sinto ao ver essa água limpinha se misturar ao nosso esgoto-rio? Me deixa triste... a vocês também?

    O que você faz sem água? Pense uns cinco minutinhos. Te garanto que sua resposta vai ser: "Nada". Porque a gente quer beber uma água limpinha quando chega em casa cansado do trabalho. Quer tomar um banho merecido. Lavar as roupas, deixar a casa limpa. Dar água para nossas plantas, nossos animais de estimação. Quer fazer um chá, um suco, um café. Quer lavar as vasilhas para reutilizar. A gente que fazer nosso arroz com feijão de todo dia. Quer manter funcionando os hospitais e escolas. Queremos continuar com nosso trabalho. E em qual trabalho em algum ponto não há a bendita água envolvida?

    Sei que já falei da água antes. Me perdoem, mas não me aguento de nervoso ao ver a situação. Queria que metade dos que lessem essa coluna, sentissem essa minha aflição. Tem que chover, gente. E muito! E logo... E quem dera que toda água que caísse do céu fosse usada de verdade né? Mas não será, já desabafei sobre isso antes. Ano que vem vamos estar no mesmo desespero. Vou estar aqui de novo tagarelando em suas mentes. Enquanto isso, navego pela internet tomando um delicioso e precioso gole d'água e me deparo com a seguinte notícia: "Água é descoberta, pela primeira vez, na atmosfera de exoplaneta do tamanho de Netuno." Frio na espinha. Penso: "Pobre planeta, será a próxima vítima dos terráqueos mortos de sede."


    Juliana Machado é Bióloga, mestre em Ciências Biológicas - Comportamento e Biologia Animal - UFJF/MG. Doutoranda em Bioética, ética aplicada e saúde coletiva - UFRJ/UFF/UERJ e Fiocruz.

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