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    Tupi completa 97 anos com comemoração discretaAniversário é marcado pela preparação do time para a série D e pela venda de parte da sede do Carijó. Torcedores relembram a história do clube

    Patrícia Rossini
    *Colaboração
    26/05/2009

    O Tupi completa 97 anos nesta terça-feira, dia 26 de maio. Durante sua trajetória, o futebol é considerado por muitos o maior patrimônio construído pelo clube que, apesar das dificuldades financeiras, luta anualmente para manter as parcerias e disputar campeonatos. Mesmo com o orçamento apertado, conquistou no ano passado a Taça Minas Gerais, um dos mais importantes títulos da história do alvinegro no futebol profissional. Como o momento é de crise, a diretoria optou por fazer uma comemoração discreta.

    "O Tupi não pode bancar uma grande festa, não temos folga no orçamento para isso. Faremos uma celebração interna e uma missa às 19h na paróquia de Santa Terezinha em lembrança ao aniversário", explica o presidente do clube, Áureo Carneiro Fortuna.

    O aniversário deste ano ocorre em meio à preparação para a série D do Campeonato Brasileiro. Segundo ele, a diretoria está confiante na equipe para a disputa da série D. "Montamos um time competitivo e queremos brigar pela classificação." Neste domingo, dia 31 de maio, o Tupi apresenta à torcida os jogadores contratados para a temporada, no jogo contra o Sport. A partida faz parte da comemoração do aniversário da cidade.

    Sede

    A venda de parte da sede do Carijó também marca os 97 anos do Tupi. O vice-presidente José Roberto Maranhas adianta que o clube ainda conversa com os compradores para oficializar as propostas. "No final da tarde desta terça-feira, 26, faremos uma reunião com os proponentes. Uma das propostas já é oficial."

    O dirigente não revelou o valor das propostas, referentes à aquisição de cerca de 150 m² da sede do Tupi. O montante será utilizado para quitar a dívida de R$ 5,5 milhões.

    Memórias do alvinegro

    Entre glórias e frustrações, a torcida carijó se mantém ao lado do alvinegro de Santa Terezinha e se enche de orgulho para dizer que, ao contrário dos outros clubes da cidade, o Tupi manteve a equipe ativa mesmo nos momentos de dificuldade. "O Tupi é um time fênix, sempre ressurge das cinzas. Em janeiro, monta um time para disputar a temporada e, em dezembro, o plantel se dissolve. Por isso, digo que a grande alegria do Tupi é existir e resistir", comenta o jornalista e cronista esportivo do Portal ACESSA.com, Aílton Alves.

    Para Aílton, a venda de parte da sede é mais um sinal de resistência. "O clube preferiu manter o futebol e a torcida acesa. Por isso, precisou abrir mão do patrimônio. Os outros dois times da cidade trilharam o caminho oposto - deixaram a bola de lado para investir nos bens materiais."

    Quem acompanhou o time dentro e fora de campo também tem histórias para contar. É o caso dos jornalistas esportivos Ricardo Wagner e Márcio Guerra, consagrados pelas transmissões de rádio das partidas do alvinegro. "Talvez eu seja uma das pessoas que mais acompanhou o Tupi nos últimos vinte anos, desde as transmissões das partidas no rádio. Lembro da goleada histórica do Galo, 8 a 1 em cima do Avaí, na série C do Brasileiro de 97, e da frustração, logo em seguida, quando o Tupi precisava vencer uma partida em três para classificar para a série B e perdeu todas", conta Ricardo Wagner.

    Márcio Guerra considera o time montado na gestão do presidente Maurício Batista de Oliveira um dos mais fortes que viu jogar. "Naquele momento, Juiz de Fora tinha três times em atividade e o Tupi contava com uma equipe muito forte." O jornalista, que também é vice-presidente do Sport, comemora o retorno do Verdão ao futebol profissional. "É importante que Juiz de Fora tenha dois clubes profissionais disputando os campeonatos estaduais e nacionais."

    Fantasma do Mineirão

    Em 1966, sob o comando do técnico Geraldo Magela Tavares, o Tupi derrotou os três times da capital dentro do Mineirão, no episódio que deu ao clube o apelido de fantasma do Mineirão. O ano começou com uma vitória em cima do Cruzeiro, considerado o maior time do Brasil na época. "Convidamos a Raposa para jogar em Juiz de Fora e vencemos por 3 a 2. O Atlético Mineiro, querendo vingar a derrota da capital para o interior, chamou o Tupi para um amistoso em Belo Horizonte e também perdeu por 2 a 1. O América Mineiro também nos desafiou e perdeu pelo mesmo resultado. Foi quando o Tupi virou o fantasma da capital", conta Magela.

    O desempenho do Tupi chamou a atenção da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que chamou o Carijó para um jogo-treino contra a Seleção Brasileira que disputaria a Copa do Mundo naquele ano. "Joguei em um dos times mais fortes do Tupi e tive a felicidade de marcar nos dois amistosos contra a Seleção. Naquela época, o time tinha uma retranca muito forte", lembra João Pires, um dos grandes jogadores do Carijó.

    Magela, que comandou a equipe contra a Seleção, fica emocionado ao falar dos amistosos. "Fizemos um grande jogo em Caxambu e empatamos em 1 a 1. Fomos convidados para um segundo jogo e perdemos por 3 a 2. Nesse dia, o França perdeu um pênalti. É importante dizer que a maioria dos jogadores era da base do Tupi na época, jogando contra os maiores do futebol nacional."

    Moacir Toledo, ídolo do Tupi na década de 60 e responsável pelos três gols da vitória contra o Cruzeiro, se recorda dos colegas da época do fantasma do Mineirão. "Em 1966, o Tupi levou o nome de Juiz de Fora nas vitórias contra os grandes da capital. Lembro da escalação: Hélio, Manoel, Murilo, Dário, Valdir, Mauro, França, João Pires, Toledo, Vicente e Eurico."

    O ex-jogador, que atualmente treina uma equipe de futebol da cidade, passou a paixão alvinegra para toda a família. Seu genro, Júlio Maravilha, foi um jogador de destaque do Carijó e o neto, Rafael Toledo, foi revelado pela base do clube e integrou o time campeão da Taça Minas Gerais no ano passado.

    *Patrícia Rossini é estudante de Comunicação Social da UFJF

    Os textos são revisados por Madalena Fernandes

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