Passeios que podem trazer riscos à saúde dos cãesO hábito de passear com a cabeça para fora da janela em automóveis em movimento pode causar problemas nos ouvidos e nos olhos dos bichinhos

Aline Furtado
Repórter
19/9/2009

A cena pode ser vista com facilidade pelas ruas da cidade. Os donos levam seus cãezinhos para passear de carro e a maioria deles adora esse tipo de passeio. Gostam de observar a paisagem e muitos colocam a cabeça para fora da janela.

A cena é bonita, afinal, o cão geralmente parece muito feliz por estar sentindo o vento em seu corpo. Entretanto, é preciso ter atenção a este hábito dos bichinhos, porque o costume pode desencadear problemas sérios à saúde dos cães, entre eles, a otite, inflamação de ouvido, e o ressecamento ou lesões na córnea.

De acordo com a veterinária Kátia Mafra, o vento direto no ouvido por ocasionar a otite. "Este não é um problema agudo e não surge logo após um passeio ou uma viagem. Os sintomas vêm depois de um certo tempo e de alguns passeios."

O dono do cão deve estar atento a alguns sintomas que podem ser sinal de inflamação no ouvido e que devem servir como alerta. Segundo a veterinária, vermelhidão, mau cheiro, além do hábito do cachorro pender a cabeça para um lado e bater a patinha na orelha.

Ainda com relação ao ouvido, a ventania pode facilitar a entrada de sujeira no canal auditivo. "Poeira ou algum fragmento podem ser projetados para o interior do ouvido. Neste caso, a própria cera, que serve como barreira protetora, expulsa a sujeira."

Kátia esclarece, ainda, que algumas raças têm mais predisposição a desenvolver problemas devido ao hábito de colocar a cabeça para fora da janela quando passeiam de carro. "Cães das raças poodle, cookie e yorkshire são mais suscetíveis, porque têm orelhas pendentes, que são mais facilmente movimentadas para trás com a ação do vento."

Cachorro 2 Cachorro 3 Cachorro 4

Os olhos dos cães também podem ser prejudicados quando expostos à ventania. "Pode ser causado o ressecamento da córnea, além de existir o risco de o vento projetar algum fragmento, seja poeira ou asfalto, que pode lesionar a vista do animal."

Os problemas nas vistas dos cães têm caráter mais agudo do que a otite, podendo ser percebidos no dia seguinte a um passeio. "Se a córnea foi lesionada, é comum que os olhos fiquem lacrimejantes, além de o cão ficar resistente a ambientes onde haja muita luminosidade. É comum, ainda, que o animal fique amuado e esfregando os olhinhos com as patas."

No caso de ressecamento das córneas, é comum que os olhos fiquem vermelhos e que a secreção matinal fique mais grossa. Segundo a veterinária, quando o dono perceber sintomas como estes, é imprescindível que seja feita uma visita ao veterinário o mais rápido possível.

Outros riscos

Além de problemas como a otite, a lesão e o ressecamento das córneas, o costume que os cachorros têm de colocar a cabeça para fora da janela com o automóvel em movimento pode acarretar acidentes sérios. "É perigoso porque outros carros e motos podem passar muito próximos e atingir o cão", destaca a veterinária.

E mais, os cachorros podem pular pela janela. "Isso pode acontecer devido ao susto ou porque os bichinhos podem ver algo que chame atenção. Como eles não têm noção do perigo, agem por impulso."

Segurança garantida

Para que problemas sejam evitados, Kátia dá a dica quanto à prevenção: "É importante que as janelas estejam sempre fechadas quando o carro estiver em movimento. Em estradas a atenção deve ser redobrada."

Além disso, a forma mais segura de transportar cães em automóveis é levá-los em uma caixa específica para este fim, sempre no banco de trás, ou fazendo o uso de cinto de segurança feito especialmente para eles. Atento a isso, o dono garante a segurança do cachorro e sua própria segurança também.

O que diz a lei

O Código de Trânsito Brasileiro estabelece, em seu artigo 235, que é proibido conduzir animais nas partes externas do veículo, salvo se autorizado pelas autoridades de trânsito. A infração deste artigo é considerada falta grave e acarreta ao infrator multa, com perda de cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH), podendo, ainda, ser feita a retenção do veículo para transbordo.

Além disso, o inciso II do artigo 252 proíbe o transporte de animais à esquerda do motorista ou entre os seus braços e pernas. Neste caso, a infração é considerada falta média, estando o infrator sujeito à multa e à perda de quatro pontos na CNH.

Os textos são revisados por Madalena Fernandes

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