SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Duas semanas após a explosão que atingiu o bairro do Jaguaré, na zona oeste de São Paulo, moradores relatam que a relocação e o pagamento de indenizações seguem sem resolução.

Segundo as vítimas, a Sabesp tem demorado para resolver os pedidos de ressarcimento.

Procurada, a empresa disse que manteve contato com as famílias e que ofereceu seis opções de ressarcimento, com análise caso a caso.

As novas propostas foram apresentadas ao Ministério Público de São Paulo e à Defensoria Pública nesta segunda-feira (25).

A companhia não detalhou quais os prazos para conclusão dos acordos e nem um cronograma para indenizar as famílias e repor os bens pessoais.

A Sabesp afirmou também que tem dado suporte integral às famílias durante todo o processo de transição. A empresa mantém a hospedagem temporária até que a solução habitacional seja viabilizada, custeia a mudança e oferece guarda-móveis para armazenamento de bens.

Cerca de 60 pessoas fizeram um protesto na sexta-feira (22) e chegaram a interditar a avenida Presidente Altino, no Jaguaré. Após o ato, a Sabesp disse ter ampliado as opções de ressarcimento oferecidas às vítimas.

Atualmente, as famílias atingidas estão hospedadas em hotéis enquanto aguardam definição sobre moradia e compensações.

Segundo Luciano Cardoso, 38, morador do Jaguaré e um dos interlocutores entre os moradores e a Sabesp, a empresa elevou de três para seis o leque de alternativas.

As opções são: disponibilização de apartamento pela CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano); carta de crédito de R$ 250 mil; reconstrução do imóvel atingido; pagamento de auxílio-aluguel provisório até a conclusão das obras; indenização em dinheiro; ou compra do imóvel pela empresa responsável, com laudo de avaliador quando o morador contestar o valor proposto.

Ele optou pela reconstrução de sua casa e busca um apartamento temporário para morar durante a obra. Entre as alternativas, a mais comum tem sido contratar o aluguel em nome da Sabesp.

Ele recebeu a proposta de auxílio de R$ 1.500 mensais por contrato de seis meses, mas considera o valor e a duração insuficientes diante da escassez de moradias disponíveis nessas condições.

A burocracia e a velocidade do atendimento também são alvo de reclamações. "Falaram 15 dias para mobiliar e fazer os trâmites do cartório. Já passaram quase cinco dias e nenhuma movimentação aconteceu", afirma Luciano.

Moradores dizem ainda que a necessidade de procurar moradia se soma à perda de renda, já que dedicar tempo às negociações e buscas implica abdicar de dias de trabalho.

Luciano conta que no momento da explosão estava em casa com duas cachorras; os vidros foram destruídos e um dos animais precisou de atendimento veterinário.

Rosana Faria, 46, saiu de casa sem nada além da roupa do corpo. Ela disse que a explosão a lançou para fora do imóvel; ouviu o estrondo e, em questão de segundos, foi arremessada para a calçada.

Com isso, perdeu todos os pertences e hoje depende de doações para se vestir e cuidar da família. Ela está com marido e dois filhos dormindo em um único quarto de hotel oferecido pela Sabesp. A oferta de um apartamento pela CDHU, em Raposo Tavares, na zona oeste de São Paulo, foi a opção escolhida por Rosana.

Gilberto Rocha, 72, ainda não decidiu qual opção aceitar. A transferência para Raposo Tavares aumentaria o tempo de deslocamento da filha dele, que precisaria pegar três ônibus para chegar ao emprego.

Sua residência permanece na chamada "área vermelha" ?de maior risco estrutural?, e a família aguarda um posicionamento da Sabesp sobre o ressarcimento de bens listados pelos moradores.

Para ele, a maior dificuldade foi a demora na emissão do laudo da Defesa Civil. Segundo Gilberto, o documento levou cerca de oito dias para ser liberado, o que impediu a entrada em imóveis e retardou definições sobre reparos e indenizações.

Tags:
São Paulo