Mesmo com alta de demanda, Serrinha gera pouco interesseVolume de passageiros embarcados subiu 100%, mas nenhum novo pedido de empresas para operar no Aeroporto Francisco Álvares de Assis foi feito à Anac

Clecius Campos
Repórter
11/9/2010

Nem os números são capazes de despertar o interesse em outras companhias aéreas para operar no Aeroporto Municipal Francisco Álvares de Assis (Aeroporto da Serrinha). Em um ano e meio, a demanda de passageiros por voos partindo da cidade subiu 100%. No início de 2009, cerca de 1.500 pessoas embarcavam mensalmente no Serrinha. Hoje, a média mensal é de 3 mil passageiros. Mesmo assim, apenas duas empresas tem Juiz de Fora como destino: a Pantanal (do grupo TAM) e a Trip. A pior notícia é a de que o panorama deve continuar assim.

O Portal ACESSA.com entrou em contato com três empresas aéreas para sondar sobre o interesse em operar voos a partir do Serrinha. A única delas que considerou acrescentar Juiz de Fora em seu planejamento de malha foi a Azul. O diretor de relações institucionais, Adalberto Febeliano, assumiu, por meio da assessoria de comunicação, que a cidade tem potencial de geração de tráfego. "[Juiz de Fora] Frequentemente é lembrada nos exercícios de planejamento de malha da Azul, sendo bastante provável que a Azul venha a operar nesse destino no futuro."

Um futuro, porém, que não tem data para chegar, já que a empresa nunca deu entrada em processo de autorização de voos regulares (Horário de Transportes - Hotran), junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) que incluísse o Aeroporto da Serrinha. Febeliano afirma que a empresa possui aeronaves capazes de pousar e decolar de Juiz de Fora, mas informa não saber precisamente com quantos passageiros poderia realizar as viagens. "São necessários estudos técnicos mais aprofundados, que serão realizados quando a Azul decidir estudar a rota em maiores detalhes."

De acordo com a assessoria de imprensa da Anac, o Aeroporto da Serrinha comporta voos regulares e atualmente opera com aeronaves com capacidade de 45 a 47 passageiros. A agência informa que o aeroporto tem capacidade para receber mais voos. "Mas cada caso é analisado, pois envolve vários requisitos, como pátio, pista, terminal e segurança." A dimensão das aeronaves que comporta foi apontada como entrave para que a Gol possa operar voos em Juiz de Fora. Por meio de assessoria de comunicação, a empresa afirma não ter planos para operar no Serrinha, no momento. "O aeroporto de lá [Serrinha] não comporta operações com nossos modelos de aeronaves, Boeing 737-700 e 737-800", informou a Gol.

A Webjet Linhas Aéreas limitou-se a informar que "sempre avalia diversas possibilidades, porém nada relacionado a Juiz de Fora no momento". A Anac afirma que a empresa aérea que tiver interesse em operar no Serrinha pode fazer pedido para tal a qualquer momento. As solicitações são analisadas pela agência, pela Aeronáutica e pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), que avaliam as disponibilidades de horários de voos e de infraestrutura aeroportuária. Os pareceres são liberados em prazo médio de 30 dias. No sistema da Anac não há novos pedidos de operação no Aeroporto da Serrinha.

Município tenta sensibilizar empresas

Diante do pouco interesse das empresas, o município tenta sensibilizar as que já operam para que os serviços sejam incrementados. De acordo com o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Econômico (SPDE), André Zucchi, na próxima semana, o recém criado Conselho Municipal de Desenvolvimento Econômico terá encontro com representantes da Pantanal e da Trip a fim de ampliar o número de voos. "Vamos mostrar os números de embarques crescentes e tentar convencer as linhas aéreas. Precisamos de novos voos e de horários mais compatíveis. Um das reclamações frequentes é da dificuldade em ir e voltar dos destinos no mesmo dia."

Segundo Zucchi, além da tentativa de convencimento, o município investe na melhoria do Aeroporto da Serrinha, a fim de atrair novos investidores. O local passa por reformas, principalmente na infraestrutura de embarque e desembarque. "Estamos ampliando as áreas de embarque e de desembarque, instalando as esteiras de bagagem, criando uma cantina melhor, melhorando os banheiros e proporcionando acessibilidade a pessoas com dificuldade de locomoção. O objetivo é estar adequado às conformidades da Anac."

As adequações passam ainda pela criação do Plano Diretor do Aeroporto da Serrinha, outra exigência da agência reguladora. Está sendo feito um levantamento topográfico para a disponibilização de tecnologia GPS de navegação. "Esperamos para março de 2011 a liberação da segunda cabeceira da pista, direcionada para o bairro Santos Dumont. Assim teremos mais opções de pouso e decolagem." A autorização está sob análise do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea).

Aeroporto Regional pode dar respaldo para pousos

Na opinião de Zucchi, as notícias de obras de melhoria no Aeroporto Regional da Zona da Mata são positivas também para o Serrinha. Ele informa que a intenção é de que o Aeroporto de Goianá seja utilizado como um cargueiro, sendo usado para o transporte de passageiros "no futuro e como atividade secundária", acredita. No entanto, a possibilidade de pouso em um local a 40 quilômetros de Juiz de Fora, em caso de falta de teto no Serrinha, pode também atrair empresas aéreas para a cidade.

"Na medida em que a cidade vai se desenvolvendo, a chegada das empresas é esperada. Temos que trabalhar para inserir Juiz de Fora nesse cenário. Estamos em posição privilegiada e temos bons equipamentos. Só precisamos atrair as empresas."

Os textos são revisados por Thaísa Hosken

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