Relacionamentos abertos podem ser saudáveis para casais sexualmente insatisfeitosEsse tipo de relação pode ajudar a satisfazer os desejos que não são saciados e melhorar o convívio de um casal que quer continuar junto

Victor Machado
*Colaboração
1º/10/2011
Relacionamento

Relacionamentos abertos, que permitem aos envolvidos buscarem novas experiências com outros parceiros, é uma das opções para satisfazer os desejos que não são saciados dentro de um casamento ou namoro. No entanto, essa liberdade precisa de cuidados e consentimento das duas partes envolvidas no casal.

Segundo a psicanalista Maria José de Mendonça, existe sim a possibilidade de haver relacionamentos abertos e saudáveis ao mesmo tempo. Para que isso ocorra, ela destaca que é fundamental haver sinceridade e respeito à individualidade do outro. "Esse tipo de relação precisa ser em comum acordo para que não se torne uma traição. Deve-se ter liberdade para dizer as coisas e ser honesto consigo mesmo. Quando somos honestos com a gente, somos com o próximo. O verdadeiro relacionamento aberto implica em uma liberdade e essa liberdade não é fácil, só é conquistada com o tempo."

Maria conta que o primeiro casamento aberto que se tem notícia foi em 1929, entre Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir. Segundo ela, ambos tinham um pacto de dizer as verdades um para o outro, inclusive as pessoas com quem se envolviam fora do casamento. "Eles ficaram casados durante 50 anos e tiveram uma relação muito aberta e saudável. É uma forma do casal se relacionar abertamente, ter sinceridade e amor."

A psicanalista explica que entre as décadas de 60 e 70 surgiram os relacionamentos abertos baseados no modismo. "Nesse caso, envolvem as pessoas que só aceitam porque está na moda ou que buscam um prazer imediato, mas sem precisar de ser fiel a alguém. É muito comum procurar, dentro do grupo de amigos, aquele que tem gostos semelhantes e que pode se tornar um parceiro sexual. Daí, eles passam a ter um relacionamento sem compromissos. Pode até dar certo, caso as duas pessoas busquem o prazer imediato."

De acordo com Maria, existem estudiosos que acreditam que não há condições de se viver em relacionamentos tradicionais porque as escolhas amorosas vão sendo feitas ao longo das vidas e outros especialistas que defendem que a sociedade não suportaria relacionamentos abertos.

Para a psicanalista, toda relação é regida por códigos inconscientes que podem ser verbalizados ou não. "Esses códigos são construídos internamente por cada pessoa. Eles podem ser expostos ou não por ela. O interessante é aliar o que se quer para a própria vida, ao invés de ter aquela falsa ideia de que o outro deve ser uma complementação. Essa complementação faz parte da representação mental que temos de um amor idealizado, que pode ser imaturo e desonesto também. Talvez, uma relação aberta, bem definida, tenha mais sinceridade e honestidade e seja mais saudável."

Benefícios

Na opinião da sexóloga Jussara Haddad, esse tipo de relação pode ser fundamental para quem é muito ligado à questão sexual. Jussara explica que, nem sempre, o parceiro atende àquilo que o outro quer e, buscar a satisfação fora do casamento, pode trazer benefícios para a relação. "Se for em comum acordo entre os envolvidos, pode ser bem benéfico. Pode ajudar a melhorar o convívio e a relação de um casal que deseja continuar junto."

Outro ponto positivo apontado pela sexóloga é que a liberdade pode fazer com que a pessoa valorize mais o parceiro. "A tendência é que, com essa liberdade, o parceiro seja mais valorizado pelos seus lados positivos. É importante pensar que essa abertura na relação não envolve apenas o sexo. Ainda temos um cenário de muito preconceito em relação a isso."

Questionar

Maria afirma que o sucesso de qualquer relacionamento depende da escolha que a própria pessoa faz para a vida dela. "A liberdade pode ser uma vantagem ou uma desvantagem, a falta de compromisso também. Depende do que a pessoa quer para a própria vida. Os muito controladores nunca dariam certo com muita liberdade. É importante respeitar a individualidade e ser sempre sincero."

A psicanalista questiona a busca pela liberdade a qualquer custo. Para ela, hoje em dia, existe um cenário de muita liberação nos relacionamentos, mas as pessoas estão ficando cada vez mais solitárias. "Com essa liberdade toda, temos visto cada vez mais as pessoas sozinhas. Você pode ficar com quem quiser e acaba não ficando com ninguém. É uma contradição muito grande."

Ela comenta ainda que as decisões não são tão simples quanto parecem e envolvem uma carga de acontecimentos desde a infância. "O amor não se decide tão simples assim. Nossas escolhas amorosas são feitas desde os primórdios, como diria Freud. E nos marcam pelo resto da vida. Qual a sua relação com o amor? Esse é o questionamento fundamental."

*Victor Machado é estudante do 7º período de Comunicação Social da Faculdade Estácio de Sá

Os textos são revisados por Thaísa Hosken

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