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    Juliana Machado Juliana Machado 27/07/2015

    Uma breve reflexão sobre a mídia e os animais não-humanos

    julianaOs animais não humanos estão presentes em diferentes meios de comunicação desde muito cedo na história dos povos. Na verdade, como nos relacionamos com estes seres a partir do momento em que nos entendemos como espécie, não é de se espantar que os representemos em todos os contextos possíveis. De pinturas rupestres na pré-história, até hoje em documentários, filmes, livro e desenhos animados. Existe atualmente uma linha de pesquisa que se dedica e refletir sobre como é esta representação e se ela interfere de alguma maneira no modo como nos relacionamos com os animais da vida real. Há um site inclusive, fruto do interesse de duas renomadas pesquisadoras na área, Debra Merskin e Carrie Freeman, que inspirou a minha tese de doutorado e tem inspirado inúmeras reflexões respeito. Chama-se Animals and Media. Obviamente este tipo de reflexão só faz sentido para aqueles que acreditam que os animais não humanos são importantes, dignos de consideração moral. Desta certeza, decorrem as preocupações a respeito da criação intensiva para consumo de carne, experimentação, rodeios, criação para venda, construção de aquários, estímulo a zoológicos e outras atitudes que temos para com estes seres sem muita ética envolvida. Decorre também a preocupação sobre a qual estamos falando no artigo de hoje: A mídia pode interferir na maneira como nos relacionamos com os demais animais?

    Há pesquisadores que demonizam a mídia. Não é o caso. Creio que há uma mídia séria e eticamente preocupada sim. Mas não podemos negar que há, todavia, comunicações das mais infelizes a respeito dos animais. Por exemplo, quando o título de um programa interessante de comportamento felino é "Meu gato endiabrado". Ou quando o título de um documentário é: "Elefantes assassinos". Se pensarmos naqueles animais não tão carismáticos no olhar do público, como tubarões, cobras, aranhas, escorpiões, por exemplo, a coisa fica bem pior. Há a atribuição de uma moralidade a estes seres que passam a ser representados como agentes do mal. Vilões. É assim em muitos filmes, desenhos, livros e propagandas. O gato preto da Volkswagen deu o que falar... E quando olhamos para um peru da Sadia, feliz da vida em ir para o seu prato? Talvez isso banalize e suavize o fato de que estamos matando e consumindo um ser senciente. Que tem medo, dor, frio, fome... Como você. É bem mais confortável comê-lo quando na embalagem ele está contente...

    Sei bem que para muitos leitores isso tudo é uma grande besteira. "Para que esse povo da ética animal gasta tanto tempo estudando livros didáticos, vendo desenhos animados, analisando propagandas ou avaliando filmes?" E sabendo do potencial da mídia em formar ou reforçar opiniões, eu respondo pensando em um pesquisador da qual sou fã número 1. O nome dele é Marc Bekoff. Sugiro que ouçam o que ele diz. É muito mais apto em convencer-nos de que estamos falhando como espécie do que eu. Para Bekoff (e para mim): "A ética pode enriquecer as nossas visões dos animais, quando eles vivem no seu próprio mundo e quando nos relacionam conosco no nosso mundo; eles nos ajudam a ver que a vida deles merece ser respeitada, admirada e apreciada". E talvez uma mídia mais ética nos ajude a enxerga-los em toda sua beleza e sonhando ainda mais, nos ajude a mudar nosso olhar e a desejar que sejam respeitados e valorizados em sua essência.


    Juliana Machado é Bióloga, mestre em Ciências Biológicas - Comportamento e Biologia Animal - UFJF/MG. Doutoranda em Bioética, ética aplicada e saúde coletiva - UFRJ/UFF/UERJ e Fiocruz.

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