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    Técnico do Tupi avalia participação do clube no MineiroEm entrevista ao Portal ACESSA.com, Leonardo Condé fala sobre trabalho, dificuldades no futebol e faz mistério sobre permanência no Tupi

    Victor Machado
    *Colaboração
    19/4/2011
    Técnico Leonardo Condé deixa o gramado do estádio Municipal

    Escalado para comandar o Tupi Foot Ball Club durante o Módulo I do Campeonato Mineiro, o treinador Leonardo Condé acredita ter cumprido a missão, mesmo após a eliminação do time na primeira fase e sem a garantia da vaga para disputar a série D do Brasileirão. De cabeça erguida, o treinador concedeu entrevista ao Portal ACESSA.com por telefone e avaliou a participação do time na competição e o seu trabalho. Além disso, analisou as dificuldades dos times de interior no futebol brasileiro. Confira.


    ACESSA.com - Como você avalia a campanha do time no Campeonato Mineiro deste ano?

    Leonardo Condé - Todo time do interior entra no estadual com dois objetivos. O primeiro é evitar o rebaixamento e o segundo entrar nas semifinais. O primeiro conseguimos conquistar, mas o segundo ficamos um pouco distante. Acredito que a equipe conseguiu fazer bons jogos durante o torneio, mas, claro, tivemos oscilações ao longo do campeonato e isso acabou atrapalhando.

    ACESSA.com - O que faltou para que o Tupi conseguisse superar essas oscilações e garantir o segundo objetivo no campeonato?

    Leonardo Condé - Foi um conjunto de situações. O campeonato é de tiro curto, são 11 jogos e é preciso definir tudo em pouco tempo. Dessa maneira, o time tem que jogar 100% o tempo todo e saber definir. Tivemos alguns erros individuais e de arbitragem, por exemplo, contra o Villa Nova e contra o América, em que tivemos pênaltis não marcados. Além disso, alguns jogadores chegaram a sentir a pressão. Em muitos jogos, a torcida não simpatizou com a equipe e começou a vaiar. Tivemos desfalques em algumas partidas, contra o América, por exemplo, e, obviamente, assumo a  minha parte em que poderia ter escalado o time de forma diferente em alguns momentos. Não existe apenas um fator determinante.

    ACESSA.com - O Tupi não teve uma campanha muito boa jogando em casa, por quê?

    Leonardo Condé - Uma das coisas que faltaram para conseguir uma vaga nas semifinais foram os resultados dentro de casa. Como disse, foi uma série de fatores, entre eles, erros de escalação, pressão por resultado e desfalques. Fizemos alguns bons jogos dentro de casa contra o Cruzeiro e contra o Democrata, mas perdemos muitos pontos. Jogando longe de Juiz de Fora nossa campanha foi melhor, vencemos o Uberaba, Guarani e Ipatinga.

    ACESSA.com - Após a derrota para o América, você chegou a comentar sobre a diferença entre os times do interior e da capital. Como você avalia o futebol mineiro atualmente?

    Leonardo Condé - O futebol mineiro deve ser avaliado de duas formas. Existe o universo de Cruzeiro, Atlético e América, que é completamente diferente, por questões de calendário, orçamento etc. Para se ter uma ideia, o menor orçamento desses times é do América que chega a R$ 20 milhões por ano. Um time como o Tupi beira a R$ 1 milhão. Avaliando exclusivamente o interior, a cota de televisão é baixa. Cada time recebe R$ 350 mil. Em São Paulo, o valor chega a R$ 1,5 milhão. Isso faz com que a gente perca jogadores para o interior de outros Estados também. Tem que fortalecer o interior em relação a outros Estados. Infelizmente, é uma realidade e que deve ser mudada.

    ACESSA.com - Alguns times de interior apostam nas parcerias com grandes clubes para fortalecer o elenco. Você acredita que essa seria uma boa saída para o Tupi?

    Leonardo Condé - Parceria é algo relativo. Em Minas Gerais, a única que deu certo foi a do Ipatinga com o Cruzeiro. O Democrata fez este ano com o Botafogo e não deu certo. Quase foi rebaixado. O Tupi tem que caminhar com as próprias pernas e também trazer jogadores de times grandes. Este ano, conseguimos buscar o Felipe Cordeiro e Paulo Roberto no Atlético, por ter trabalhado lá. A parceria pode ser perigosa de uma forma. Se o campeonato acabar e a parceria também, o clube fica sem estrutura nenhuma e perde 15 jogadores de uma só vez. O time tem buscar viver das próprias pernas.

    ACESSA.com - O Tupi não conseguiu a vaga para a Série D e agora fica com o calendário desfalcado. Você acredita que deveria existir torneios durante todo o ano para times do interior?

    Leonardo Condé - Sem dúvida, o calendário é um dos fatores que atrapalha o planejamento dos times do interior. Se o Tupi for disputar a Taça Minas Gerais, só volta a ter jogos em agosto. O ideal seria que começasse um torneio logo após o término do estadual. Como que um clube vai sustentar um elenco durante três ou quatro meses apenas treinando? 

    ACESSA.com - É possível um clube do interior manter um elenco em atividade e competindo durante um ano inteiro?

    Leonardo Condé - Se tiver calendário e patrocinador, sim. Em Juiz de Fora, temos uma realidade um pouco deficitária. As empresas investem pouco no futebol e o Tupi fica com dificuldade de montar bons times. Temos um dos piores orçamentos do campeonato e, mesmo assim, conseguimos fazer boas campanhas.

    ACESSA.com - Falta incentivo do poder público?

    Leonardo Condé - Falar do poder público é complicado. Existem outras prioridades. Talvez seria interessante o poder público aproximar as empresas dos clubes. Não só para o futebol, mas para qualquer esporte. Até porque futebol é lazer e um futebol forte quer dizer que você está levando lazer para a população.

    ACESSA.com - Agora que o campeonato acabou para o Tupi, o que vai acontecer no futuro?

    Leonardo Condé - Ainda não posso afirmar nada. O meu compromisso era até o término do Campeonato Mineiro. Vou reunir com a direção do clube e avaliar. Ver o que o Tupi vai disputar daqui para frente. O Villa Nova e o América de Teófilo Otoni ainda não confirmaram presença na Série D e pode ser que surja uma oportunidade. Também vou analisar algumas sondagens de clubes das Séries B e D. Ainda é muito cedo para afirmar qualquer coisa. Não posso adiantar nada.

    *Victor Machado é estudante do 7º período de Comunicação Social da Faculdade Estácio de Sá

    Os textos são revisados por Thaísa Hosken

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