Oficina de desenho desperta gosto pela arte Crianças carentes desenvolvem o potencial para o desenho. Aprendem, entre outras técnicas, o mangá, que é o gênero dos quadrinhos japoneses


Daniele Gruppi
Repórter
28/08/2008
Interatividade:

O estudante Denner Ferreira Paulino, 13 anos, cultiva desde os sete o gosto pelo desenho. "Sempre que estou parado, sem fazer nada, começo a desenhar. Meu sonho é me tornar um artista", conta.

Douglas Pereira, 12, também adora desenhar e coleciona todos os trabalhos que produz em uma pasta. "Quando comecei a fazer ilustrações, colocava tudo dentro do caderno, mas a minha mãe brigava comigo. Juntei dinheiro para comprar uma pasta e guardo os desenho nela agora".

Para desenvolver-se na arte, os meninos se inscreveram no Projeto Social de Reforço, promovido pela Igreja do bairro Bairu, com o objetivo de participarem da oficina de desenho. Coordenada pelo desenhista Alberto Pinto, cerca de 25 crianças carentes freqüentam as aulas.

Alberto explica que o desenho é uma forma de comunicação. "Desenhar é humano. A primeira forma de expressão que as crianças utilizam é o desenho. Depois, quando entram na escola, perde-se um pouco desse hábito, pois as crianças aprendem a escrever. Só que não é preciso trocar as formas de comunicação, pode-se aliar as duas".

Segundo o artista, quando se fala em desenho as pessoas pensam em uma obra-prima, como a Monalisa. "Por isso, mostro aos meninos as obras de Picasso. Têm umas que são rabiscos e são valorizadas". Muitos garotos que estão na oficina não acreditam no seu potencial. "Eles dizem que não sabem fazer e eu os digo: 'continuem'. Costumo passar o lápis por cima do desenho deles para mostrar o quanto está bom".

Foto de porta-lápis Foto de porta-lápis Foto de porta-lápis

Para ele, desenhar é parecido com a matemática. "Ensino as quatro operações básicas: soma, subtração, multiplicação e divisão. Mesmo o desenho mais complexo, acaba caindo nelas. Por exemplo, para fazer uma rosa, alio a forma de uma chave dentro de uma espiral".

Ele diz que através do desenho é possível ver se os baixinhos estão com algum problema, pois eles exprimem seus sentimentos no papel. "Têm pais que podam os filhos. Às vezes, a criança faz um desenho, entrega para a mãe e ela o rasga".

A oficina

Alberto, nas primeiras aulas, avalia o potencial de cada um. "Passo atividade para colorir ou desenho livre. Geralmente, escolho trabalhar com personagens de desenho animado para atrair a atenção dos garotos".

Depois o desenhista começa a ensinar o esquema corporal. Ele orienta como fazer as mãos, os olhos, o nariz, dentre outras partes. Depois, ensina um pouco sobre o mangá, que é o gênero de quadrinhos japonês (foto acima ao centro e à esquerda).

Foto de porta-lápis Foto de porta-lápis Foto de porta-lápis

O mangá, atualmente, está inspirando tendências no Brasil. Alberto comenta que até o Maurício de Souza, criador da Turma da Mônica, está seguindo a linha japonesa. Ele criou os personagens da turminha jovem no formato mangá e está conquistando os adolescentes.

Para Alberto, os personagens no molde de mangá são mais expressivos. Ele afirma também que o desenho do corpo humano é mais simplificado. Após passar pelo mangá, o artista aborda os cartoons, charges e a humanização de animais. Só depois começa a trabalhar com tonalidade, profundidade e sombreamento. O estudante Cleiton Brian, 9 anos, confessa que quer saber desenhar tudo o que ele pensar.

Alberto também promove oficina de desenho pelo projeto Biblioteca Viva, na Biblioteca Municipal Murilo Mendes (Avenida Getúlio Vargas, 200). O trabalho, que acontece há seis meses, de forma experimental, tem conseguido ampliar o interesse e o gosto também pela leitura.

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