Paulo César Paulo César 10/10/2011

A grama do vizinho é sempre a mais verde

Com um roteiro nada original, Eu Queria Ter a Sua Vida parecia destinado a ser mais uma comédia apelativa e sem nada de novo para nos apresentar. Mas, sob a direção de David Dobkin, os roteiristas Jon Lucas e Scott Moore (Se Beber Não Case! Parte 2), conseguem extrair algo a mais do festival de clichês, e com a ajuda das boas interpretações dos protagonistas, constroem um longa divertido e emocionante.

A trama central narra a vida de dois amigos de infância, o folgado Mitch (Ryan Reynolds) e o pai de três filhos e bem-sucedido advogado Dave (Jason Bateman). Enquanto um só pensa em vagabundear e transar, o outro é responsável e dedicado ao trabalho e a família. Entretanto, quando os dois revelam o seu desejo de trocar de vida, com o outro urinando em uma fonte, em um passe de mágica eles trocam. Daí para a frente, eles terão de aprender como lidar com a parte boa e ruim de cada um, até que encontrem uma forma de retornarem a seus corpos.

O roteiro é claramente uma cópia do nosso Se Eu Fosse Você, e lembra um pouco A Inveja Mata, de Barry Levinson. Porém, o texto é ainda mais frágil que os dois citados e suas questões existenciais presentes na trama são banais. Toda a questão da lição de moral, do aprendizado em que foram submetidos os personagens, não passou de um "a grama do vizinho é sempre mais verde". É uma espécie de cartilha para aprender a dar valor às coisas simples da vida.

O maior trunfo do filme é, com certeza, a afinidade de Reynolds e Bateman. O galã mostrou desembaraço ao transitar entre as personalidades completamente diferentes. Porém, não esteve nem perto da fantástica contribuição de seu companheiro. Bateman mostrou um equilíbrio incrível entre os personagens, soube ser convincente como o careta pai de família e formidável como o imbecil sem-noção.

Esta perda de espaço de Reynolds acontece também pela clara opção por mostrar a crise de meia-idade de Dave, o que foi a mais acertada escolha devido a previsibilidade do roteiro. Não tinha toda a atmosfera que cerca o confronto entre o homem e a mulher moderna do longa brasileiro, mas em contrapartida fugiu das situações deveras absurdas e do enfado de Ben Stiller, no filme de Levinson.

Apesar de toda esta instabilidade, a comédia é divertida e, levando-se em consideração que a razão pela qual a comédia existe é de fazer o público rir, Eu Queria Ter a Sua Vida cumpre seu destino. Poderá não agradar aos mais exigentes fãs do gênero, mas não chegará a ser execrado. O que já é um grande feito devido à baixa qualidade de outros lançados ultimamente.

Mais críticas

Paulo César da Silva é estudante de Jornalismo e autodidata em Cinema.
Escreveu e dirigiu um curta-metragem em 2010, Nicotina 2mg.

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