Cafeterias de JF tentam segurar o preço do café, mesmo com alta de 17% do produtoReajuste deve-se ao alto consumo de café no Brasil. Além disso, preço ficou congelado por dez anos. Em Juiz de Fora, cafeterias tentam fidelizar clientes

Jorge Júnior
Repórter
27/9/2011
cafe

O preço do cafezinho está mais caro no bolso do consumidor. De acordo com o presidente da Comissão de Café da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg) e da Comissão de Café da Confederação Nacional da Indústria (CNA), Breno Mesquita, o produto teve um aumento de 17% desde agosto de 2010. Entretanto, em Juiz de Fora, as cafeterias tentam segurar o preço para manter a clientela.

A proprietária de uma cafeteria localizada no Calçadão da rua Halfeld, Letícia Medeiros, afirma que tenta manter o valor do produto estável há cerca de quatro meses. No estabelecimento, o cafezinho pode ser encontrado por R$ 1 a xícara e por R$ 1,70, o copo. Letícia diz que o estabelecimento consegue fidelizar os consumidores. "Os nossos clientes apostam até jogos e quem perde acaba pagando o café para o outro", diz.

A empresária Luci Fonseca diz que estava tentando manter os preços, mas que este mês deve aumentar em torno de 10%. "O estabelecimento sentiu a alta do grão e, como não aumento o preço há bastante tempo, vou ter que fazer esse reajuste." No local, o café tradicional é o que mais atrai os juiz-foranos e pode ser encontrado por R$ 0,80.

O dono de uma cafeteria, localizada em uma galeria da rua Marechal, Antônio Fultunato, por ser fiel ao distribuidor do café, ainda não sentiu os reflexos da alta do café. "Já tem oito meses que mantemos o mesmo valor. Preferimos vender mais barato para atrair os clientes, já que o comércio está devagar", afirma. Ele afirma que a bebida agrada todos os públicos, dos mais jovens aos mais idosos.

O aumento

Bruno Mesquita explica que o reajuste deve-se ao alto consumo de café no Brasil. Segundo o especialista, o consumo no mercado interno de café cresce 4% ao ano, enquanto o consumo mundial, 2,5%. "O consumo está maior que a produção. Os países que detinham estoques começaram a colocá-lo no mercado. Em contrapartida, com o aumento do consumo e o não acompanhamento da produção, em 2011, os estoques começaram a ficar baixos, e, por isso, o preço aumentou. Se em 2000 a saca chegava para o produtor por R$ 230 a R$ 260, desde agosto de 2010, a saca pode ser encontrada por R$ 480 a R$ 520", compara.

Além disso, o preço do café ficou congelado por dez anos, de 2000 a 2010. "Esse aumento é justamente devido ao congelamento do preço." A previsão, segundo a Organização Internacional de Café (OIC), é de que a venda mundial deste ano seja de 130 milhões de sacas de café, sendo que no Brasil a previsão é de 134 milhões de sacas. O especialista diz também que a qualidade do café melhorou muito. "Hoje os brasileiros tomam café de boa qualidade."

cafe Fidelidade

Mesmo com esse cenário, os consumidores continuam procurando o produto, trocando a marca pelo preço. "Todo dia eu tomo café. De manhã bebo em casa e à tarde na rua, mas procuro o menor preço", diz a promotora de vendas, Rosimere Neves. Segundo a juiz-forana, ela já chegou a ver o produto sendo vendido por R$ 1,20, mas percorreu a cidade e encontrou o produto por R$ 0,80. "Antigamente, escolhia na minha casa pela marca, agora,vejo o preço que cabe no meu bolso", afirma Rosimeire dizendo que não consome o café expresso por ser mais caro.

Os textos são revisados por Thaísa Hosken

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