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    Juliana Machado Juliana Machado 26/01/2016

    Ah, o verão...

    O verão chegou para a alegria de uma maioria e o desgosto de alguns. Confesso que quase fico nesse segundo grupo já que o verão me traz uma ligeira sensação de caos. Neste cenário ensolarado fico espantada pensando que, por mais incrível que pareça, há quem ainda duvide que as mudanças climáticas e o aquecimento do planeta sejam uma realidade. A questão é que todas as pessoas estão vivenciando em sua própria pele estas alterações, mas algumas, no entanto, não se dão conta disso e essa é a única diferença.

    Finalizamos o ano anterior e começamos o atual, ameaçados pelo tal mosquito Aedes Aegypti. Pequeno e oportunista este inseto que tem hábitos diurnos e adaptação para o ambiente urbano, antes era considerado o "mosquito da dengue". Hoje sabemos que ele é capaz de transmitir outras doenças como o zika vírus e a febre chikungunya. A fêmea se alimenta de sangue humano e por isto este mosquito vive sempre próximo a locais com alta densidade populacional. Nas áreas urbanas, as fêmeas também encontram diferentes locais com acúmulo de água onde podem desovar. O acúmulo de água em recipientes diversos é maior no período de muitas chuvas, ou seja, no verão. E é no verão também que as temperaturas estão elevadas favorecendo a eclosão das larvas do mosquito de dentro dos ovos. Estes ovos, por sua vez, são resistentes e podem ser transportados a grandes distâncias ou se manterem viáveis em recipientes secos.

    Neste contexto, o que tem a ver o verão, as mudanças climáticas e esse mosquito? Tudo. As mudanças climáticas com aumento significativo das temperaturas e chuvas aliadas ao aumento da densidade populacional e o saneamento ambiental precário favorecem o desenvolvimento do mosquito, sua proliferação e consequentemente aumenta a possibilidade de contaminação humana. O clima quente e úmido é o cenário perfeito para este animal e a previsão é que, assim como aconteceu com a dengue, zika e chikungunya se espalhem pelo país. Fico eu aqui pensando na chegada de estrangeiros com as Olimpíadas e a possibilidade de uma epidemia global. Uma pandemia na verdade. Estou sendo alarmista? Talvez esteja fazendo coro com o Ministro da Saúde, não sei...

    Minha angústia é pensar que se trata de uma sequência de fatores altamente conectados. E nós humildemente recolhendo nossos pratinhos de plantas... Se está comprovado que o mosquito vem se adaptando com sucesso ao ambiente urbano, uma tampa de caneta com água pode ser um excelente criadouro, por que não? Por isso é que você vê na TV nos últimos dias formadores de opinião mais sensatos falando em "estratégia de guerra". Porque afinal, vamos ter que investir dinheiro, tempo, intelecto e boa vontade em uma força tarefa que de fato extermine essa ameaça. Somente com uma ação conjunta, de população e governos. Há que se investir em educação sanitária, investir forte em saneamento, em ciência e tecnologia, em formas de eliminação química e outras estratégias. O complicado é que o verão já chegou, as chuvas também, o mosquito não se intimidou e nem os vírus. As estratégias ainda são tímidas, infelizmente.


    Juliana Machado é Bióloga, mestre em Ciências Biológicas - Comportamento e Biologia Animal - UFJF/MG. Doutoranda em Bioética, ética aplicada e saúde coletiva - UFRJ/UFF/UERJ e Fiocruz.

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