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    Estudantes do Central protestam contra deterioração do prédio

    Aluno revela que já se feriu em buraco no assoalho. Goteiras danificaram computadores. Esses são dois dos problemas enfrentados

    Raphael Placido
    Repórter
    13/3/2013

    Goteiras, rachaduras, infiltrações e buracos no assoalho (assista ao vídeo ao lado) têm feito parte da rotina dos estudantes e professores da Escola Estadual Delfim Moreira, o Central, localizado na avenida Rio Branco, esquina com a rua Braz Bernardino. Para protestar contra a situação da infraestrutura do prédio, tombado pelo Patrimônio Histórico, centenas de estudantes, na manhã desta quarta-feira, 13 de março, levaram cartazes e apitos, e tomaram as calçadas em frente ao prédio.

    Embora houvesse professores monitorando o evento, a ideia da mobilização partiu dos próprios alunos, que criaram uma página em uma rede social, e confeccionaram as faixas e cartazes para a manifestação.

    A imprensa não teve acesso ao prédio, mas alunos e professores relataram a existência de inúmeras goteiras, com algumas, inclusive, pingando de lâmpadas; e vários buracos no centenário chão de madeira. Com a sala de informática tomada por infiltrações e goteiras, computadores estão quebrados e inutilizados.

    Falta de segurança já causou acidentes

    Atualmente, o Central tem cerca de 2.200 alunos, e funciona em três turnos, o que ajuda a agravar a deterioração do prédio. O professor de Filosofia e Educação Religiosa, Rivail Miranda Xavier, teme pela segurança de alunos e funcionários. "Nosso principal problema é a estrutura. É um prédio tombado pelo Patrimônio Histórico, o que causa uma enorme burocracia, que atrasa tudo. Mas há omissão do Estado. Esse descaso é o maior agravante", denuncia.

    Xavier lembra que já houve casos de lesões sérias em virtude dos problemas. "No ano passado, uma professora quebrou o braço em sala de aula, por causa do piso de madeira em más condições. No dia 5 deste mês, um aluno ficou ferido na perna após pisar em uma tábua que cedeu. Isso no segundo andar do prédio, que não possui laje, e sim uma estrutura de madeira, que, possivelmente, tem mais de 120 anos."

    Segundo ele, quatro salas do prédio estão interditadas, inclusive a dos professores. "Toda essa situação é lamentável, e, na verdade, o que se percebe é uma grande desmotivação, tanto alunos quanto de professores. A última grande em reforma foi em 2001. A partir de então, só recebemos emendas e gambiarras", afirma.

    Mobilizados, estudantes chamaram a atenção na Rio Branco

    Munidos de cartazes, apitos, máscaras e vontade de mudar a situação, os estudantes, de forma pacífica, entoaram gritos de guerra e versos criados por eles. A Polícia Militar acompanhou o protesto. Alguns estudantes tinham a intenção de marchar pela Rio Branco, o que não lhes foi permitido. Para garantir a segurança deles, uma faixa da pista da Rio Branco, em frente à Braz Bernardino, chegou a ser fechada.

    A professora de geografia, Valesca Camargos dos Santos, orgulhosa dos alunos, acompanhou o evento. "Tudo isso partiu deles, que chegaram a criar uma página no Facebook. Há, inclusive, meninos do turno da tarde que vieram apoiar a iniciativa." Ela conta que a mãe do menino acidentado na semana passada chegou a fazer um boletim de ocorrência, e que pretende entrar com um processo contra o Estado.

    Com idades entre 15 e 16 anos, os alunos Tatiane Dachini, Laura Fortes, Bruno de Melo, Letícia Schneider, Renata Maia e Lorena Lima relataram, com frustração, os problemas enfrentados. "Eu não tenho sala. Estou estudando no auditório", conta uma. Outra alerta para os problemas estruturais. "O chão está muito ruim. No teto, tem goteira até na lâmpada." A situação da sala dos computadores também é bastante lamentada pelos estudantes. "A gente custou tanto a ganhar computadores, e, quando ganhamos, estão todos molhados."

    SEE-MG afirma estar buscando soluções

    Por telefone, a assessoria da Secretaria Estadual de Educação de Minas Gerais (SEE-MG) informou que uma reforma geral do prédio já vem sendo viabilizada, mas, por se tratar de um prédio tombado, acaba sendo uma reforma de restauração também, o que demanda projeto especial, que está em fase de elaboração.

    A assessoria confirmou, ainda, que, paralelamente, vem buscando, juntamente com a direção da escola, uma solução para o problema. "Estamos procurando, com urgência, um imóvel para transferir imediatamente estes alunos. Mas precisamos de um prédio grande, que comporte a demanda, e que seja próximo ao prédio original."

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