Especialistas opinam sobre exercício físico para crianças e adolescentes

Algumas atividades dividem opiniões como a musculação com levantamento de carga para menores de 15 anos. Mas exercícios funcionais, esportes e aeróbico são aceitos

Angeliza Lopes
Repórter
19/12/2015
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Será que o exercício físico é contraindicado para crianças e adolescentes? Especialistas dizem que não, desde que seja acompanhado por profissionais. As atividades físicas estimulam o desenvolvimento cerebral, a coordenação motora e cognitiva e a sociabilidade, podendo ser aplicada de diversas forma, de acordo com a faixa etária. Além disso, torna a prática uma rotina saudável para estas crianças, que vão se tornar adultos já condicionados à prática sem muito esforço. Mas será que treinos com carga e musculação são indicados para idades entre 8 e 14 anos? Neste quesito as opiniões já divergem.

O fisioterapeuta Cristiano D'Ávila Pereira esclarece que exercícios de musculação com carga devem ser feitos de forma controlada e monitorada pelo profissional de educação física, com liberação médica após consulta com cardiologista e prescrição individualizada. Ele avalia que as restrições são as mesmas para um adulto, como casos de crianças com hipertensão e distúrbio psicológico.

Já o educador físico Renato Camilo de Souza entende que mesmo que não haja pesquisas que falem de forma negativa sobre a musculação para menores 15 anos, ele prefere optar pela indicação de atividades mais esportivas, aeróbicas e funcionais. "Estas são a idade do crescimento e o metabolismo da criança é muito acelerado. Uma sobrecarga muscular pode causar lesões sérias. Por isso, mesmo que não seja comprovado cientificamente, minha precaução é pelo bom senso. Indico dança, esporte", destaca.

Sobrepeso na infância

Com o consumo descontrolado de alimentos gordurosos e fast foods, cada vez mais crianças entram no sobrepeso muito novas. Segundo Pereira, a predisposição de uma criança obesa se tornar um adulto acima do peso é de 80%, por isso, mais que os exercícios é necessário se pensar na alimentação. "Cada caso é um caso, a criança pode ter um distúrbio metabólico ou de tireoide, por isso a ação deve ser pensada de forma individualizada".

Souza concorda e destaca que muitos adultos acabam deixando para procurar uma academia quando são indicadas pelo médico. Por isso, a importância do incentivo dentro de casa desde cedo. "Quando novos, indico exercícios funcionais, corridas em esteira com acompanhamento, natação, que ajuda no fôlego, dança, entre outros".

Benefícios

Os benefícios para o desenvolvimento da criança são vários. Conforme o fisioterapeuta, as atividades aumentam a concentração do atleta mirim em outras atividades, como estudar e ler. Já no convívio com a família, auxilia a coordenação motora, mobilidade e diminui os riscos de uma lesão futura. "Esta fase entre 8 e 14 anos é a melhor para o aprendizado motor".

Já para menores de 8 anos, o indicado é trabalhar com a atenção e percepção, pois é a fase da infância mais agitada. "São condicionadas atividades de percepção de um objeto ou sequencias de ações com hora de parar, agachar e correr, brincadeiras tipo morto-vivo, que causam ação e reação no ambiente. Pensar também em trabalhos que se identifiquem com o gosto da criança como esporte ou cores, utilizando na atividade um material mais lúdico".

Suplementos

Outro assunto polêmico é o uso de suplementos alimentares por adolescentes. O educador físico não aprova o uso de suplementos em situações desnecessárias. "Toda a reposição pode ser feita com alimentação balanceada, com o auxílio de uma nutricionista. Muita proteína no organismo pode causar sobrecarga no sistema renal, por isso tudo deve ter acompanhamento. Vejo necessidade apenas em casos de alta performance, como atletas. Mas nas outras situações a alimentação de três em três horas, reposição dos sais minerais e alimentação são suficientes".


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