Dinheiro de plástico
Juizforanos trocam cada vez mais o dinheiro e os cheques pelos cartões Estabelecimentos comerciais aderem à tecnologia sem fio

Débora Sereno
19/02/04


A contadora Anayse Ferenzini explica a tendência de popularização dos cartões.

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Segurança, praticidade e comodidade. Esses são os argumentos dos adeptos e defensores do uso dos cartões de crédito e débito. Se antes eles eram privilégios de alguns, hoje já estão nas carteiras de todos brasileiros. Os números indicam que mais de vinte milhões de pessoas possuem 44,5 milhões de cartões de crédito.

O Brasil ocupa a 7ª lugar do ranking mundial dos países que mais usam o "dinheiro de plástico" e apresenta a maior taxa de crescimento entre eles. Na frente, apenas gigantes da economia mundial e países desenvolvidos: EUA, Japão, Reino Unido, Coréia do Sul, China e Canadá.

Em Juiz de Fora não existem dados concretos sobre o número de pessoas que utilizam os serviços, mas os lojistas afirmam que o hábito de utilizar o cartão vem crescendo na cidade. Grande parte afirma que de 20% a 30% do total das vendas são pagas com cartão de crédito ou débito. E os locais que não possuem esse recurso procuram se adaptar à nova realidade para não perder clientes.

A proliferação do dinheiro de plástico
Mas se na terra do Tio Sam, responsável pela invenção do cartão de crédito, a prática é comum há muito tempo, no Brasil a popularização é um fenômeno recente que inicia na segunda metade da década de 90.

A profissional do setor financeiro, Anayse Ferenzini Azalin, chama a atenção para um dos motivos principais. "Com a implantação do Real e a maior estabilidade da economia houve um fenômeno de bancalização da população brasileira".

Hoje, todo cidadão pode abrir uma conta bancária portando CPF e identidade. E é prática comum dos bancos oferecer ao cliente que abre uma conta um cartão de débito automaticamente. No caso do cartão de crédito, já é preciso uma comprovação de renda mínima que gira em torno de R$ 700.

Anayse reforça também que outros fatores contribuem para a proliferação do dinheiro de plástico. Entre os usuários, sem dúvida, os principais fatores são comodidade e possibilidade de crédito fácil. Para os comerciantes, é a queda na inadimplência que favorece a opção por esta forma de pagamento. De acordo com eles, o cartão elimina o risco do calote. Por isso, não é à toa que o uso de cartões cresceu em média 500% na última década, a emissão de cheques caiu 45%.

Clique aqui para ver as vantagens apontadas pelos comerciantes

Tecnologia de ponta na ponta dos dedos
Para acompanhar o crescente número de adeptos, as empresas investem também na tecnologia. Talvez você nem se lembre da época em que o catão era manual. A vendedora encaixava o cartão numa base, passava o papel carbono, preenchia tudo, ligava para a central... Enfim, era muita mais rápido preencher um cheque.

Hoje é a realidade é outra. Terminais eletrônicos concluem a operação em questão de minutos. A transação toda é feita através da linha telefônica. E para garantir maior comodidade para comerciante e usuário, as operadoras investem em aparelhos cada vez mais eficientes.

Recentemente, foi lançado no Brasil uma tecnologia wirelless (sem fio) inédita no mundo. Ela permite fazer a leitura do cartão e a impressão do comprovante das transações de crédito na frente do cliente. Não é preciso nem mesmo se dirigir ao caixa, o caixa vem até ele.

O assessor comercial de uma administradora de cartões em Juiz de Fora, Jorge Makla, explica as vantagens dos novos terminais. "Além de práticos, eles diminuem os riscos de assalto em estabelecimentos como postos de gasolina e joalharias".

Mas a tecnologia ainda não está disponível para todos e apresentam um custo até 70% maior do que os terminais com fio. "No momento só estamos disponibilizando estes aparelhos em Juiz de Fora para postos de gasolina, restaurantes e motéis".

Os cartões do futuro
E a proposta de evolução da tecnologia dos bancos é posta em prática também na confecção dos cartões. Algumas instituições financeiras já iniciaram a substituição dos com tarja magnética pelos Smart cards - cartões que carregam um chip com informações dos clientes. Além de maior segurança, uma vez que requerem senha pessoal para o uso, eles prometem revolucionar o mercado.

No chip é possível armazenar os mais diversos tipos de informações sobre o cliente. No futuro, o cartão poderia ser usado até mesmo como documento de identidade e adquirir funções múltiplas. Mas como toda nova tecnologia custa caro, é preciso esperar um pouco mais para realizar o sonho de não ter que carregar inúmero documentos, cartões e, o pior, guardar a senha de todos eles.

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