Fernando Agra Fernando Agra 15/01/2015

Como agir diante da alta dos juros, da inflação e do dólar?

dolarInfelizmente não é possível driblar os impactos da alta do dólar, da inflação e dos juros. O que podemos fazer é procurar meios de administrar esses impactos de modo que causem menos prejuízos, sobretudo para as nossas contas, para o nosso bolso e por consequência para a nossa qualidade de vida. Então vamos às dicas:

a) Alta do dólar: Dentre os principais impactos negativos da alta do dólar (e observamos que foi uma alta considerável, passou de R$ 2,20 para R$ 2,70 de agosto do anão passado até os dias atuais), podemos observar o aumento nos preços dos produtos importados. Assim, sugiro que o consumidor deverá pesquisar os preços dos bens e serviços que sofrem essa influência do câmbio e procurar alternativas mais baratas, até mesmo de produtos nacionais similares, que podem estar mais baratos (ou menos caros, pois com os importados mais caros, os produtos nacionais similares vêm seus concorrentes com preços mais altos e também podem aumentar de preço). Então, já podemos perceber que os primeiros impactos surgem de um dólar alto é contribuir para aumentar a inflação; Por outro lado, um dólar alto estimula exportações, pois torna os nossos produtos mais competitivos no mercado internacional e isso é um ponto positivo, pois as empresas exportadoras tenderão a contratar mais pessoas e aumentar a geração de empregos;

b) Inflação: Infelizmente a inflação têm prejudicado o poder de compra da população, sobretudo daqueles que possuem renda mais baixas, pois estas classe possuem uma maior propensão a consumir da sua renda disponível (significa que gastam maior parte da sua renda com consumo) e quanto mais pobres, maior essa propensão a consumir produtos de primeira necessidade, sobretudo alimentos. Como destaquei no item acima, sobre a influência alta do dólar, a inflação tem sido influenciada também por produtos nacionais e o brasileiro tem observado os aumentos de preços dos alimentos, dos serviços (energia elétrica, empregada doméstica, manicure, estacionamento, pedreiros etc.). E o que fazer, já que a inflação alta diminui o poder de compra. Sugiro que as famílias se reúnam e conversem sobre o novo padrão de vida que podem levar na atual conjuntura de preços mais altos. Infelizmente alguns itens que são comprados mensalmente precisarão ser reduzidos ou até mesmos eliminados das listas de compras (pelo menos nesse primeiro momento). Primeiro, os consumidores devem diminuir (ou eliminar) o consumo de itens considerados supérfluos e no caso dos essenciais, pesquisar os preços e até substituí-los por marcas mais baratas. Uma questão extremamente importante é o combate ao desperdício (de alimentos, de energia elétrica, de água etc.), sobretudo nessa época. E atitudes simples no dia a dia vão fazer diferença no final do mês:
b.1) Literalmente evitar qualquer tipo de desperdício na alimentação ("colocar no prato somente o que for comer"). Verificar prazos de validade. Ficar atento às promoções;
b.2). É necessário uma cooperação de todos os membros da casa. A família precisa estar envolvida;
b.3). Listar o que desejo e o que é necessidade. Atender primeiro as necessidades e somente depois os desejos. Listar o que é urgente, o que é importante e o que pode ser eliminado do dia a dia. O urgente precisa ser adquirido. O importante (mas não urgente) pode ter seu consumo adiado, como a troca do carro, de um móvel, a compra de um celular novo, de uma TV nova etc. E o que de fato é supérfluo deve ser eliminado.

c) Juros altos: Com juros mais altos, a atenção aos endividamentos deve ficar redobrada. O cheque especial deve ser evitado e somente utilizado em situações de emergência (pois existem formas mais baratas de financiamento, como o crédito direto ao consumidor, os empréstimos consignados com desconto em folha etc.). Ao utilizar o cartão de crédito, a fatura deverá ser paga total e em dia, pois essa modalidade, junto com o cheque especial, possuem juros elevadíssimos. Quem tem dívidas que passaram do vencimento e estão fora do controle do orçamento, devem conversar com os credores e renegociá-las e pagar primeiros as que cobram juros mais altos, pois são as que crescem mais e mais rápido. Costumo dizer que endividamento desnecessário em momentos de juros altos é um "tiro no pé". Os consumidores devem estar muito atentos não somente ao valor das parcelas, mas também aos juros cobrados.

Em suma, é fundamental ter consciência do padrão de vida que se pode levar, ter um orçamento doméstico, acompanhá-lo semanal ou mensalmente, anotando tudo o que se gasta, pois assim se consegue identificar onde o dinheiro está sendo gasto e assim ADMINISTRAR as adversidades provocados por inflação, dólar e juros altos.


Fernando Antônio Agra Santos é Economista pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Doutor em Economia Aplicada pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), Professor da Universidade Salgado de Oliveira (Universo) e professor licenciado da Fundação Educacional Machado Sobrinho, todas as instituições em Juiz de Fora - MG. Também é economista do Centro Regional de Inovação de Transferência e Tecnologia (Critt) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). O autor ministra palestras, para empresas, na área de Inteligência Financeira, Gestão de Pessoas, Relacionamento Interpessoal, Marketing Pessoal e Gestão do Tempo. É autor do livro "Crédito Rural e Produtividade na Economia Alagoana" pela EDUFAL. É colunista do Portal ACESSA.com e coautor de artigos na Folha de São Paulo on line (com o colunista Samy Dana, Professor da FGV - SP).Saiba mais clicando aqui.

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