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    Ana Paula Ladeira Ana Paula Ladeira 18/08/2015

    Por que a televisão virou castigo?

    É evidente a mudança dos hábitos de consumo de mídia pelo público infantil. Um olhar descompromissado sobre o comportamento das crianças nos dias de hoje já nos revela que a maioria delas possui mais habilidade para lidar com pequenos aparatos, como tablets ou smartphones, do que muitos adultos. E o contato com essas tecnologias acontece cada dia mais cedo.

    Inevitavelmente, a televisão vai perdendo seu foco e estes pequenos e impacientes telespectadores, que já não querem mais ficar sujeitos ao menu imposto pela televisão, deixam de assisti-la. Segundo pesquisa realizada pela empresa de consultoria americana Miner & Co. Studio, e divulgada recentemente pelo site Meio e Mensagem, 57% das pessoas entrevistadas afirmaram que seus filhos preferem assistir aos vídeos em dispositivos móveis a assisti-los através da televisão. Aliás, cerca de 40% dos pais afirmaram que suas crianças trocariam uma sobremesa por mais alguns minutos no tablet ou smartphone. Metade dos pais também admitiu que costuma retirar os aparatos eletrônicos das mãos de seus filhos quando estes se comportam mal, fazendo-os ver televisão.

    Mas o que faz com que a TV perca seu status de vilã da educação infantil e passe a ser utilizada como forma de punição adotada pelos pais ao deixarem seus filhos de castigo? A resposta para esta pergunta poderia nos levar a uma reflexão sobre o comodismo de algumas pessoas que deixam seus filhos em contato com estes pequenos aparatos para que eles deem "menos trabalho". Porém, refletindo especificamente sobre os hábitos de audiência, poderíamos afirmar que a oferta de conteúdo na forma on demand e a interatividade dos dispositivos móveis são a chave da resposta. Para essa nova geração de público infantil, tornou-se enfadonho esperar pelo horário do programa favorito, fragmentado pelos anúncios publicitários. E, quando isso acontece, a audiência da televisão é dividida com outras atividades que podem desviar a atenção das crianças. Para elas, a autonomia de escolha é um requisito fundamental na hora de assistir a um vídeo: um verdadeiro desafio para as empresas de televisão, muitas vezes engessadas pelas grades de programação cheias de reprises e reféns dos tradicionais anúncios publicitários.


    Ana Paula Ladeira é Jornalista pela Universidade Federal de Juiz de Fora e Doutora em Comunicação Social pela Universidade Federal Fluminense. Pesquisa assuntos relacionados especialmente à TV.

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