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    Victor Bitarello Victor Bitarello 14/08/2014

    Um futuro mais que presente em "Ela"

    cinemaE com certeza já se ouviu muito sobre a invasão virtual no mundo atual. O What's App é um exemplo muito forte dessa realidade que já se mostrou de muitas formas com o MSN e o Orkut, e em especial com o Facebook. E, no entanto, muito do sempre vivido na história ainda se verifica, como as paixões e a enorme vontade da vivência do amor e dos relacionamentos amorosos. Se há quem não os busca, sem dúvida há uma maioria (uma enorme maioria) que os quer. E muito.

    Um filme recentíssimo, "Ela", toca em ambas as temáticas de maneira inteligentíssima. Num futuro não datado, um homem, escritor de cartas virtuais, recém-separado, solitário, compra um sistema operacional que em pouco tempo se torna adquirido por muitas pessoas. Este sistema é capaz de ser "alguém" perfeito para quem o tem. Com isso, se torna a companhia ideal e desejada por todos. É um filme relativamente lento, mas com um final excelente.

    Dois pontos relevantíssimos são abordados pelo filme. Um, é a exigência de perfeição que as pessoas têm para com o outro. O segundo, a enorme relevância dada por elas à virtualidade. Quando alguém se apaixona por alguém, vive-se como se aquela pessoa fosse perfeita. Como se tudo o que viesse dela fosse o que se espera de alguém para se conviver. Só que, após o momento da paixão, a sensação da perfeição nesse alguém passará, e os defeitos começarão a serem notados. E aí fica o questionamento: serão, realmente, defeitos? É necessário que o outro seja exatamente como queremos que seja? É possível minorar os conflitos mesmo sabendo que nunca haverá concordância total? Por que exigir perfeição, se estamos lidando com pessoas?

    O outro ponto, mais facilmente perceptível no filme, é o espaço gigantesco dado à virtualidade na vida daquelas pessoas (nada tão diferente assim do mundo nos dias de hoje). E, com isso, outro questionamento se pode fazer: o que aconteceria, hoje, se os espaços virtuais fossem, de uma só vez, cancelados? O que haveria de reações? É possível pensar num mundo sem relações virtuais?

    Com muitas possibilidades de questionamentos trazidas pelo longa, "Ela" é um típico filme de roteiro. Sem atuações ou manobras de direção grandiosas, ou que chamem à atenção de maneira a levar alguém a se boquiabrir, seu roteiro é maravilhoso, inteligentíssimo. Joaquim Phoenix, como sempre, está muito bem, foi um papel que é a "cara" dele. Sua indicação ao Oscar de ator foi justíssima. Amy Adams está com o carisma de sempre. É agradabilíssimo assisti-la em qualquer de seus trabalhos. A direção é muito boa, muito no ponto.

    O que pode haver de "ruim" (e uso essa palavra com cuidado, porque não vejo a característica como defeito, mas como um possível fato a desestimular algumas pessoas) é que trata-se de um longa de ritmo muito lento. Não há no filme grandes emoções, apesar de os momentos finais serem, realmente, muito bons. Prefiro pensar que essa lentidão é proposital, para contrastar com a velocidade da atualidade, na qual temos dificuldades para "parar" e fazer algo que nos exija mais vagar e atenção ao que não é intenso.
    "Ela" é uma produção de muita qualidade. Quem busca qualidade, terá. Eu busco.


    Victor Bitarello é bacharel em Direito pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), pós-graduado em Direito Penal e Processual Penal pela Universidade Candido Mendes (UCAM). Ator amador há 15 anos e estudioso de cinema e teatro. Servidor público do Estado de Minas Gerais, também já tendo atuado como professor de inglês por um período de 8 meses na Associação Cultural Brasil Estados Unidos - ACBEU, em Juiz de Fora. Pós graduando em Direito Processual Civil.

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