"Liberdade antes que tardia" Para quem sonha em morar sozinho, as histórias e as dicas de quem deixou a casa dos pais

Deborah Moratori
29/01/2003

"Quando você tiver a sua casa, você arruma do seu jeito". Pode atirar a primeira pedra quem nunca ouviu essa célebre frase da própria mãe. Esse episódio tão comum está longe de ter sido o motivo que justificou a saída da administradora Patrícia Guimarães de Faria da casa dos pais.

Na verdade, a vontade de ter a casa própria já habitava os sonhos de Patrícia desde os 18 anos. Daí até o dia em que deu o grito definitivo de liberdade, passaram-se alguns anos, muitas conversas foram travadas com os pais, tudo para que a mudança da caçula se desse de forma natural.

Patrícia conta que os pais apoiaram e encararam a saída de forma natural. "Minha mãe sentiu mais no início, porque eu sou a filha mais nova, a única que ainda morava com eles e a única que saiu de casa não para morar em outra cidade para trabalhar ou estudar, nem para casar, mas para morar sozinha e na mesma cidade".

Abandonando o barco

E o corte no umbigo foi mesmo definitivo. "Faço as minhas refeições aqui ou então como na rua quando não dá tempo. Pago minhas próprias contas. Não mando roupa suja para ser lavada na casa dos meus pais. Eu não tenho a minha casa só para dormir".

A independência, no entanto, não significou separação total. Patrícia visita os pais de três a quatro vezes por semana e, para matar a saudade, procura estar sempre os envolvendo em atividades de que participa - cursos, aulas de outros idiomas.

O difícil foi as outras pessoas entenderem a mudança. "O eletricista que trabalhou aqui quando eu estava arrumando o apartamento antes de mudar chegou a perguntar para mim como eu tinha coragem de 'abandonar' os meus pais", diverte-se.

"Nunca me faltou liberdade em casa e esse também não foi o motivo da mudança. Não houve briga, eu não saí de casa para morar com outra pessoa e nem para ficar fazendo festas todos os dias, mas para ter a minha casa, as minhas coisas e tudo do meu jeito".

Minha casa, minha história

Morando sozinha desde agosto de 2001, do rodapé ao sino de vento pendurado na luminária, tudo foi escolhido a dedo por Patrícia. Cada peça comprada, cada móvel, cada item foi uma conquista muito curtida e muito planejada, motivo de orgulho e felicidade depois da mudança.

"Quando a gente curte o que nosso, quando cada objeto que você tem em casa foi escolhido com carinho e muito critério você não se sente só, porque você está rodeada de coisas muito familiares".

Além disso, ela conta com a companhia de duas tartarugas - o Emanuel e a Grampola - e dos bichinhos de pelúcia que fez questão de trazer da casa dos pais. E, quando a saudade bate apertado, tem um quadro de fotos com os pais, amigos, irmãos e sobrinhos.

O som, a TV e o computador conectado à Internet também estão sempre ligados. E, quando sobra tempo, ela gosta de fazer ginástica e bordar.

E quando aparece uma barata?

Se há desvantagens em morar sozinha, Patrícia diz que são poucas. "Um ou outro tipo de limpeza me desagrada. Manter uma faxineira sempre custa caro, então tenho que limpar banheiro que é chato, lidar com água sanitária... Mas também tem uma vantagem: no dia que você não está a fim de arrumar a cama não tem ninguém para reclamar".

Os inseticidas já estão bastante evoluídos para contornar a maior dificuldade que Patrícia teve depois que começou a morar sozinha.

"Eu troquei todos os ralos por aqueles que dão a possibilidade de estarem fechados quando não estão sendo usados. Além disso, eu mantenho o apartamento sempre dedetizado para evitar esse tipo de problema. Antes eu usava muito inseticida, mas depois que eu quase morri após espalhar muito desse produto no quarto para matar uma mini-barata, passei a comprar umas iscas. Então todas as vezes que elas aparecem já estão meio zonzas e dá para matar antes que elas fujam".

O botijão de gás, ela troca sem problemas. Ruim é quando aparece alguma infiltração ou defeito no chuveiro. "Como eu trabalho o dia inteiro, fica difícil eu tomar todas as providências. Mesmo assim, como nesse prédio mora muita gente sozinha, o porteiro tem sempre uma pessoa de confiança para indicar".

Na ponta do lápis

E para evitar maiores problemas, a dica que Patrícia dá para quem já mora ou quer morar sozinho é planejar tudo. Desde as despesas que aumentam bastante até a disposição dos móveis. "Hoje eu tenho que ser mais controlada em relação aos meus gastos, apesar de eu já ter tudo programado antes de mudar. E também tudo deve ser muito prático".

No supermercado, a sugestão é comprar pequenas quantidades e sempre o que estiver mais fresco. E quanto à dificuldade de fazer compra para uma pessoa só, ela não reclama: "Hoje em dia as pessoas já estão mais preocupadas com isso. Há porções menores como, pacotes de pão de fôrma, e alguns itens produzidos para quem não quer ter muito trabalho, como é o caso das seletas de legumes que já vêm descascadas e picadas".

Em casa, também não se deve guardar entulhos nem estocar nada para evitar desperdícios. "Eu aprendi a congelar tudo. Não jogo nada fora", ensina. Além disso, quem mora sozinho também deve escolher muito bem o seu endereço. "O ponto deve ser bom, seguro, próximo a um comércio e que te permita sair e voltar quando quiser", finaliza.

Você sairia da casa dos seus pais para morar sozinho?
        Não, não tenho coragem.

        Sim, quero minha independência.

        Meus pais não aceitariam.

        Ainda não penso nisso.

        Eu já moro sozinho(a).

   


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