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    Marco Magal inicia carreira solo após dez anos de TQO trabalho com o grupo segue paralelamente à nova empreitada. O ator sonha em expandir seu talento para grandes centros, como Rio de Janeiro e São Paulo

    Clecius Campos
    Repórter
    25/6/2009

    Depois de dez anos fazendo comédia em grupo, com os colegas do Teatro de Quintal (TQ), Marco Magal passa pela difícil tarefa de sozinho fazer rir. Em sua primeira experiência solo, o espetáculo Magal em Crize, o ator juizforano faz uma mistura de stand up, quando são contadas histórias do cotidiano, sem necessariamente haver interpretação de um personagem, e comédia tradicional, com a presença do caipira Seu Uóxinton, natural de Piraúba, que já fazia sucesso no TQ, contando "seus causos".

    "Fui incentivado pelos fãs do TQ, que sempre diziam que eu poderia subir ao palco sozinho. Decidi topar a parada. É uma oportunidade de conseguir projeção." Para ele, a maior dificuldade da carreira solo é não poder contar com outros profissionais para fazer as escadas. "A troca entre os personagens é um elemento fantástico para a comédia e ela, obviamente, não ocorre quando estamos sozinhos." Porém, ele acredita que não é complicado fazer rir sem ajuda de outro ator. "Ouço dizer que só a minha cara já faz rir e constato isso nas minhas apresentações."

    Os benefícios mercadológicos também ajudaram Magal a decidir fazer um espetáculo sem ajuda dos colegas do TQ. "É mais fácil ser contratado quando se está sozinho. Além disso, o cachê é melhor, pois não tenho que dividir com os outros", brinca.

    Início da carreira

    Segundo Magal, desde criança as apresentações teatrais no colégio onde estudava e na igreja chamam sua atenção. A primeira experiência foi na Escola Estadual Professor Quesnel, onde interpretou um ovo, numa peça sobre alimentação. "Cada um dos alunos interpretava um alimento e a minha frase era responder à pergunta: O que esse baixinho está fazendo aqui? Dizia: Tamanho não é documento, isso você precisa saber. O importante é a qualidade que o alimento pode ter."

    Magal conta que ensaiou bastante a fala, mas no dia da apresentação as coisas não saíram como imaginadas. "Eu estava muito nervoso com a presença dos pais, dos professores e dos colegas. Quando chegou a minha vez, esqueci o texto e disse: Você precisa ver o tamanho do meu documento. A frase com dupla interpretação fez todo mundo rir. Foi assim que comecei minha carreira na comédia, sem querer." A situação despertou a vontade do ator de participar de mais atividades cênicas durante a infância.

    Foto de Magal no palco Foto de Magal no palco

    Na época em que serviu no Exército, a veia artística voltou a aparecer em apresentações especiais nos acampamentos realizados pelo 4º Esquadrão de Cavalaria Motorizada. Naquela época, seu parceiro de piadas, cabo Pedro, organizava apresentações em caminhões oficiais, que serviam de palco no meio da mata. "Lá contávamos piadas, fazíamos imitações e palhaçadas em geral. Foi onde ganhei parte do meu nome artístico, já que imitava o Sidney Magal"

    Mais tarde, cabo Pedro tornou-se Pedro Bismarck e fez aparecer para todo país o personagem Nerso da Capitinga. A projeção que o colega de farda conseguiu serviu de inspiração para Magal. "Foi quando pensei que também poderia fazer sucesso." Só em 1999, quando o TQ abriu um teste para contratação de um novo ator, é que a carreira profissional de Magal começou.

    Após contar uma piada e realizar uma cena improvisada, o ator foi escolhido entre mais de cem profissionais para integrar o grupo. Hoje, contabiliza 15 peças realizadas e ostenta o prêmio de melhor ator cômico de 2001 da Semana de Popularização de Teatro e Dança de Juiz de Fora. "Fui a Belo Horizonte receber o prêmio das mãos de Marília Pêra. Foi um barato."

    Foto de Magal no palco Foto de Magal no palco
    Experiências no rádio e na tevê

    Como integrante do TQ, Magal participou de dois momentos importantes na carreira do grupo que ajudaram a divulgar não só o trabalho daqueles atores, como a cultura cênica em toda a cidade. A primeira experiência fora dos bares e dos palcos foi o programa de rádio Os Invasores. Durante dois anos o grupo fazia rir numa mídia estranha para a maioria dos profissionais de teatro. "Foi uma ótima experiência, pois aprendemos a fazer piadas com mais rapidez, aprimorando raciocínio e improviso."

    Na tevê, no programa Paraybuna Connection, a participação de Magal era mais que especial. O ator disponibilizou-se a participar se sua apresentação fosse fora da bancada. "Surgiu a ideia do bloco de entrevistas Semáforo News. O miniquadro durava o tempo que o sinal estava aberto para os pedestres e era apresentado por uma de minhas personagens, a Laurinha. Chegamos a fritar um ovo em um dos programas", lembra.

    A espada de borracha

    Entre as principais inspirações de Magal, além de Bismarck, está o mega-astro de cinema Jerry Lewis. O ator afirma que foi com o comediante norte-americano que aprendeu um dos mais eficazes elementos da comédia, a careta. "Lewis é o rei da careta e foi assistindo a seus filmes que percebi como são importantes." Outro grande nome do humor que influenciou Magal é Tom Cavalcanti.

    Mas foi acompanhando a carreira de Chico Anísio que Magal percebeu que comédia não é puro besteirol. "Aprendi que há formas de se fazer rir e, ao mesmo tempo, alertar a população com denúncias e críticas sociais. Compartilho do pensamento de Chico Anísio quando ele diz que a comédia é uma espada de borracha, atinge o oponente sem verter sangue. É assim que tenho trabalhado."

    Foto de Magal no palco Foto de Magal no palco Foto de Magal no palco

    No futuro, o ator, que também é representante comercial, pretende alcançar novos territórios. Em seus planos estão apresentações em grandes centros, como Rio de Janeiro e São Paulo. "É uma tarefa complicada, entretanto, com um bom trabalho e contatos bem feitos, acho que posso chegar lá."

    Os textos são revisados por Madalena Fernandes

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