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    Jussara Hadadd Jussara Hadadd 13/4/2013

    Então, tá combinado

    CamaPara muita gente, sexo é apenas uma necessidade fisiológica que compreende poucos cuidados ou quase nenhum, para falar a verdade. Pode ser feito com qualquer pessoa, em qualquer lugar, sem prevenção de doenças ou gravidez. Pode ser feito de qualquer jeito, sem pensar no prazer do parceiro, sem pensar no seu prazer, sem pensar em nada. Assim como respirar ou comer. Automaticamente, instintivamente, sem preocupações.

    É horrível pensar desse jeito, não é? Mas muitas pessoas pensam e usam outras pessoas apenas para variar sua forma de masturbação. Chocados? Acontece!

    Para outros, sexo é manancial de alegrias e energias necessárias para uma vida saudável. Para dias mais calmos, para humores mais constantes. Sexo é antidepressivo e ansiolítico. É alternativa inteligente e natural para o bem estar.

    Homens e mulheres, não querendo se envolver, procuram companhia apenas para sexo. Nada demais. A questão é o enredo. Quanta bobeira! Por que não assumir isto, então? É tão mais legal quando são combinadas as regras do jogo e participa e permanece nele quem quiser. O que não bate bem é um estar ali só para sexo e o outro ter a ilusão de que aqueles encontros são para uma relação que poderá fluir para algo mais.

    Os homens já conseguem fazer isto um pouco melhor que as mulheres que, por outro lado, costumam fantasiar e se iludir além do normal. O homem deixa claro que é só sexo. Não se envolve, não dá carinho, não demonstra afeto, não procura a mulher para nada além disso, mantendo a maior distância possível. Mas a mulher, ainda assim, a cada encontro, imagina que aquele homem é alguém especial e que vai lhe pedir em casamento e salvar sua vida da solidão.

    As moças precisam aprender que só sexo é bom também. Precisam acreditar que, muitas vezes, perdem a oportunidade de se abastecer de prazer nos braços de um homem bom, no qual se pode confiar, por não conseguirem controlar sua possessividade e seu senso natural de querer cuidar e mostrar a ele o quanto é capaz de fazê-lo feliz além daqueles momentos. Que coisa mais antiga. Além do mais, este movimento de se envolver, cuidar e fazer feliz é algo que nem mesmo um relacionamento baseado apenas em sexo pode atrapalhar se este for o destino. Nesta brincadeira, um casal pode se apaixonar de verdade e viver para sempre um amor jamais antes pensado ou planejado. Um romance assim propõe cumplicidade, lealdade, desprendimento, segurança, respeito e, acima de tudo, uma dose caprichada de cuidados e alternativas para não deixar o tesão ir embora. Comportamento que os casais convencionais desprezam, infelizmente.

    É de dar medo. É muita confusão. É muita liberalidade utilizada como tática de conquista, camuflando intenções que, muitas vezes, passam longe do que poderia ser amor. E, em vista disso, é bom que as mulheres aprendam a se controlar, controlar sua necessidade de romantismo exagerado, seus sonhos de princesa, seu potencial para uma excelente esposa e aproveitar o que o momento oferece. É bom que os rapazes também sejam sinceros.

    Se for para casar, não tem regra, não tem resistência, não tem nada que impeça uma potencial relação de amor fadada à união. O entendimento, as afinidades e tudo que gera vontade de ficar cada dia mais unidos, tudo isso vai acontecendo naturalmente.

    Não adianta forçar barra. Prever, articular, manipular, induzir, fazer entender, ressaltar suas qualidades, não adianta jogo nenhum. E se parecer que deu certo, pode até dar em casamento, mas não vai durar. As máscaras caem, as pessoas se revelam, se descuidam, cuidam menos de si e do parceiro, porque não era de verdade e a relação acaba por falir.

    Sendo assim, o meu conselho, que é para os homens também, é claro, para aqueles se veem em uma relação apenas para sexo, mas que lá no fundinho, lá no fundinho mesmo, têm aquela vontade escondida de compartilhar em amor a vida com a pessoa que divide momentos gostosos, é que continuem vivendo estes momentos de forma mais sincera possível.

    Que não se deixem dominar por sentimentos pequenos, como o ciúme, a posse ou a indignação em pensar que está sendo apenas usado. Que não permitam que o medo os faça rudes, insensíveis. Tudo na vida é uma troca.

    Para um casal, o que pode importar mesmo, o que pode indicar que a relação vá se estabilizar é a confiança que parte do respeito às necessidades de cada um e, além disso, aquela coisa maluca, inexplicável, deliciosa e implacável que sentimos pela pessoa que estamos amando.

    Não percam a oportunidade de viverem momentos agradáveis, com alguém de qualidade, pensando apenas em um futuro que pode nem acontecer. É possível ser livre, ético e responsável sendo feliz e vivendo um dia de cada vez.


    Jussara Hadadd é filósofa clínica, psicoterapeuta, especialista em sexualidade feminina, escritora, palestrante.
    Saiba mais clicando aqui.

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