Diabetes em cães e gatos pode ser reflexo de hábitos do dono Oferecer alimentos ricos em carboidratos e gorduras pode acarretar um problema que vem crescendo entre os humanos e os bichanos, o diabetes

Aline Furtado
Repórter
17/8/2011
Cão

Quem nunca ofereceu, ao comer alguma guloseima, um pedacinho ao cão ou ao gato? Hábitos como este, além daqueles que denunciam a vida sedentária de donos de animais, acabam interferindo de forma negativa na saúde dos bichanos. Uma das doenças que pode se manifestar é o diabetes, que pode ser hereditário ou surgir ao longo da idade.

"Proprietários de animais não devem criar o hábito de oferecer doces e massas aos pets. O ideal é que a alimentação esteja focada em rações, frutas e muita água", aponta a veterinária, Daniele Ferreira Milione. Ela afirma que chocolate é expressamente proibido. "O chocolate não conta com uma enzima que auxilia na absorção pelo organismo, o que pode levar à intoxicação."

Segundo ela, oferecer alimentos ricos em carboidratos e gorduras pode acarretar um problema que vem crescendo entre os humanos e os bichanos, o diabetes. "Por isso não se deve oferecer petiscos, a fim de evitar a doença, além do aumento da pressão arterial e da taxa de colesterol, o que, por sua vez, desencadeia problemas cardíacos." Ela afirma que até mesmo algumas rações encontradas no mercado trazem quantidade elevada de carboidratos.

Somando aos hábitos alimentares e ao sedentarismo, neste segundo caso, o tamanho das casas ou apartamentos também pode contribuir. "Se o espaço onde fica a animal é pequeno, ele acaba não se movimentando tanto." Diante dos fatores que podem favorecer para o surgimento do diabetes, a veterinária afirma que os donos devem ficar atentos a alguns sintomas, como o ato de beber muita água, urina em excesso e o aumento da quantidade de comida ingerida, além de alterações no peso.

"O nível de glicosúria, que é o excesso de glicose na urina, é tão alto que é possível ver formigas ao redor do xixi. Já o aumento de comida pode provocar obesidade, principalmente nos cães. Contudo, é possível que o animal coma mais e não ganhe, ao contrário, perca peso, principalmente os gatos." A raça de cão mais acometida pelo diabetes é poodle.

Semelhante ao homem, a taxa de glicemia aceitável no caso de animais varia até aproximadamente 110 mg/dL. "No cão, o ideal é entre 60 mg/dL e 110 mg/dL, já nos gatos, pode variar entre 60 mg/dL e 120 mg/dL." Daniele destaca que a maioria dos casos de diabetes em animais refere-se ao tipo II da doença, que é quando a manifestação ocorre com o passar do tempo, sendo mais comum a partir do primeiro ano de idade. O diabetes hereditário é mais raro. A veterinária lembra que algumas doenças acabam provocando o diabetes. "A Síndrome de Cushing, por exemplo, que afeta as glândulas que produzem o corticóide, pode "puxar" o diabetes."

Cães sofrem mais

Daniele afirma que os cães sofrem mais do que os gatos, podendo tornar-se insulinodependentes. "Logo quando a doença é descoberta, o controle tende a ser fácil, existindo, inclusive, rações próprias no mercado. Contudo, com o passar do tempo, é normal que os cães passem a ser dependentes da insulina, não tendo grande perspectiva de sobrevida."

Já os gatos podem responder melhor aos tratamentos, que fazem com que a taxa de glicose baixe. "Mas é preciso que os casos sejam bem avaliados, afinal, se o animal está sob estresse intenso, o nível de glicose pode ser alterado. Por isso, é importante que seja realizado o exame chamado curva glicêmica, que consiste em cerca de cinco coletas de sangue ao longo do dia."

Os textos são revisados por Thaísa Hosken

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