Clonagem de celulares
Telemig Celular é líder em reclamações em Juiz de Fora
Conta de consumidor chega a mais de R$ 5 mil

Sílvia Zoche
30/11/04

O superintendente do Procon, Nilson Ferreira Neto, fala sobre a responsabilidade das operadoras de serviço de telefonia celular.

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Foto site: http://www.intel.com/portugues/labs/commnet/ A tecnologia evoluiu (leia a matéria) mas, infelizmente, os fraudadores também. Não é à toa que o Procon de Juiz de Fora registrou, de julho a novembro deste ano, 55 reclamações de clonagem de celulares. Todas elas de aparelhos, de linha (pós-pago), da operadora Telemig Celular que também se diz vítima das fraudes. (leia entrevista)

Segundo informações do Procon, apesar de reclamações como esta já terem ocorrido em anos anteriores, a partir de julho de 2004, os números superaram as expectativas. "As pessoas começaram a perceber pelas contas altas que havia alguma coisa errada", diz o superintendente do Procon Nilson Ferreira Neto.

Ao solicitar a conta detalhada, os consumidores viram que não haviam feito ligações. Outros ficavam com o celular mudo e somente aí percebiam o problema. "Se uma pessoa que não tem posses recebe uma conta de R$ 3 mil, por exemplo, ela reclama com a operadora, e mesmo assim não resolve, ela vem ao Procon e, se não conseguimos uma negociação, o jeito é partir para o juizado de causas especiais. Qualquer prejuízo moral e/ou material, será julgado", explica o superintendente do Procon.

Como acontece a clonagem
Segundo a Anatel, a fraude de clonagem acontece quando o usuário encontra-se fora da área de mobilidade de origem e operando em modo analógico. "Pessoas inescrupulosas obtém a combinação código do aparelho/código do assinante por meio de monitoração ilegal de telefone celular habilitado. Supostamente, cada telefone celular possui um único código. Contudo, após a clonagem, existirão dois telefones celulares com a mesma combinação código do aparelho/código do assinante. Nesta condição, a central da prestadora de serviço celular não consegue distinguir o aparelho clonado de um devidamente habilitado". Para resolver o problema, o consumidor deve entrar em contato com a operadora e solicitar o bloqueio da linha o mais rápido possível. (Clique para ler mais)

Histórias de celulares clonados
Conheça dois casos e previna-se! Se você já é uma vítima, veja o que deve fazer, caso tenha o seu telefone celular clonado:

Primeiro caso:
Foto site: http://www.moore.com.br/formpers6.php O trabalhador autônomo, A* , possui um aparelho da Telemig Celular há dez anos. Em 13 de setembro de 2004 percebeu que o telefone ficou mudo. "Como o aparelho está em nome de meu pai, que mora no norte de Minas, pensei que ele tivesse mudado o número, menos que fosse clonagem", diz.

Até que chegou a conta de R$ 630,02. "Gastei somente R$ 39,02". A primeira providência foi pedir a conta detalhada. "Foram cerca de 16 páginas de ligações", conta. A* fez a contestação à central da operadora, que o orientou a cancelar o débito automático.

Apesar de conseguir avisar o pai a tempo, ficou com o celular mudo por mais de 30 dias. "Fui ao Procon. Dependo do meu celular para trabalhar. Ainda sim, o doutor Nilson Ferreira teve dificuldade em conseguir falar com alguém da operadora. Depois de 15 dias, veio, de Belo Horizonte, uma resposta que não sabia nada sobre o meu caso", afirma.

Uma das propostas foi a troca do número do aparelho. "Isso eu não queria, porque tenho este número há tanto tempo, que ficaria complicado divulgar meu novo número a todas as pessoas que tenho contato. Fora o gasto".

A*, que trocou o aparelho celular em janeiro, pediu para pegar outro do mesmo modelo. "Já me disseram que eu não correria mais risco se trocasse, porque o número de serial de cada aparelho é diferente. Mas a representante disse que não seria preciso, porque mexeriam no sistema e ele voltaria ao normal".

O problema é que, em outubro, A* não recebeu a conta e que, em novembro, a conta chegou no valor de R$ 374,09. "Eu não usei o telefone de conta. Poderia ter chegado somente o valor da assinatura. Não quero mais vínculo com essa empresa", reclama. "O próximo passo será ir ao juizado especial", conclui.

* o entrevistado pediu para não ser identificado

Segundo caso:
Foto site: www.ebonet.net/canais/ tecnologia/lista.cfm A empresária Margarida Miguel Guimarães possui o mesmo celular, plano empresarial, há mais de seis anos. Percebeu que o celular estava estranho em julho de 2004. "Eu ia fazer ligações e não tinha sinal.", diz.

Além disso, Margarida lembra que recebia várias ligações de outros estados do país. "Atendi uma dessas e a pessoa procurava por um homem. Eu falei que eu tenho esse número há muito tempo. A pessoa respondeu que o Marcelo que mandou ligar a cobrar. Então, tive certeza da clonagem. Liguei várias vezes para o 1404 e não adiantou", afirma.

Até que chegou a conta de julho no valor de R$ 5591. Ela contestou o valor na Telemig Celular e como não aceitaram, Margarida recorreu ao Procon/JF. "O Procon entrou em contato com a Telemig. Resolveram trocar meu aparelho. Quando saí de Juiz de Fora numa viagem, meu celular estava bloqueado. Liguei para o 1404 e eles me falaram que o celular havia sido clonado de novo", conta.

Margarida teve que contestar mais duas contas: a de agosto superava os
R$ 2 mil, a de setembro chegava a R$ 1200. Em outubro e novembro, o celular dela foi totalmente bloqueado. "Tive que ficar dois meses sem usar o celular e ainda vou ter que pagar a assinatura. Desde julho estou com esse problema e só agora consegui resolver", diz decepcionada.

Telemig celular responde
A equipe do Portal ACESSA.com entrou em contato com a assessoria de comunicação da Telemig Celular e transcreve na íntegra a entrevista realizada por email - devido a solicitação da própria empresa - com a assessora de imprensa da Telemig, Raquel Bernardes.
Clique aqui para ler a entrevista

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