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    Roosevelt Nina passeia pela história da fotografiaO fotógrafo maranhense de 77 anos fala sobre os movimentos que o influenciam e a estética da arte contemporânea. Criaturas (in)animadas está em cartaz 

    Clecius Campos
    Repórter
    22/4/2010

    Quando se trata de traçar as possíveis influências que determinam seu trabalho, o fotógrafo maranhense Roosevelt Nina faz questão de dar um passeio pela história da fotografia. Aos 77 anos, ele limita a dizer que mexe com a arte "há muito tempo" e afirma não identificar particularmente um artista que o influencie, mas é capaz de apontar movimentos marcantes para centralizar sua obra.

    "Evidentemente a influência ocorre na medida em que vejo o trabalho de outros fotógrafos. Desde os primeiros ícones da fotografia até os franceses humanistas dão toque ao meu trabalho, que é resultado das experiências. A Nova Fotografia Alemã, ocorrida entre os anos 20 e 30, também é muito interessante." Ele destaca o alemão erradicado na França, Hans Bellmer, famoso pelas fotos de bonecas.

    "O trabalho é parecido com o que realizei na exposição Criaturas (in)animadas. Nas fotos, utilizei objetos, manequins na verdade, e trabalhei a luz e sombra para que parecessem pessoas. Achei um trabalho interessante", avalia. A mostra está em cartaz no Espaço Experimental Nina Mello, até o dia 21 de maio. As cenas inusitadas lembram o trabalho de artistas contemporâneos, como o da romena Irina Ionesco, com suas fotos em preto e branco. "Falei com Irina pessoalmente. Ela é uma fotógrafa das antigas. Quando disse que ia lhe enviar um e-mail ela respondeu: 'Não mande, porque eu nem tenho computador'. Já se nota uma resistência à tecnologia."

    Mas quando se trata de falar da própria resistência, Nina prefere não polemizar. Conhecido por não ter se rendido aos equipamentos digitais, o fotógrafo minimiza o uso do equipamento analógico. "O importante é o resultado. Não importa o instrumento que se usa. Não vejo por que causar confusão nesse sentido. O digital veio para ficar e há muitos trabalhos bons realizados com a tecnologia. Mas utilizar o equipamento analógico pode dar certo valor à obra, já que o uso da tecnologia está diminuindo."

    Sensualidade, surrealismo e construtivismo

    A sensualidade, que também se assemelha à obra de Irina Ionesco, é apontada por Nina como estratégia para causar sensação. "A fotografia tem que tocar a pessoa de alguma forma. Como a mensagem vai chegar ao expectador não faz muita diferença. Mas a sensualidade é, sem dúvida, um dos meios mais eficientes."

    Foto da exposição Foto da exposição

    O surrealismo, movimento nascido na França na década de 1920, também inspira Nina. A criação de cenas inusitadas, com o uso de objetos fora do contexto, são marcas da obra do fotógrafo. "No ano passado, a mostra Objetos, exposta no Centro Cultural da Justiça Federal do Rio de Janeiro, foi feita por fotos de mulheres, segurando objetos desconectados da realidade." Raladores de queijo, cartelas de ovos, gaiolas e bonecas não só compunham as cenas, como também estavam expostas no centro.

    Há alguns anos, o fotógrafo foi declarado construtivista, ao fotografar operárias em uma obra da Petrobras, além de máquinas e plataformas, e mostrar nas exposições Operárias da construção do polo petroquímico, Mulheres soldadoras, Mulheres operárias e Paisagens industriais: visões da terra e mar. "Fotografo o que acho bonito e tento alcançar uma perfeição estética, mesmo que tecnicamente. Fujo da falta de lugar da beleza da fotografia contemporânea. Fujo também de grandes exposições. Dão muito trabalho", brinca.

    Serviço

    Criaturas (In)animadas

    Local: Espaço Experimental Nina Mello
    Endereço: Rua José Lourenço Kelmer, São Pedro , 1330 / sala 103 - Juiz de Fora
    Data e hora:
    de 8/4 (quinta) a 21/5 (sexta), das 14h às 17h. Visitas personalizadas com agendamento

    Os textos são revisados por Madalena Fernandes

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