Nome do Colunista Matheus Brum 4/04/2016

Sol, festa e muitos gols. Confira o resumo de Flamengo e Botafogo em Juiz de Fora

Faltou técnica, mas sobrou disposição. Com apoio da torcida, que fez uma linda festa, partida termina empatada após gols de Carli e Lindoso pro Glorioso, e Alan Patrick e Cirino pro Flamengo

fotoDia ensolarado, festa das torcidas, provocações só nas arquibancadas e um jogo bem disputado. Esse foi o resumo do clássico carioca em Juiz de Fora. Depois de décadas, o Estádio Municipal Radialista Mário Helênio foi palco de uma das maiores rivalidades do futebol brasileiro. Os mais de 16 mil pagantes viram uma partida fraca tecnicamente, mas com muita disputa, digna de um jogo dessa magnitude.

O Flamengo começou melhor, propondo o jogo, principalmente com as subidas de Jorge e Rodinei pelos lados do campo. O técnico Muricy Ramalho resolveu mexer na equipe que considera ideal, colocando Alan Patrick e Éderson nos onze titulares, para aumentar a troca de passes e a articulação das jogadas. Com Cirino e Guerrero na frente, e uma marcação sob pressão, o início foi fulminante. Porém, com o tempo, o gás "acabou" e o Botafogo começou a impor o seu jogo, baseado em boa compactação e uma excelente organização. Os atletas sabiam a hora de subir ou não para o ataque, mostrando o belo trabalho que vem sendo feito por Ricardo Gomes.

Enquanto os jogadores corriam atrás da bola, nas arquibancadas era uma festa. Afinal de contas, muitos torcedores estavam "debutando" em um clássico. No lado rubro-negro, os tradicionais cânticos de "o Maraca é nosso" e "vamos comigo Mengo", além, é claro, das provocações aos botafoguenses como "ninguém cala esse chororô", em referência aos anos de 2007 e 2008, quando o Flamengo foi campeão carioca em cima do Botafogo com erros de arbitragem, e "ão, ão, ão, segunda divisão". Do outro lado, os alvinegros também gritavam suas canções, como hino do clube e "ninguém cala esse nosso amor". Mas, o que mais se ouviu do lado de lá das cabines de rádio e TV foram xingamentos a Willian Arão, que trocou General Severiano pelo Ninho do Urubu, e Guerrero. Quando um lado xingava, o outro aplaudia.

Toda essa atmosfera parece ter deixado a zaga do Flamengo sobre pressão. Depois de um bom início, Rodinei e Jorge começaram a subir ao mesmo tempo, deixando uma "avenida" nas costas, Wallace saia mal para "dar o bote", e Paulo Victor estava inseguro nas jogadas aéreas. Percebendo isso, Salgueiro e Ribamar faziam um "salseiro" pelos flancos. Não é à toa que eles conseguiram o escanteio que originou o primeiro gol do jogo. Depois da bola ser desviada pela zaga, sobrou para Salgueiro na direita, que cruzou na área. O goleiro rubro-negro saiu "catando borboleta" e a pelota sobrou nos pés de Carli, que só teve o trabalho de chutar para o gol vazio. Explosão da torcida alvinegra, e vários xingamentos da torcida flamenguista ao sistema defensivo, um tormento desde temporada passada.

Após o gol, o "Mais Querido" acordou. Quatro minutos depois Alan Patrick cobrou uma falta na meia esquerda, que só não entrou porque Jefferson se esticou todo no ângulo direito e jogou pra escanteio. Aos 26 minutos, Renan Fonseca recua curto para o goleiro, Guerrero rouba a rola, sai cara-a-cara, mas para na frente do "paredão" alvinegro.

Mesmo com todos esses lances de perigo, o time estava desorganizado. O meio de campo estava perdido, com Cuellar não sabendo iniciar as jogas, com Arão correndo de um lado a outro, sem efetividade, e Éderson e Alan Patrick completamente "encaixotados" na marcação. Com isso, a bola não chegava para Cirino e Guerrero, que claramente acusou o cansaço da maratona de três jogos em cinco dias (uma pelo Peru e duas pelo Fla).

Mesmo sem inspiração, o time da Gávea ia pra cima, e o esforço foi recompensado aos 32 minutos, quando Alan Patrick pegou a bola na meia lua e acertou um "chutasso" de canhota no ângulo direito de Jefferson, que dessa vez se esticou todo mas não conseguiu defender. Festa da torcida rubro-negra, que estava calada desde o gol adversário.

Porém, ao invés do jogo ficar ainda mais emocionante, os jogadores resolveram cadenciar, tocando bola de um lado a outro, e o primeiro tempo terminou sem nenhum lance de perigo.

Na volta ao segundo tempo, Muricy resolveu colocar Sheik no lugar de Éderson. Com isso, o time voltou a jogar no 4-3-3 que tem sido treinado desde o início da temporada. Logo aos oito minutos, Wallace derruba Ribamar no bico esquerdo da grande área. Pênalti pro Fogão. Na batida, Lindoso pega mal e Paulo Victor faz a defesa no canto esquerdo. No rebote, ninguém do Flamengo acompanha, Ribamar pega o rebote na pequena área, rola para o volante completar para o gol vazio. 2 a 1 Glorioso.

fotoApós o tento, o Botafogo recuou, dando espaços para o Flamengo que ia para cima sem nenhuma organização tática, apenas na vontade dos jogadores. Só que, com isso, oferecia contra-ataques, que eram desperdiçados pelo time mandante. Por contar com jogadores jovens, como Gegê, Ribamar e Salgueiro, o time não sabia aproveitar. Falta um cara que saiba segurar o jogo e organizar as jogadas, para colocar os atacantes na cara do gol. Como virou um "ataque contra defesa", muitas faltas começaram a ser marcadas. Os jogadores alvinegros tentavam colocar muita pressão em cima do árbitro Luís Antônio Silva dos Santos, o Índio, que "premiou", por exemplo, com cartão amarelo, Bruno Silva por reclamação, e Gegê por cera.
Tentado dar mais ofensividade ao rubro-negro, Muricy colocou Gabriel no lugar de Alan Patrick. Com isso, Sheik foi deslocado para armar as jogadas, função que não é a sua. Do outro lado, Salgueiro cansou, e Neilton entrou no seu lugar.

A tônica do jogo continuava a mesma. Pressão do Flamengo e contra-ataques desperdiçados pelo Botafogo. Depois de tanta insistência, há o empate. Arão rola para Rodinei na direita, que cruza na cabeça de Cirino, que entre os zagueiros cabeceia como "manda o figurino": de cima para baixo, no canto direito de Jefferson. Enquanto os torcedores de vermelho e preto vibravam, os de preto e branco ficavam apreensivos. Será que haveria uma virada a vista?

O time da Gávea até tentou, ensaiou uma pressão, mas a falta de organização falou mais alto. No último minuto, Gabriel teve a chance de virar em uma cobrança de falta frontal, na intermediária. Só que bola desviou na barreira e saiu para escanteio. Os jogadores correram rapidamente para o córner, mas, não havia mais tempo. Índio colocou o apito na boca e deu fim ao clássico em Juiz de Fora.

No final das contas, melhor para os mais de 16 mil presentes ao Mário Helênio. Ninguém saiu 100% feliz. Só que cada um voltou para a casa satisfeito. Seu time não foi derrotado, e tiveram um sábado com um futebol ruim tecnicamente, mas com muita disposição. O Botafogo tem um time organizado, que carece de qualidade técnica. O Flamengo têm jogadores muito bons com a bola do pé, mas falta organização. Será que se juntarmos os atletas do rubro-negro com o trabalho do Ricardo Gomes, teríamos o melhor time do Rio de Janeiro?


Matheus Brum nascido e criado em Juiz de Fora, jornalista em formação pela Universidade Federal de Juiz de Fora, e desde criança, apaixonado pelo Flamengo e por esportes. Já foi estagiário na Rádio CBN Juiz de Fora. Atualmente é escritor do blog "Entre Ternos e Chuteiras"; colaborador da Web Rádio Nac, apresentando uma coluna de opinião diariamente; editor e apresentador do programa Mosaico, que vai ao ar semanalmente na TVE, canal 12, e é membro da Acesso Comunicação Júnior, Empresa Júnior da Faculdade de Comunicação da UFJF, trabalhando no Departamento de Projetos e no núcleo de Jornalismo.

Os autores dos artigos assumem inteira responsabilidade pelo conteúdo dos textos de sua autoria. A opinião dos autores não necessariamente expressa a linha editorial e a visão do Portal ACESSA.com

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Nome do Colunista Matheus Brum 4/04/2016

Sol, festa e muitos gols. Confira o resumo de Flamengo e Botafogo em Juiz de Fora

Faltou técnica, mas sobrou disposição. Com apoio da torcida, que fez uma linda festa, partida termina empatada após gols de Carli e Lindoso pro Glorioso, e Alan Patrick e Cirino pro Flamengo

fotoDia ensolarado, festa das torcidas, provocações só nas arquibancadas e um jogo bem disputado. Esse foi o resumo do clássico carioca em Juiz de Fora. Depois de décadas, o Estádio Municipal Radialista Mário Helênio foi palco de uma das maiores rivalidades do futebol brasileiro. Os mais de 16 mil pagantes viram uma partida fraca tecnicamente, mas com muita disputa, digna de um jogo dessa magnitude.

O Flamengo começou melhor, propondo o jogo, principalmente com as subidas de Jorge e Rodinei pelos lados do campo. O técnico Muricy Ramalho resolveu mexer na equipe que considera ideal, colocando Alan Patrick e Éderson nos onze titulares, para aumentar a troca de passes e a articulação das jogadas. Com Cirino e Guerrero na frente, e uma marcação sob pressão, o início foi fulminante. Porém, com o tempo, o gás "acabou" e o Botafogo começou a impor o seu jogo, baseado em boa compactação e uma excelente organização. Os atletas sabiam a hora de subir ou não para o ataque, mostrando o belo trabalho que vem sendo feito por Ricardo Gomes.

Enquanto os jogadores corriam atrás da bola, nas arquibancadas era uma festa. Afinal de contas, muitos torcedores estavam "debutando" em um clássico. No lado rubro-negro, os tradicionais cânticos de "o Maraca é nosso" e "vamos comigo Mengo", além, é claro, das provocações aos botafoguenses como "ninguém cala esse chororô", em referência aos anos de 2007 e 2008, quando o Flamengo foi campeão carioca em cima do Botafogo com erros de arbitragem, e "ão, ão, ão, segunda divisão". Do outro lado, os alvinegros também gritavam suas canções, como hino do clube e "ninguém cala esse nosso amor". Mas, o que mais se ouviu do lado de lá das cabines de rádio e TV foram xingamentos a Willian Arão, que trocou General Severiano pelo Ninho do Urubu, e Guerrero. Quando um lado xingava, o outro aplaudia.

Toda essa atmosfera parece ter deixado a zaga do Flamengo sobre pressão. Depois de um bom início, Rodinei e Jorge começaram a subir ao mesmo tempo, deixando uma "avenida" nas costas, Wallace saia mal para "dar o bote", e Paulo Victor estava inseguro nas jogadas aéreas. Percebendo isso, Salgueiro e Ribamar faziam um "salseiro" pelos flancos. Não é à toa que eles conseguiram o escanteio que originou o primeiro gol do jogo. Depois da bola ser desviada pela zaga, sobrou para Salgueiro na direita, que cruzou na área. O goleiro rubro-negro saiu "catando borboleta" e a pelota sobrou nos pés de Carli, que só teve o trabalho de chutar para o gol vazio. Explosão da torcida alvinegra, e vários xingamentos da torcida flamenguista ao sistema defensivo, um tormento desde temporada passada.

Após o gol, o "Mais Querido" acordou. Quatro minutos depois Alan Patrick cobrou uma falta na meia esquerda, que só não entrou porque Jefferson se esticou todo no ângulo direito e jogou pra escanteio. Aos 26 minutos, Renan Fonseca recua curto para o goleiro, Guerrero rouba a rola, sai cara-a-cara, mas para na frente do "paredão" alvinegro.

Mesmo com todos esses lances de perigo, o time estava desorganizado. O meio de campo estava perdido, com Cuellar não sabendo iniciar as jogas, com Arão correndo de um lado a outro, sem efetividade, e Éderson e Alan Patrick completamente "encaixotados" na marcação. Com isso, a bola não chegava para Cirino e Guerrero, que claramente acusou o cansaço da maratona de três jogos em cinco dias (uma pelo Peru e duas pelo Fla).

Mesmo sem inspiração, o time da Gávea ia pra cima, e o esforço foi recompensado aos 32 minutos, quando Alan Patrick pegou a bola na meia lua e acertou um "chutasso" de canhota no ângulo direito de Jefferson, que dessa vez se esticou todo mas não conseguiu defender. Festa da torcida rubro-negra, que estava calada desde o gol adversário.

Porém, ao invés do jogo ficar ainda mais emocionante, os jogadores resolveram cadenciar, tocando bola de um lado a outro, e o primeiro tempo terminou sem nenhum lance de perigo.

Na volta ao segundo tempo, Muricy resolveu colocar Sheik no lugar de Éderson. Com isso, o time voltou a jogar no 4-3-3 que tem sido treinado desde o início da temporada. Logo aos oito minutos, Wallace derruba Ribamar no bico esquerdo da grande área. Pênalti pro Fogão. Na batida, Lindoso pega mal e Paulo Victor faz a defesa no canto esquerdo. No rebote, ninguém do Flamengo acompanha, Ribamar pega o rebote na pequena área, rola para o volante completar para o gol vazio. 2 a 1 Glorioso.

fotoApós o tento, o Botafogo recuou, dando espaços para o Flamengo que ia para cima sem nenhuma organização tática, apenas na vontade dos jogadores. Só que, com isso, oferecia contra-ataques, que eram desperdiçados pelo time mandante. Por contar com jogadores jovens, como Gegê, Ribamar e Salgueiro, o time não sabia aproveitar. Falta um cara que saiba segurar o jogo e organizar as jogadas, para colocar os atacantes na cara do gol. Como virou um "ataque contra defesa", muitas faltas começaram a ser marcadas. Os jogadores alvinegros tentavam colocar muita pressão em cima do árbitro Luís Antônio Silva dos Santos, o Índio, que "premiou", por exemplo, com cartão amarelo, Bruno Silva por reclamação, e Gegê por cera.
Tentado dar mais ofensividade ao rubro-negro, Muricy colocou Gabriel no lugar de Alan Patrick. Com isso, Sheik foi deslocado para armar as jogadas, função que não é a sua. Do outro lado, Salgueiro cansou, e Neilton entrou no seu lugar.

A tônica do jogo continuava a mesma. Pressão do Flamengo e contra-ataques desperdiçados pelo Botafogo. Depois de tanta insistência, há o empate. Arão rola para Rodinei na direita, que cruza na cabeça de Cirino, que entre os zagueiros cabeceia como "manda o figurino": de cima para baixo, no canto direito de Jefferson. Enquanto os torcedores de vermelho e preto vibravam, os de preto e branco ficavam apreensivos. Será que haveria uma virada a vista?

O time da Gávea até tentou, ensaiou uma pressão, mas a falta de organização falou mais alto. No último minuto, Gabriel teve a chance de virar em uma cobrança de falta frontal, na intermediária. Só que bola desviou na barreira e saiu para escanteio. Os jogadores correram rapidamente para o córner, mas, não havia mais tempo. Índio colocou o apito na boca e deu fim ao clássico em Juiz de Fora.

No final das contas, melhor para os mais de 16 mil presentes ao Mário Helênio. Ninguém saiu 100% feliz. Só que cada um voltou para a casa satisfeito. Seu time não foi derrotado, e tiveram um sábado com um futebol ruim tecnicamente, mas com muita disposição. O Botafogo tem um time organizado, que carece de qualidade técnica. O Flamengo têm jogadores muito bons com a bola do pé, mas falta organização. Será que se juntarmos os atletas do rubro-negro com o trabalho do Ricardo Gomes, teríamos o melhor time do Rio de Janeiro?


Matheus Brum nascido e criado em Juiz de Fora, jornalista em formação pela Universidade Federal de Juiz de Fora, e desde criança, apaixonado pelo Flamengo e por esportes. Já foi estagiário na Rádio CBN Juiz de Fora. Atualmente é escritor do blog "Entre Ternos e Chuteiras"; colaborador da Web Rádio Nac, apresentando uma coluna de opinião diariamente; editor e apresentador do programa Mosaico, que vai ao ar semanalmente na TVE, canal 12, e é membro da Acesso Comunicação Júnior, Empresa Júnior da Faculdade de Comunicação da UFJF, trabalhando no Departamento de Projetos e no núcleo de Jornalismo.

Os autores dos artigos assumem inteira responsabilidade pelo conteúdo dos textos de sua autoria. A opinião dos autores não necessariamente expressa a linha editorial e a visão do Portal ACESSA.com

Nome do Colunista Matheus Brum 4/04/2016

Sol, festa e muitos gols. Confira o resumo de Flamengo e Botafogo em Juiz de Fora

Faltou técnica, mas sobrou disposição. Com apoio da torcida, que fez uma linda festa, partida termina empatada após gols de Carli e Lindoso pro Glorioso, e Alan Patrick e Cirino pro Flamengo

fotoDia ensolarado, festa das torcidas, provocações só nas arquibancadas e um jogo bem disputado. Esse foi o resumo do clássico carioca em Juiz de Fora. Depois de décadas, o Estádio Municipal Radialista Mário Helênio foi palco de uma das maiores rivalidades do futebol brasileiro. Os mais de 16 mil pagantes viram uma partida fraca tecnicamente, mas com muita disputa, digna de um jogo dessa magnitude.

O Flamengo começou melhor, propondo o jogo, principalmente com as subidas de Jorge e Rodinei pelos lados do campo. O técnico Muricy Ramalho resolveu mexer na equipe que considera ideal, colocando Alan Patrick e Éderson nos onze titulares, para aumentar a troca de passes e a articulação das jogadas. Com Cirino e Guerrero na frente, e uma marcação sob pressão, o início foi fulminante. Porém, com o tempo, o gás "acabou" e o Botafogo começou a impor o seu jogo, baseado em boa compactação e uma excelente organização. Os atletas sabiam a hora de subir ou não para o ataque, mostrando o belo trabalho que vem sendo feito por Ricardo Gomes.

Enquanto os jogadores corriam atrás da bola, nas arquibancadas era uma festa. Afinal de contas, muitos torcedores estavam "debutando" em um clássico. No lado rubro-negro, os tradicionais cânticos de "o Maraca é nosso" e "vamos comigo Mengo", além, é claro, das provocações aos botafoguenses como "ninguém cala esse chororô", em referência aos anos de 2007 e 2008, quando o Flamengo foi campeão carioca em cima do Botafogo com erros de arbitragem, e "ão, ão, ão, segunda divisão". Do outro lado, os alvinegros também gritavam suas canções, como hino do clube e "ninguém cala esse nosso amor". Mas, o que mais se ouviu do lado de lá das cabines de rádio e TV foram xingamentos a Willian Arão, que trocou General Severiano pelo Ninho do Urubu, e Guerrero. Quando um lado xingava, o outro aplaudia.

Toda essa atmosfera parece ter deixado a zaga do Flamengo sobre pressão. Depois de um bom início, Rodinei e Jorge começaram a subir ao mesmo tempo, deixando uma "avenida" nas costas, Wallace saia mal para "dar o bote", e Paulo Victor estava inseguro nas jogadas aéreas. Percebendo isso, Salgueiro e Ribamar faziam um "salseiro" pelos flancos. Não é à toa que eles conseguiram o escanteio que originou o primeiro gol do jogo. Depois da bola ser desviada pela zaga, sobrou para Salgueiro na direita, que cruzou na área. O goleiro rubro-negro saiu "catando borboleta" e a pelota sobrou nos pés de Carli, que só teve o trabalho de chutar para o gol vazio. Explosão da torcida alvinegra, e vários xingamentos da torcida flamenguista ao sistema defensivo, um tormento desde temporada passada.

Após o gol, o "Mais Querido" acordou. Quatro minutos depois Alan Patrick cobrou uma falta na meia esquerda, que só não entrou porque Jefferson se esticou todo no ângulo direito e jogou pra escanteio. Aos 26 minutos, Renan Fonseca recua curto para o goleiro, Guerrero rouba a rola, sai cara-a-cara, mas para na frente do "paredão" alvinegro.

Mesmo com todos esses lances de perigo, o time estava desorganizado. O meio de campo estava perdido, com Cuellar não sabendo iniciar as jogas, com Arão correndo de um lado a outro, sem efetividade, e Éderson e Alan Patrick completamente "encaixotados" na marcação. Com isso, a bola não chegava para Cirino e Guerrero, que claramente acusou o cansaço da maratona de três jogos em cinco dias (uma pelo Peru e duas pelo Fla).

Mesmo sem inspiração, o time da Gávea ia pra cima, e o esforço foi recompensado aos 32 minutos, quando Alan Patrick pegou a bola na meia lua e acertou um "chutasso" de canhota no ângulo direito de Jefferson, que dessa vez se esticou todo mas não conseguiu defender. Festa da torcida rubro-negra, que estava calada desde o gol adversário.

Porém, ao invés do jogo ficar ainda mais emocionante, os jogadores resolveram cadenciar, tocando bola de um lado a outro, e o primeiro tempo terminou sem nenhum lance de perigo.

Na volta ao segundo tempo, Muricy resolveu colocar Sheik no lugar de Éderson. Com isso, o time voltou a jogar no 4-3-3 que tem sido treinado desde o início da temporada. Logo aos oito minutos, Wallace derruba Ribamar no bico esquerdo da grande área. Pênalti pro Fogão. Na batida, Lindoso pega mal e Paulo Victor faz a defesa no canto esquerdo. No rebote, ninguém do Flamengo acompanha, Ribamar pega o rebote na pequena área, rola para o volante completar para o gol vazio. 2 a 1 Glorioso.

fotoApós o tento, o Botafogo recuou, dando espaços para o Flamengo que ia para cima sem nenhuma organização tática, apenas na vontade dos jogadores. Só que, com isso, oferecia contra-ataques, que eram desperdiçados pelo time mandante. Por contar com jogadores jovens, como Gegê, Ribamar e Salgueiro, o time não sabia aproveitar. Falta um cara que saiba segurar o jogo e organizar as jogadas, para colocar os atacantes na cara do gol. Como virou um "ataque contra defesa", muitas faltas começaram a ser marcadas. Os jogadores alvinegros tentavam colocar muita pressão em cima do árbitro Luís Antônio Silva dos Santos, o Índio, que "premiou", por exemplo, com cartão amarelo, Bruno Silva por reclamação, e Gegê por cera.
Tentado dar mais ofensividade ao rubro-negro, Muricy colocou Gabriel no lugar de Alan Patrick. Com isso, Sheik foi deslocado para armar as jogadas, função que não é a sua. Do outro lado, Salgueiro cansou, e Neilton entrou no seu lugar.

A tônica do jogo continuava a mesma. Pressão do Flamengo e contra-ataques desperdiçados pelo Botafogo. Depois de tanta insistência, há o empate. Arão rola para Rodinei na direita, que cruza na cabeça de Cirino, que entre os zagueiros cabeceia como "manda o figurino": de cima para baixo, no canto direito de Jefferson. Enquanto os torcedores de vermelho e preto vibravam, os de preto e branco ficavam apreensivos. Será que haveria uma virada a vista?

O time da Gávea até tentou, ensaiou uma pressão, mas a falta de organização falou mais alto. No último minuto, Gabriel teve a chance de virar em uma cobrança de falta frontal, na intermediária. Só que bola desviou na barreira e saiu para escanteio. Os jogadores correram rapidamente para o córner, mas, não havia mais tempo. Índio colocou o apito na boca e deu fim ao clássico em Juiz de Fora.

No final das contas, melhor para os mais de 16 mil presentes ao Mário Helênio. Ninguém saiu 100% feliz. Só que cada um voltou para a casa satisfeito. Seu time não foi derrotado, e tiveram um sábado com um futebol ruim tecnicamente, mas com muita disposição. O Botafogo tem um time organizado, que carece de qualidade técnica. O Flamengo têm jogadores muito bons com a bola do pé, mas falta organização. Será que se juntarmos os atletas do rubro-negro com o trabalho do Ricardo Gomes, teríamos o melhor time do Rio de Janeiro?


Matheus Brum nascido e criado em Juiz de Fora, jornalista em formação pela Universidade Federal de Juiz de Fora, e desde criança, apaixonado pelo Flamengo e por esportes. Já foi estagiário na Rádio CBN Juiz de Fora. Atualmente é escritor do blog "Entre Ternos e Chuteiras"; colaborador da Web Rádio Nac, apresentando uma coluna de opinião diariamente; editor e apresentador do programa Mosaico, que vai ao ar semanalmente na TVE, canal 12, e é membro da Acesso Comunicação Júnior, Empresa Júnior da Faculdade de Comunicação da UFJF, trabalhando no Departamento de Projetos e no núcleo de Jornalismo.

Os autores dos artigos assumem inteira responsabilidade pelo conteúdo dos textos de sua autoria. A opinião dos autores não necessariamente expressa a linha editorial e a visão do Portal ACESSA.com