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    Victor Bitarello Victor Bitarello 8/05/2014

    Ação ou reflexão em "Divergente"?

    Existe um monte de escolhas a serem feitas na vida e um monte de decisões a serem tomadas também. Diariamente, somos chamados a fazer várias delas. No entanto, algumas dessas escolhas acontecem ou acontecerão em momentos determinados (ou pré-determinados) da vida, e pode-se dizer que existe certa comunidade delas, como se todos, ou a maioria, fossem chamados a fazer escolhas em comum (o que estudar após o fim do segundo grau, por exemplo, ou até mesmo seguir ou não determinada religiosidade).

    "Divergente" tem como personagem central uma adolescente de nome Beatrice, no momento da vida em que deve escolher a qual facção quer pertencer. Ela vive num planeta Terra futuro (ou, ao menos, no tanto de planeta onde ela sabe que ainda existe vida humana), no qual é possível pertencer a cinco facções. Quem não pertence a uma delas, torna-se um excluído, ou seja, um sem-facção. Após encantar-se pela liberdade que a Audácia aparentava permitir a seus membros, ela decide-se por escolhê-la. Pouco antes disto, porém, ao participar de um teste para saber a qual facção ela teria maior pré-disponibilidade, descobre-se que ela é do tipo divergente, ou seja, não perfeitamente encaixável em nenhum dos seguimentos, com uma maior amplitude de reações e pensamentos que os demais, tido pelas facções como um tipo perigoso de pessoa. A personagem que faz seu teste alerta Beatrice para o risco que está correndo. A menina, então, decide esconder essa sua característica e segue rumo aos aprendizados dos iniciantes da Audácia para conseguir permanecer na facção.

    Um ponto deve ser levantado em "Divergente". É um filme de ação? Predomina a intenção de ser um filme de ação? Ou é um filme reflexivo? É um filme com uma proposta filosófica reflexiva, que nos leve a questionar o que existe de real naquilo tudo, mas com uma "roupa" de ação? Eu, honestamente, fiquei na dúvida. Isso porque existem elementos de ambos os tipos no filme, a pontos de ambos estarem aptos a serem, digamos, levados a sério. No que diz respeito às questões de ordem filosófica que o longa traz, a primeira delas se dá logo no início mesmo, quando adolescentes são chamados a fazer uma escolha de vida fundamental e que dirá sobre o que serão para sempre, sem nenhuma oportunidade de arrependimento. O que será que é assim nos dias de hoje? Um vestibular? Um casamento antecipado? Um filho prematuro? O que nós fazemos sem sequer termos consciência da enorme importância que terá em nossas vidas para sempre? No filme, as consequências das escolhas são muito graves! Necessita-se o tempo todo ser muito competitivo para não ser um excluído. Necessita-se ganhar, e não somente ganhar, mas ganhar do outro, é necessário que alguém perca. E esse alguém sofrerá terríveis consequências ao não se encaixar nos modelos. A exclusão não somente priva a pessoa dos benefícios de pertencer a uma ordem, a um grupo, a uma denominação segura e referencial, mas a expõe à sujeição da violência, à não proteção "estatal", a serem tidas como não merecedoras da preocupação coletiva. Outra questão que se pode observar se dá com o incômodo público com um tipo de governo a favor dos excluídos. Um tipo de governo que se preocupa com quem é vulnerável, com quem é desfavorecido. O filme claramente critica quem se opõe aos governos pró população carente. O governo, na história, é duramente criticado por proteger os sem facção e por ajudá-los a ter um mínimo de dignidade. Quantos será que não fazem o mesmo no mundo atual, no mundo real? Quantos não se esforçam o máximo que podem para deslegitimar ações em benefício de populações de massa carentes de mínimos?

    Porém, aspectos muito típicos de filmes de ação aparecem no longa. Os atores são muito bonitos e incrivelmente fracos em termos de talento. Kate Winslet se sobressai tanto que, quando ela abre a boca, parece que está até falando mais alto que eles, ou algo do tipo. Ela fala, e no fundo é como se ela pensasse: "sou incrível, já ganhei um Oscar, estou aqui pra ajudar" (Kate é minha musa, minha amada - sou um fã de carteirinha!). O filme tem muitas cenas de violência que chegam ao ponto de ficarem chatas. Muitas mesmo. Muitos tiros, muita tecnologia da violência, muita briga. Enfim, parafernália de filmes de ação. O que, diga-se, não desmerece um filme. Mas gera a dúvida.

    Então, o que aconteceu? Como existe muito de reflexão e muito de ação, o filme ficou muito grande. E, mesmo com tanto tamanho (quase duas horas e meia!), muitos acontecimentos ficaram sem explicação. Várias coisas passaram batidas. Várias dúvidas ficaram no ar. E isto, não porque a gente tenha que assistir a um segundo filme para entender – como acontece com algumas trilogias - mas porque não coube mesmo.

    Como se tivesse enchido uma caixa até o limite. Ainda com várias coisas pra colocar, mas sem espaço.
    Contudo, "Divergente" vale a pena ser assistido. É um filme que a gente, ao final, diz: "achei muito legal". Um bom momento de diversão e, pra quem quiser aprofundar um pouco nos temas propostos, dá assunto.


    Victor Bitarello é bacharel em Direito pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), pós-graduado em Direito Penal e Processual Penal pela Universidade Candido Mendes (UCAM). Ator amador há 15 anos e estudioso de cinema e teatro. Servidor público do Estado de Minas Gerais, também já tendo atuado como professor de inglês por um período de 8 meses na Associação Cultural Brasil Estados Unidos - ACBEU, em Juiz de Fora. Pós graduando em Direito Processual Civil.

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