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    Victor Bitarello Victor Bitarello 23/04/2015

    Cinderela: um filme para crianças; um filme para adultos

    Já falei muitas vezes sobre a questão contos de fada/machismo, até mesmo aqui, neste espaço. Assim, penso que minhas opiniões estão já mais que conhecidas por quem eventualmente acompanha meus textos. Os contos de fadas são histórias que, tradicionalmente, colocam o homem como a única possibilidade de felicidade para a história de vida da mulher. Como se nada mais a interessasse. Arrumou homem? Está feliz.

    Para o público infantil, ou para o público que não conhece a história, o filme valerá para isso. Conhecer esse conto de fadas tão antigo, contado de forma tão bem dirigida e com tanta beleza cênica, mas com um ponto de vista diferente. Essa vida com o príncipe não foi colocada como uma única chance de felicidade, mas como UMA possibilidade de salvação de uma vida de injustiça que lhe foi trazida por uma madrasta cruel, soberbamente vivida por Cate Blanchet.

    Para o público que já está acostumado (ou mais que acostumado), com esse conto, Cinderela será um enorme deleite.

    Inicialmente, tive um certo medo de não ver naquela tela algo mais que uma história que já estou cansado de ver e ouvir. No entanto, não foi o que aconteceu. Aos poucos, percebe-se que o que seduz no filme não é a história. É a beleza. Beleza é o principal mote deste longa metragem. A Disney decidiu dar uma enorme liberdade para os figurinistas e profissionais responsáveis pelos efeitos especiais e visuais. O figurino do filme é esplendoroso! Quando eu achei que as roupas não podiam mais evoluir, elas evoluíram. O figurino do filme é um filme à parte. Vale assistir ao filme duas vezes. Uma para ver o trabalho em si. Outra para apreciar as roupas. As roupas das irmãs Drisella e Anastacia para o baile são sensacionais, moderníssimas. Elas chocam! Algo bem a la "O diabo veste Prada". A roupa de Cinderela para o baile é tudo o que um público de contos de fadas quer ver. E o vestido de noiva? Será possível um mais maravilhoso?

    Com relação aos efeitos especiais, de som e os visuais, o filme é sensacional! O momento em que a madrinha de Cinderela aparece para ajudá-la em sua produção para o baile, caramba! É literalmente mágico! Cada transformação. Cada uma delas. A carruagem, o cocheiro, os lacaios, os cavalos. A escolha dos atores que compuseram a carruagem é fantástica! São super adequados e muito bem caracterizados para nos remeter aos bichos que os geraram.

    O filme tem um elenco muito forte. Fazer um filme com uma história relativamente batida é um risco. Sendo a Disney, a chance de ser bom é alta. Mas com um elenco daquele, uau! Cate Blanchet, vencedora do Oscar de melhor atriz por "Blue Jasmine", vivendo a madrasta megera, nos remete às vilãs da Disney, com seus movimentos alongados e coreografados. Que direção linda o filme teve com relação a ela. E que atriz apta a fazer algo tão bem feito. Cinderela ganha vida com a mais que fofa Lily James, do seriado inglês "Downtown Abbey" (nem gosto, sabe...). Também com movimentos alongados, porém doces e sutis, ela pede para ser protegida, ao mesmo tempo em que exibe a sofisticação da boa educação que os pais lhe deram. As irmãs maldosas, Drisella (Sophie McShera, também de "Downtown Abbey") e Anastasia (Holliday Grainger) nos dão raiva, mas são muito carismáticas. Mas dão raiva. Muita mesmo! Aliás, as irmãs também são um show à parte. E temos Helena Bonham Carter, que narra a história e aparece pessoalmente como a fada madrinha, numa participação curta, porém incrível.

    Devo ser sincero e dizer que não assisti ainda outros filmes do Kenneth Branagh como diretor, apesar de gostar bastante dele como ator. No entanto, por esse trabalho, está mais que aprovado!

    Ao invés de se preocupar com a questão do conto em si e somente, o filme decidiu se ocupar de apresentar ao público uma feridinha difícil de ser cutucada. Ou melhor. Mostrar-nos o quanto temos dificuldade em aceitar esse pontinho em nós que é o nosso mais verdadeiro "eu". Mostra o quanto esse "eu" é assustador e, muitas vezes, optamos por não vê-lo, ocupando-nos demasiadamente com outras coisas, ou, simplesmente, acreditando que o exterior a nós e aquilo que não temos é que resolverá todos os nossos problemas. Achei isso muito legal.

    É um trabalho muito bonito que vale a pena de ser assistido. Muito mesmo!


    Victor Bitarello é bacharel em Direito pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), pós-graduado em Direito Penal e Processual Penal pela Universidade Candido Mendes (UCAM). Ator amador há 15 anos e estudioso de cinema e teatro. Servidor público do Estado de Minas Gerais, também já tendo atuado como professor de inglês por um período de 8 meses na Associação Cultural Brasil Estados Unidos - ACBEU, em Juiz de Fora. Pós graduando em Direito Processual Civil.

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