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    Com 57 anos de carreira, André Pires tem orgulho de viver da músicaMúsico implantou o curso de graduação em música na Universidade Federal de Juiz de Fora e dedicou dez anos de sua vida à regência do coral da instituição

    Jorge Júnior
    Repórter
    20/9/2011
    pires

    "É com muito carinho e muita força que assumo a profissão de músico", enfatiza o pianista, professor e fundador do curso de Música da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), André Pires, 61, que, com apenas quatro anos, sentiu a emoção de se apresentar num palco pela primeira vez. "Minha estreia foi aos quatro anos, solando Jambalaia e Serenô ao acordeon, no palco do cine Taboada, em Macaé", relembra o músico que tem em sua raiz a música.

    "Meu avô paterno tocava tuba em uma banda civil, um irmão dele era cantor de rádio. Minha avó e seis tias maternas, sem exceção, tocavam, todas, algum instrumento. Minha mãe Lourdes foi professora de acordeon e piano: minha primeira e fundamental professora de música", conta.

    Mesmo criança, Pires já demonstrava a sua vocação. "Eu lia música sem saber, fui aprendendo por osmose. A música começou antes de mim", brinca o artista. "Ganhei um piano com nove anos e me encantei pelo instrumento." De lá para cá, o carioca se dedicou aos estudos, buscado cada vez mais a profissionalização.

    "A música tem o poder de convencimento. Ela convence mais do que um discurso de palavras. É emoção", diz"

    Pires estudou acordeon até os dez anos, logo depois entrou para a escola de música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com 12 anos, sendo aprovado em primeiro lugar. Na instituição, ele cursou graduação em piano e mestrado em música. Com 26 anos, Pireis foi morar em Tiradentes, dividindo o seu tempo também em Mariana e em São João del-Rei. "Nessa caminhada, conheci e me debrucei sobre a obra do compositor mineiro Manoel Dias de Oliveira e estudei regência com o carioca Neschling", conta orgulhoso.

    O músico também estudou na Alemanha como bolsista da KWU, onde fez especialização em órgão. Mas Pires não parou por aí, em meados de 2010, concluiu o doutorado em práticas interpretativas, na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio). "Foi uma experiência enriquecedora. Tive formação em três instrumentos, além da formação em regência. Cada linha que eu segui, marcou a minha formação cultural", diz.

    Segundo o professor, outra formação também o ajudou na vida profissional. "Sou formado em francês. Durante um tempo, me sustentei dando aulas. Mas quando me formei, só quis trabalhar com música. Passei pela música erudita e pela popular. Toquei em formaturas, fui pianista de ginástica. Com essas experiências, as portas foram se abrindo."

    Com vários caminhos percorridos, se engana quem pensa que o francês foi esquecido. "A língua é o segundo lugar, depois do inglês, na qual mais se editam livros musicais. Com o idioma, tive um fácil acesso a toda literatura e informação que vinha em francês. Isso foi um diferencial", afirma.

    Coral

    Em 1984, Pires veio para Juiz de Fora, devido à aprovação no concurso da UFJF para lecionar as disciplinas da história da música e musicalização brasileira básica, no curso de Artes. Em 2000, o carioca assumiu a regência do coral da instituição. "O Coral da UFJF é super sério. Lá, fiquei durante dez anos. Foi uma experiência inesquecível. É um coral que já tinha uma trajetória importante, composto por um grupo altamente musical e competente." No quarto ano de regência, o músico conquistou a medalha de ouro de melhor regente, em um concurso internacional na Argentina.

    Entre os fatos interessantes registrados durante o coral, Pires destaca uma apresentação de formatura da UFJF. "Íamos tocar o hino nacional em uma formatura unificada, mas a transportadora esqueceu-se de levar o piano. Na mesma hora, liguei para o Joãozinho da Percussão e fizemos a apresentação com instrumentos de percussão", recorda.

    Criação do curso de Música da UFJF

    Outro destaque da carreira do artista foi a implantação do curso de graduação em música na UFJF, em 2009. Segundo Pires, a cidade aclamava pelo curso, devido há uma demanda de profissionais do setor. "Foi uma vitória instalar o curso de Música na UFJF. Foram duas tentativas. Na terceira, conseguimos emplacar a ideia e realizamos o vestibular de 2009, para toda a população juiz-forana."

    Agora, com a oferta na cidade, Pires acredita que o mercado de trabalho na área vai alavancar. "A música tem um fator de empregabilidade incrível. Com a lei que obriga as escolas a oferecer a disciplina, os profissionais vão ganhar mais mercado." Para ele, a lei é importante, também, para a formação do aluno. "A música tem o poder de convencimento. Ela convence mais do que um discurso de palavras. É emoção", diz.

    Sala de aula x palco

    Pires também compara as sensações de estar dentro da sala de aula e de estar em cima do palco. "A sala de aula permite que você pare e reconstrua a frase, além da multiplicidade da música. No palco, a oportunidade é única. O intérprete não pode parar no meio da música. Certamente, a plateia ovacionando e a eloquência dos aplausos são altamente envaidecedores, é quase um orgasmo. Na sala de aula, o delicioso é o diálogo e a contribuição da música. A conversa e a participação têm um charme, que se aproxima da comunhão entre um casal."

    Os textos são revisados por Thaísa Hosken

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