Ana Paula Ladeira Ana Paula Ladeira 16/04/2014

Programas israelenses invadem a televisão brasileira

artigoTalvez você nunca tenha se dado conta, mas muitos programas de sucesso que hoje chegam à TV brasileira vêm do Oriente Médio, de um país tantas vezes citado por seus conflitos com países árabes, mas pouco lembrado quando o assunto é televisão.

Sim, nos últimos anos Israel se transformou numa grande potência audiovisual: seus filmes ganharam o mercado estrangeiro, foram indicados ao Oscar, e receberam investimentos do Estado e das principais emissoras. Com a televisão não foi diferente: desde o começo da última década, o mercado televisivo israelense cresceu tanto, que se expandiu inclusive para alguns países da América Latina.

No rol de programas já exportados, destaca-se Homeland, série adaptada nos Estados Unidos e que chegou ao Brasil através da Rede Globo; e Split, série juvenil exportada para mais de 30 países, e aqui exibida pelo canal Boomerang. Tamanho sucesso pode parecer estranho, especialmente porque estamos acostumados com programas norte-americanos e conhecemos relativamente pouco da cultura hebraica. Mas para enfrentar esta barreira, a maioria dos programas criados naquele país ganha novas versões, que incorporam as marcas da nossa cultura local.

No Brasil, alguns programas foram adaptados de formatos israelenses e pouca gente sabe: Faça e Disfarça, exibido pela Record; os game shows Quem Fica em pé e Sabe ou não sabe, transmitidos na Band; e Sessão de Terapia, que recebeu versão brasileira para o canal GNT. Recentemente, a Rede Globo estreou o reality show musical SuperStar, também adaptado de um programa israelense.

Além de exportar programas de sucesso, algumas empresas israelenses têm se especializado na venda de produções audiovisuais de outros países. As famosas telenovelas argentinas The Rebelde Way, La Lola e Floribella, por exemplo, são vendidas por uma empresa israelense, a Dori Media, que instalou um escritório de negócios na Argentina com o objetivo de conquistar o mercado latino-americano.

Este panorama é mais interessante quando observamos o passado recente de Israel, que recebeu a televisão somente em 1967 e que durante muito tempo preencheu suas grades de programação com filmes norte-americanos. Mas, dentro deste contexto, dois fatores foram fundamentais para impulsionar mundo afora as produtoras de televisão deste pequeno país: as limitações de seu próprio mercado, incapaz de absorver a expansão de suas produtoras e o perfil de seus profissionais, criativos e acostumados a trabalhar com baixos orçamentos. Isto faz com que seus programas sejam especialmente interessantes para serem adaptados aqui no Brasil.


Ana Paula Ladeira é Jornalista pela Universidade Federal de Juiz de Fora e Doutora em Comunicação Social pela Universidade Federal Fluminense. Pesquisa assuntos relacionados especialmente à TV.

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